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Alô, Neymar? O Brasil ainda está na linha

Entre convocações, ausências, polêmicas nas redes e aniversários de família, o camisa 10 parece ocupado demais para lembrar que ainda existe uma seleção esperando por ele

Zé da Zaga|Do R7

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Neymar Junior comemora segundo gol durante a partida entre Santos e Vasco, válida pela 4ª rodada do Brasileirão
Neymar Junior comemora segundo gol durante a partida entre Santos e Vasco, válida pela 4ª rodada do Brasileirão Rodilei Morais/FotoArena/Estadão Conteúdo - 26.02.2026

Alô, Neymar.

Estou te ligando porque, sinceramente, alguém precisa ligar. Não é a CBF, não é o técnico da seleção, não é o Santos. É alguém que ainda tenta entender o que está acontecendo com o jogador que, um dia, parecia destinado a carregar o futebol brasileiro nas costas.


Então vamos recapitular a semana.

Você posta homenagem para a esposa pelo Dia Internacional da Mulher. Bonito. Sensível. Família em primeiro lugar. Ao mesmo tempo, seu nome aparece na pré-lista da seleção. O técnico planeja ir ao estádio justamente para te ver jogar. Avaliar. Entender se ainda dá para contar com você.


Aí vem a notícia: você não vai jogar. Não está 100%.

Tudo bem. Futebol tem dessas.


Só que o roteiro não para por aí.

A internet resgata que, curiosamente, há anos você não joga justamente na época do aniversário da sua irmã. Coincidência? Pode ser. Mas quando a coincidência acontece tantas vezes, ela deixa de ser coincidência e vira estatística.


Enquanto isso, nas redes sociais, mais um capítulo paralelo: curtida em foto sensual de influenciadora francesa, comentários surgindo, gente marcando sua esposa, discussão pública, explicação, justificativa, texto reflexivo sobre a sociedade moderna reagindo a curtidas no Instagram.

Tudo isso em poucos dias.

E aí eu volto para a pergunta principal dessa ligação imaginária:

Em que momento o futebol entrou nessa agenda?

Porque o técnico da seleção queria te ver jogar. Só isso. Nada extraordinário. Não pediu entrevista, não pediu promessa, não pediu discurso.

Queria ver você em campo.

Só que, de novo, o campo ficou em segundo plano.

E é aí que mora a frustração. Porque ninguém está discutindo talento. Isso nunca esteve em debate. O Neymar jogador continua sendo um dos mais brilhantes que o Brasil produziu em décadas.

O problema é que o Neymar personagem parece ter ocupado espaço demais na agenda do Neymar atleta.

Entre stories, explicações, polêmicas digitais e coincidências de calendário, vai passando mais um capítulo de uma carreira que, aos poucos, parece se afastar do protagonismo que um dia prometeu.

E o Brasil continua esperando.

Esperando aquele jogador que pegava a bola e resolvia. Que chamava responsabilidade. Que transformava expectativa em espetáculo.

Por isso a ligação.

Não para cobrar perfeição.

Mas para lembrar uma coisa simples:

O Brasil ainda está na linha.

A pergunta é se você ainda pretende atender.

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