"Hoje é o dia mais feliz da minha vida". Wesley não consegue conter as lágrimas. Mas desta vez elas são de alegria para o menino que perdeu vários parentes na tragédia causada pelas fortes chuvas na Região Serrana do Rio de Janeiro em 2011, que deixaram cerca de 900 mortos.
O garoto de 17 anos realizou seu sonho. Conheceu o ídolo Neymar. Os comandados de Luiz Felipe Scolari tiveram uma plateia para lá de especial para o treino desta quarta-feira, na Granja Comary. Receberam a visita de 50 crianças que sofreram perdas irreparáveis há três anos e meio.
Jogador das categorias de base do Serrano, de Petrópolis, Wesley ostenta o mesmo moicano que o craque. Já tirou até fotos para um jornal local, onde foi apresentado como sósia de Neymar. "Consegui mostrar o jornal para ele e ele falou: 'que beleza'! Queria responder alguma coisa, mas não saiu nada. Ainda estou tremendo de emoção", disse o adolescente à AFP.
Antes dos jogadores descerem para o treino, as crianças não conseguiam conter a ansiedade a poucos de minutos de conhecer de perto seus ídolos.
O primeiro momento de emoção, inclusive, veio bem antes, quando um jato utilizado para irrigar o gramado foi acionado de repente na direção da torcida, molhando todo mundo.
"Quero abraçar o David Luiz!", avisou Taís de 12 anos, com a camisa amarela ainda molhada. Quando os atletas finalmente apareceram no gramado, ela mal conseguia acreditar no que via. "Olha só, é Hulk, que tudo!", derreteu-se a menina.
Quando a grade abriu para deixá-los entrar no gramado junto com seus ídolos, os fãs soltaram gritos de alegria.
Durante quase meia hora, os jogadores atenderam a cada pedido por fotos, autógrafos, dando muito carinho a esses pequenos torcedores que tanto precisam.
"Consegui autógrafos de Hulk, Fred, e David Luiz. Júlio César me abraçou e me disse "obrigado por ter vindo", disse emocionado João Vitor, de 12 anos.
Para Milena de Oliveira Cardoso, a alegria foi mais contida. "Mesmo num dia tão feliz como esse, não posso me esquecer dos momentos horríveis que passei em 2011. A dor continua até agora", revela a garota de 16 anos, que perdeu onze parentes na tragédia, no bairro da Posse, um dos mais afetados.
"Lembro de tudo como se fosse ontem. Quando começou a chover forte, saí com a minha mãe para a casa da minha tia, mas lá também a água subiu até o teto. Depois, quis buscar a minha melhor amiga, mas a avó dela não deixou ela sair, disse que estava segura na casa dela. Vi elas morrerem na minha frente", relata.
"Depois, fui para a casa do Nivaldo, que tem três andares. Foi uma das únicas que aguentou. As crianças ficavam no terceiro andar, porque nos andares de baixo, só havia gente morta. Todo mundo se deu as mãos, fez uma oração e pediu perdão a Deus por todo mal que a gente fez. A gente estava esperando a morte", explicou Milena, que fomos resgatadas por bombeiros na manhã seguinte.
"Hoje é um dia de alegria. Vejo vizinhos, gente com quem eu fui criada, que não eu via desde a tragédia. Nunca podia acreditar que fosse ver o Neymar de pertinho, é uma felicidade imensa", resumiu.
Além da missão de conquistar o hexa em casa, os jogadores da seleção também podem dar alegria às pessoas que mais precisam com pequenos gestos.
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