Alô, Neymar? O Brasil ainda está na linha
Entre convocações, ausências, polêmicas nas redes e aniversários de família, o camisa 10 parece ocupado demais para lembrar que ainda existe uma seleção esperando por ele
Zé da Zaga|Do R7

Alô, Neymar.
Estou te ligando porque, sinceramente, alguém precisa ligar. Não é a CBF, não é o técnico da seleção, não é o Santos. É alguém que ainda tenta entender o que está acontecendo com o jogador que, um dia, parecia destinado a carregar o futebol brasileiro nas costas.
Então vamos recapitular a semana.
Você posta homenagem para a esposa pelo Dia Internacional da Mulher. Bonito. Sensível. Família em primeiro lugar. Ao mesmo tempo, seu nome aparece na pré-lista da seleção. O técnico planeja ir ao estádio justamente para te ver jogar. Avaliar. Entender se ainda dá para contar com você.
Aí vem a notícia: você não vai jogar. Não está 100%.
Tudo bem. Futebol tem dessas.
Só que o roteiro não para por aí.
A internet resgata que, curiosamente, há anos você não joga justamente na época do aniversário da sua irmã. Coincidência? Pode ser. Mas quando a coincidência acontece tantas vezes, ela deixa de ser coincidência e vira estatística.
Enquanto isso, nas redes sociais, mais um capítulo paralelo: curtida em foto sensual de influenciadora francesa, comentários surgindo, gente marcando sua esposa, discussão pública, explicação, justificativa, texto reflexivo sobre a sociedade moderna reagindo a curtidas no Instagram.
Tudo isso em poucos dias.
E aí eu volto para a pergunta principal dessa ligação imaginária:
Em que momento o futebol entrou nessa agenda?
Porque o técnico da seleção queria te ver jogar. Só isso. Nada extraordinário. Não pediu entrevista, não pediu promessa, não pediu discurso.
Queria ver você em campo.
Só que, de novo, o campo ficou em segundo plano.
E é aí que mora a frustração. Porque ninguém está discutindo talento. Isso nunca esteve em debate. O Neymar jogador continua sendo um dos mais brilhantes que o Brasil produziu em décadas.
O problema é que o Neymar personagem parece ter ocupado espaço demais na agenda do Neymar atleta.
Entre stories, explicações, polêmicas digitais e coincidências de calendário, vai passando mais um capítulo de uma carreira que, aos poucos, parece se afastar do protagonismo que um dia prometeu.
E o Brasil continua esperando.
Esperando aquele jogador que pegava a bola e resolvia. Que chamava responsabilidade. Que transformava expectativa em espetáculo.
Por isso a ligação.
Não para cobrar perfeição.
Mas para lembrar uma coisa simples:
O Brasil ainda está na linha.
A pergunta é se você ainda pretende atender.

