A Ferrari tem um bom carro — mas isso basta para a temporada 2026?
As falas de Hamilton e Montezemolo deixam claro: a diferença para a Mercedes pode ser maior do que parece
Duas corridas podem parecer pouco para definir uma temporada de Fórmula 1.
Mas, neste início de 2026, eu confesso: já dá para sentir que a história pode estar tomando um rumo conhecido — e desconfortável para a Ferrari.

O carro não é ruim. Longe disso. Mas talvez esse seja exatamente o problema.
A Scuderia Ferrari começou o ano mostrando competitividade, com pódios e momentos de liderança nas corridas. Só que, quando o cenário se estabiliza, a diferença aparece. E aparece grande.
Lewis Hamilton foi direto ao ponto ao admitir que a vantagem da Mercedes-AMG Petronas Formula One Team é “enorme”, algo que pode chegar a meio segundo por volta em ritmo de corrida.
Mais do que o número, o que me chama atenção é o tom.
Não é uma diferença circunstancial. Não parece algo que vá desaparecer rápido. E quando um piloto com sete títulos mundiais fala dessa forma, dificilmente é exagero. Mas o alerta fica ainda mais forte quando vem de fora da pista.
Luca di Montezemolo, ex-presidente da Ferrari, resumiu a situação de forma quase dolorosa em declaração ao jornal italiano Corriere della Sera: “Eles têm um bom carro, mas não um capaz de vencer o Campeonato Mundial.”
Eu fico pensando no peso dessa frase. Porque ela desmonta uma narrativa comum no início de temporada — a de que “ainda é cedo”. Às vezes é. Mas às vezes não é tão simples assim. Até aqui, o que se vê é um padrão claro: A Ferrari larga bem, aparece, disputa… mas não sustenta.
Na Austrália, a diferença foi de 15 segundos. Na China, passou de 25. Isso não é detalhe de corrida. É ritmo.
Enquanto isso, a Mercedes faz o oposto: controla.
E talvez seja justamente isso que define o momento atual. Não é só sobre quem é mais rápido — é sobre quem consegue transformar velocidade em domínio.
Montezemolo foi além — e, para mim, tocou em algo ainda mais profundo: “Nos últimos 10 anos eles nunca chegaram à última corrida ainda na disputa pelo título.”
Essa fala não é só sobre 2026. É sobre um histórico que começa a pesar.
E é aí que entra a minha maior dúvida neste início de temporada: a Ferrari está diante de um problema técnico ou de um padrão que ainda não conseguiu quebrar?
Claro, a Fórmula 1 permite reviravoltas. Atualizações chegam, diferenças diminuem, cenários mudam.
Mas, sendo bem honesta, quando a distância aparece dessa forma logo nas primeiras corridas, ela costuma ser mais estrutural do que pontual.
A Ferrari ainda pode evoluir.
Mas, neste momento, parece estar tentando alcançar um carro — e uma equipe — que já começaram o campeonato em outro nível.
E talvez seja exatamente por isso que o próximo capítulo da temporada ganha ainda mais peso.
O GP do Japão costuma expor carros de verdade — equilíbrio, consistência e confiança em alta velocidade. Não é um circuito que perdoa diferenças.
Se a Ferrari quiser provar que ainda está no jogo, Suzuka pode ser o momento.
Porque, na Fórmula 1, algumas pistas não criam ilusões.
Elas mostram exatamente onde cada equipe está.
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