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Barcelona ganha milhões para promover turismo em país que o governo pede para população não visitar

Clube anuncia acordo com o governo do Congo e irá anunciar marca na camisa por quatro temporadas

Varal FC|Felipe LemeOpens in new window e Gabriel HerbelhaOpens in new window

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Barcelona receberá valor milionário para promover turismo no Congo Reprodução X/ FC Barcelona

O Barcelona anunciou nesta semana um novo patrocínio, que renderá milhões de euros aos cofres do clube, mas que gerou controvérsia em um país a mais de 5.000 km de distância.

O clube espanhol firmou um acordo com o governo do Congo, e irá promover o turismo no país do centro da África. Segundo a Reuters, o acordo, de quatro temporadas, irá render 46 milhões de dólares (cerca de R$ 254 milhões) aos Culés.

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O emblema “R.D. Congo - Couer d’Afrique”, (República Democrática do Congo - Coração da África, na tradução livre) será exibido na parte traseira das camisetas de treino do clube e nos uniformes pré-jogo.

Curiosamente, o Ministério das Relações Exteriores da Espanha desaconselha os cidadãos do país a visitar o país, sob argumento de que o Congo vive “situação de segurança muito frágil”.

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Apesar da tentativa de expandir o turismo globalmente, parte da população acredita que o dinheiro do país deveria ter outras prioridades.

O país tem um dos IDHs mais baixos do mundo - 0,593, 149º lugar entre 191 países. A enorme desigualdade social do Congo contrasta com a riqueza do território. O país possui uma das maiores reservas minerais do mundo, sendo um dos maiores produtores de cobalto e de coltan, minério essencial para o setor de eletrônicos, já que é usado em capacitores eletrolíticos para celulares e computadores.

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“Quando falamos de turismo, deveríamos falar de coisas para ver quando as pessoas vêm para cá... para mim, em vez de investir esse dinheiro [no exterior], elas deveriam investir esse dinheiro primeiro para construir o país”, declarou Muzinga Lemfu, morador da capital, Kinshasa, à rede britânica BBC.

O país viveu por anos um conflito sangrento com Ruanda, país vizinho, no qual faz fronteira, e que causou milhares de mortos, somadas as denúncias de violação de direitos humanos em decorrência da guerra.

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No final de junho, os representantes dos dois países assinaram um acordo para encerrar o conflito, mediado por Estados Unidos e Catar.

A Anistia Internacional (AI) também se pronunciou sobre a parceria entre o Barça e o Congo, tremendo que o acordo possa ser uma forma do país limpar a sua imagem frente ao mundo.

O responsável pela Europa e Oriente Médio da ONG, Carlos de las Heras, ressaltou que esta estratégia não é nova, e que o governo de Ruanda já fez o mesmo, patrocinando o Arsenal, PSG e outros gigantes europeus.

“Nem tudo é válido por razões econômicas, mas as questões que vão para além do dinheiro, devem ser levadas em conta”, declarou.

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