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'Questionado, mas feliz', Júlio César chega confiante à 3ª Copa

|Do R7

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Mesmo criticado por praticamente não ter atuado no mais alto nível desde o título da Copa das Confederações, Júlio César é um dos homens de confiança do técnico da seleção brasileira, Luiz Felipe Scolari, e se diz "100% preparado" para buscar o 'hexa' em casa.

"Chego bastante questionado, mas feliz em mais uma edição da Copa do Mundo, que vai ser especial por ser disputada no Brasil", declarou o goleiro de 34 anos em entrevista coletiva realizada nesta terça-feira na Granja Comary, em Teresópolis, onde a seleção brasileira se prepara para o Mundial. Ele disputará a competição pela terceira vez (depois de 2006 e 2010), a segunda seguida como titular.


Na Copa das Confederações, Júlio César calou os críticos com ótimas atuações e foi eleito melhor goleiro da competição.

Desde então, porém, tudo começou a desandar. Barrado do Queens Park Rangers, rebaixado para a segunda divisão inglesa com ele como titular no gol, o brasileiro praticamente não jogou no segundo semestre de 2013.


Houve muitos rumores de transferências, para o Arsenal, o Napoli, a Fiorentina e até para clubes brasileiros, mas ele continuou no clube londrino mesmo sabendo que corria risco de ficar sem ritmo de jogo.

Na verdade, a carreira de Júlio César começou a azedar em 2012, quando saiu 'brigado' da Inter de Milão, clube onde se consagrou a ponto de ser considerado o melhor goleiro do mundo.


Em meio aos questionamentos, Felipão deu a ele um voto de confiança, garantindo a sua convocação na Copa em setembro, nove meses antes do anúncio final.

Isso acabou jogando até mais pressão no jogador, que acabou encontrando um novo clube apenas em fevereiro, ao assinar um contrato com o modesto Toronto FC, do Canadá.


Não foi necessariamente a melhor estratégia para acabar com os questionamentos, já que a Major League Soccer americana está longe de ser considerada uma das mais competitivas do mundo.

"As pessoas que diziam que eu tinha ido jogar com Pato Donald, com Mickey. Eu até brincava sobre isso em casa e com os companheiros da seleção. Mas posso dizer que a liga americana, nos últimos anos, ultrapassou o Brasil em média de público. No meu primeiro jogo, tinha 45.000 pessoas no estádio. A liga americana vem tendo um crescimento enorme", rebateu o goleiro.

"Na minha posição, acho que o nível técnico do campeonato não interfere tanto, para um jogador de linha, pode interferir mais. Goleiro precisa agarrar. Joguei sete partidas com o Toronto e tomei nove gols, então saí de lá muito chateado", reconheceu.

Júlio César também encara esta Copa com a pressão de ter sido considerado um dos vilões da eliminação nas quartas de final da última edição, em 2010, na África do Sul quando falhou no primeiro gol sofrido pelo Brasil na derrota por 2 a 1 para a Holanda.

Hoje, o goleiro nega ter que "pagar a dívida com a torcida" pelo fracasso de quatro anos atrás, mas diz ter aprendido com os erros do passado.

"Eu chego muito melhor do que em 2010, mais focado, bem mais preparado. Por ter chegado àquela Copa com o status de melhor goleiro do mundo, cheguei relaxado e muito confiante. Às vezes, auto-confiança atrapalha, digo isso por experiência própria", admitiu o goleiro, que destacou a importância da confiança que o técnico da seleção deposita nele.

"Em nenhum momento, desisti de estar aqui. Apesar de tudo que aconteceu comigo na Inter, no Queens Park Rangers, eu nunca desisti. E foi toda a confiança que senti por parte da comissão técnica que fez com que eu esteja aqui hoje. Caso outra comissão técnica estivesse à frente da seleção brasileira, não sei se estaria aqui", comentou.

"Mas toda confiança é uma troca. A partir do momento em que depositaram esta confiança no meu trabalho, tive que retribuir. Bem ou mal, é um risco que estão correndo", concluiu.

Toda a segurança mostrada por Júlio César na frente das câmeras será colocada à prova no dia 12 de junho, dia da estreia contra a Croácia, no estádio Itaquerão, em São Paulo. Carioca da gema, o goleiro se sente mais em casa do que nunca no Maracanã. Mas para que ele volte ao estádio onde se destacou vestindo a camisa número 1 do Flamengo, o Brasil precisará chegar à final.

lg/dm

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