Bi mundial no Muay Thai, brasileira fala sobre futuro no MMA e relembra luta polêmica contra campeã do UFC

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* Com uma carreira consagrada no Muay Thai, onde foi a primeira brasileira a se tornar campeã mundial e a única brasileira a ser bicampeã mundial na modalidade, Tainara Lisboa busca agora o mesmo protagonismo, só que em outro esporte, o MMA. O caminho, certamente, não será fácil, mas ela está disposta a fazer o que for possível para atingir o ápice também nas artes marciais mistas. Com 29 anos, a paulista conquistou em 2014 o cinturão da World Professional Muay Thai Federation (WPMF) e em 2016 o título da World Woman Boxing Association (WWBA), e migrou para o MMA no mesmo ano, após sentir que havia cumprido seu papel no Muay Thai.

Atualmente, Tainara faz parte do plantel de lutadores do Thunder Fight, e enquanto aguarda pela estreia na organização, que é uma das maiores do Brasil no MMA, tem história de sobra para contar sobre sua carreira. Em entrevista à TATAME, a lutadora passou a limpo sua carreira no Muay Thai, os títulos conquistados, a migração para o MMA, o sonho de chegar no UFC, entre outros assuntos. Ainda deu tempo para a casca-grossa relembrar um duelo em específico, contra Valentina Shevchenko, que ocorreu no ano de 2010, com regras válidas para o Muay Thai. E foi justamente pelo duelo valer pelas regras do Muay Thai que Tainara Lisboa não carrega boas lembranças da luta contra a atual campeã peso-mosca do UFC, como conta a seguir.

“Essa luta com a Valentina (Shevchenko) foi bem polêmica, porque na época que a gente lutou, fechamos para lutar Muay Thai, e na luta, ela fez várias coisas ilegais, como quedas de Judô, me deu várias cabeçadas, me bateu no chão, e o responsável pela arbitragem estava no córner dela. Eu não ganhar faz parte da vida do atleta, a gente tem que lidar e tirar o melhor proveito, mas lutar com pessoas que não são ‘limpas’, isso me incomoda demais. Sei que hoje a Valentina é uma grande atleta de MMA, mas a visão que tenho dela não é legal por conta dessa experiência que tivemos, que não foi nada positiva. Mas um dia, eu ainda acho que a gente vai se encontrar e colocar os pingos nos ‘is’. Na época, depois da luta, meu antigo treinador conseguiu mudar a luta para ‘No Contest’. Era para ela ter sido desclassificada, mas no caso, não aconteceu. Tinha até um vídeo mostrando todas as faltas que ela cometeu, tem a luta também na internet. Foi algo chato, eu não gosto de posturas assim, mas faz parte”, disse a atleta.

Confira a entrevista com Tainara Lisboa na íntegra:

– Início no Muay Thai e primeiros passos no esporte até chegar aos títulos

Eu sempre fui uma criança muito hiperativa, e meu pai era atleta desde novo, ele foi goleiro, praticou Taekwondo, entre outros esportes. Nessas tentativas de alguns esportes, a gente acabou escolhendo a luta, e foi onde eu mais me identifiquei, onde consegui ficar bastante tempo, tanto que estou até hoje. 29 anos e ainda estou lutando (risos). Foi uma jornada muito longa até os títulos mundiais. Eu trabalhei bastante, porque a gente, como atleta, tem dificuldade em todas as áreas, como patrocínio, ainda mais naquele tempo, que poucos conheciam de luta, que pouco se sabia de Muay Thai, então foi uma luta diária. Fora que eu era muito nova, tive que lidar com muitas coisas bem nova ainda, a falta de remuneração também era uma grande dificuldade. Mas eu sempre amei muito o que eu fiz, o Muay Thai era e é uma grande paixão. A estrada foi longa, mas eu sempre me dediquei bastante.

– Balanço da carreira no Muay Thai e avaliação do esporte no Brasil 

Eu sou muito feliz com todos os resultados da minha carreira. Eu fui a primeira brasileira campeã mundial profissional e sou a única brasileira com dois títulos mundiais profissionais, então é uma grande alegria, eu sou muito realizada no que me propus a fazer. Com toda certeza, eu tive muito sucesso no Muay Thai, e isso me deixa muito satisfeita. O Muay Thai vem crescendo bastante no Brasil, tanto na parte profissional – os atletas melhoraram muito -, quanto na parte comercial, a gente conseguir chegar na casa das pessoas que não querem lutar, mas fazem a prática do esporte por querer qualidade de vida, emagrecer, desestressar, e isso ajuda muito os atletas. A gente precisa atingir esse público, não só o público que luta, mas todos que querem praticar o esporte. Infelizmente, ainda é bem difícil ganhar dinheiro com luta no Brasil, ainda mais com Muay Thai, mas é algo que vem mudando. As coisas estão crescendo e eu fico muito feliz por ter feito parte disso.

– Decisão de migrar para o MMA e evolução no esporte

A decisão de migrar para o MMA foi bem complicada, porque desde nova, eu só fiz Muay Thai, mas chegou um momento da minha carreira em que eu queria mais, e eu já tinha chegado no ápice, que foram os dois títulos mundiais e pensei: ‘Tá, e agora? Ou eu paro e abro uma academia ou eu penso no MMA’. E foi quando eu decidi que eu, como atleta, tenho muitas coisas a realizar e buscar, e entrei de cabeça no MMA, era a hora de me testar e querer crescer mais como atleta, e o MMA me possibilitou isso, fora que a questão de visibilidade e remuneração é muito melhor no MMA.

Em 2016, eu estreei no MMA e perdi. Na verdade, a minha grande mudança foi ter saído da minha equipe de Muay Thai e ter buscado treinamentos mais direcionados para o MMA. Desde essa mudança, que já tem dois anos, eu sinto que evolui dentro do esporte. Eu lutei em 2016, fiquei um bom tempo parada, e voltei há dois anos para o MMA, focada, com um professor para cada modalidade. Hoje eu treino Jiu-Jitsu todos os dias, participo de campeonatos, treino Muay Thai adaptado, MMA, a parte de Wrestling, Judô. Estou buscando os melhores recursos para montar um bom jogo de MMA. Eu sei o que eu quero, então eu trabalho muito para chegar lá.

– Estreia pelo Thunder Fight e luta cancelada por conta do coronavírus

Estava muito contente e muito focada para essa luta no Thunder Fight. O Thunder é o maior evento nacional, várias meninas que já lutaram na organização, hoje estão em eventos internacionais. Eu estava me preparando muito. Eu lutaria no sábado e minha luta caiu na terça-feira, por conta dessa atual situação que passamos. Mas tudo bem, o Thunder está bem motivado em voltar com força total e eu também. Estou treinando todos os dias, em casa, para estar pronta para lutar logo no primeiro evento que eles fizerem após essa situação do coronavírus. Quem sabe, futuramente, disputar o cinturão da organização, e depois seguir minha carreira internacional? Estamos trabalhando para isso.

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###IMG-0### Obrigada a todos pelo carinho e compreensão ###IMG-1### #thunderfight

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– Sonho de chegar ao UFC e inspirações no MMA

Estar no UFC é um grande sonho. Sei que existe um caminho até lá, até para eu estar pronta para enfrentar o alto nível das atletas que estão lá, mas é óbvio que meu objetivo é chegar lá. Tenho meu empresário, Fabão, cuidando da minha carreira aqui no Brasil, fora do país também tenho um pessoal cuidando de mim, que está agilizando algumas coisas, e estamos caminhando para isso. Tenho muitas inspirações no esporte, como a Cris Cyborg, Amanda Nunes, Ronda Rousey, José Aldo, Anderson Silva… São muitas inspirações, é exemplo que não acaba mais (risos). Meu foco é trabalhar para chegar nos maiores eventos, assim como foi no Muay Thai.

– Duelo contra a campeã do UFC Valentina Shevchenko ainda na época do Muay Thai 

Essa luta com a Valentina (Shevchenko) foi bem polêmica, porque na época que a gente lutou, fechamos para lutar Muay Thai, e na luta, ela fez várias coisas ilegais, como quedas de Judô, me deu várias cabeçadas, me bateu no chão, e o responsável pela arbitragem estava no córner dela. Eu não ganhar faz parte da vida do atleta, a gente tem que lidar e tirar o melhor proveito, mas lutar com pessoas que não são ‘limpas’, isso me incomoda demais. Sei que hoje a Valentina é uma grande atleta de MMA, mas a visão que tenho dela não é legal por conta dessa experiência que tivemos, que não foi nada positiva. Mas um dia, eu ainda acho que a gente vai se encontrar e colocar os pingos nos ‘is’. Na época, depois da luta, meu antigo treinador conseguiu mudar a luta para ‘No Contest’. Era para ela ter sido desclassificada, mas no caso, não aconteceu. Tinha até um vídeo mostrando todas as faltas que ela cometeu, tem a luta também na internet. Foi algo chato, eu não gosto de posturas assim, mas faz parte.

Eu não lutei só com a Valentina entre os atletas que já estão no UFC. Já enfrentei a Poliana Botelho, a Luana Dread, a Norma Dumont, então tem várias atletas que já lutei, já ganhei, e logo logo estou chegando lá, tenho certeza disso.

* Por Mateus Machado

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