Rio 2016 começa sem empolgação e crítica da Copa 2014
Gastos com estádios fizeram o “gigante acordar” ainda antes do início do Mundial

Há quem diga que “esporte é futebol e o resto é educação física”. Mas o já batido ditado se encerra assim que um brasileiro ganha a primeira medalha nos Jogos Olímpicos. A Rio 2016 começa nesta sexta-feira (5) sob um clima inferior à euforia da torcida e com clima muito mais pacífico em relação à Copa do Mundo.
A competição de futebol serviu também para acordar um gigante. Os 12 estádios, construídos ou reformados em algum momento com dinheiro público, naquela altura pareciam uma provocação aos problemas de saúde, educação, segurança e transporte no cenário nacional. As Olimpíadas no Rio causam uma revolta em escala geográfica menor, ainda que com problemas. Os protestos no momento se reservam aos escândalos de corrupção na política.
Os avanços, ou falta deles, principalmente, no quesito ambiental deixaram a desejar. O grande sonho do carioca de ver a Baía de Guanabara despoluída foi adiado. A comemorada linha exclusiva de ônibus, o BRT, se mostra incompleto mesmo com a nova Linha 4, que integra a zona sul à Barra da Tijuca, local do Parque Olímpico.

Por outro lado, Thomas Bach, presidente do Comitê Olímpico Internacional, se mostrou otimistas com o avanço do legado olímpico. O dirigente não esconde que outras edições dos Jogos já estavam mais prontas, mas confia no desafio brasileiro.
“Todos nós estamos aguardando muito a cerimônia de abertura. O público brasileiro está muito empolgado. Claro que apareceram alguns desafios. Temos confiança de que os problemas serão resolvidos”, disse Bach.
O Rio explica que os Jogos foram baseados em parcerias com os demais níveis de governo, a autoridade pública olímpica e o Comitê Rio 2016. Segundo a prefeitura, “legado, economia de recursos públicas e obras no prazo e sem elefantes brancos” estão nos mandamentos do programa. As Parcerias Público-Privadas (PPPs) e a atração de investimentos teriam sido as estratégias para atingir os objetivos.
Levantamento da própria prefeitura mostra que dos R$ 39,1 bilhões do orçamento olímpico, 43% é público (R$ 16,87 bi) para 57% (R$ 22,2 bi) privados. Desse total, R$ 7 bi representam o valor das arenas, R$ 7,4 bilhões relativos ao Comitê Organizador Rio 2016 e R$ 24,6 bi representam o valor do legado.
Os pódios deixarão os torcedores felizes e até ajudaram a esquecer momentaneamente a decepção da Copa do Mundo, mas as medalhas ainda são aguardadas mesmo para depois dos Jogos Olímpicos.
