Xingado pela torcida do Flamengo, Filipe Luís vive primeira crise, após perder segunda decisão em 2026. ‘O time tem minha cara. No bom e no ruim’
Pela primeira vez, a torcida do Flamengo xingou Filipe Luís. Ele estava visivelmente constrangido após o Flamengo perder a Recopa no Maracanã, por 3 a 2 para o Lanús. Há 26 dias, seu time foi derrotado pelo Corinthians na decisão da Supercopa do Brasil

“Ei, Filipe, vai tomar no...”
A torcida do Flamengo gritava em coro ontem, após a derrota do time para o Lanús por 3 a 2 e perda do título da Recopa Sul-Americana, em pleno Maracanã.
O clube mais rico da América do Sul fracassava na sua segunda decisão de 2026.
E os torcedores escolheram o culpado.
Filipe Luís.
O mesmo técnico que venceu cinco campeonatos com o Flamengo em apenas 514 dias.
E era celebrado pelos torcedores rubros-negros e pela mídia carioca como o melhor treinador brasileiro nos últimos anos.
O mesmo que jornalistas do Rio de Janeiro garantiam ser favorito para substituir Diego Simeone, no Atlético de Madrid.
De acordo com a imprensa espanhola, ele teria acordo para trabalhar na Inter de Milão. E abriria vaga para Filipe Luís, depois da Copa do Mundo.
Mas bastaram dois fracassos nas primeiras decisões do Flamengo em 2026 e tudo mudou.
Perder para o Corinthians e Lanús, equipes mais fracas que o clube mais rico da América do Sul, foi enorme decepção.
Para a torcida e para a direção do clube.
A coletiva de Filipe Luís foi diferente de todas que o técnico já deu.
Evasivo, fugiu de respostas profundas.
Estava visivelmente abalado.
Não só com a derrota, mas pela reação da torcida.
Foi a primeira vez que ouviu a torcida flamenguista xingá-lo.
E também teve de enfrentar a hostilidade de jornalistas do Rio de Janeiro com a derrota na decisão da Recopa.
Ele surpreendeu a todos com uma resposta sem a menor consistência e realidade, perguntado sobre a derrota para o Lanús.
“Acho que fizemos um grande jogo. Cometemos um erro que nos custou um gol, o adversário praticamente não passou do meio-campo.
“E foi assim até quase acabar a prorrogação, quando fizeram o gol de cabeça e depois com o time exposto.
“Minha avaliação é de que o time foi superior. Como não ganhamos, essas palavras vão soar mal.”
E soaram mesmo.
As críticas vieram em avalanche, nesta madrugada, contra o treinador.
Principalmente pelas mudanças que fez na equipe. Ele tirou do time Léo Ortiz, Alex Sandro, Paquetá e Cebolinha. Colocou Danilo, Ayrton Lucas, Evertton Araújo e Plata.
“Estudamos o Lanús o máximo possível. Escolhi a equipe que, segundo a minha visão, são os jogadores que estão em melhor forma, junto com as características que a equipe precisava.
“Tentei equilibrar o máximo possível a equipe para que pudesse realmente jogar dentro da área do Lanús. Para isso, precisava equilibrar muito o ataque segundo as funções que eles executam.”
Só que o resultado foi danoso para o Flamengo.
O time precisava vencer por uma diferença de dois gols, já que havia perdido na Argentina.
E o Flamengo jogou sem um homem de definição no ataque. Pedro e Bruno Henrique ficaram no banco.
Arrascaeta e Carrascal tentaram fazer o melhor. Mas não renderam nada.
O Flamengo foi uma equipe instável. Conseguiu, com o apoio da torcida, virar a partida, com gols de pênalti, de Arrascaeta e de Jorginho, já que o Lanús, que venceu na Argentina por 1 a 0, saiu na frente, no Maracanã, com gol de Castillo.
O jogo foi para a prorrogação e o Flamengo tomou mais dois gols, de Canale e Bou.
3 a 2, Lanús.
Filipe Luís tentou, em vão, justificar o fracasso.
“Lanús foi campeão da Sul-Americana defendendo bem a sua área. Obviamente que tínhamos um plano para tentar desmontar essa linha que muitas vezes se transforma numa linha de seis.
“Fizemos um jogo dentro da área do adversário, mas infelizmente tomamos um gol. Conseguimos virar o jogo com muito volume, mas realmente quando o time está todo fechado na sua área, não é fácil criar chances.
“Mesmo assim o time manteve o volume e controlou bem até as pernas não aguentarem mais.”
Filipe Luís enfrenta a pior crise desde que assumiu o Flamengo.
No final do ano passado, ele renovou seu contrato até dezembro de 2027. A torcida do Flamengo e a direção do clube comemoraram. Afinal, o clube havia acabado de ganhar o Brasileiro. Já havia conquistado a Libertadores.
Agora, a situação mudou completamente.
Filipe Luís é, pela primeira vez, duramente questionado.
Não há chance de demissão.
Pelo menos por enquanto.
Mas há a necessidade de vencer o Campeonato Carioca, para amenizar as cobranças, as críticas a Filipe Luís.
A reação imediata à derrota de ontem foi péssima. Por inexperiência ou ego, o treinador negou a realidade, em mais uma perda de título, recurso comum na profissão.
Mas ele até agora se mostrava um técnico diferenciado.
Se não assumir os erros, não vai crescer, como todo o país acreditava.
Sim, o Flamengo está mais desgastado. No calendário insano de 2026, já fez 19 partidas. Enquanto o Lanús, apenas nove.
Mas a falta de rumo do time no Maracanã foi assustadora.
O elenco mais caro da América do Sul acabou sendo muito mal usado.
O resultado foi justo.
O Lanús mereceu ser campeão, marcando, travando o time brasileiro.
Mal escalado, nem parecia o mesmo time campeão do país e da Libertadores em 2025.
E com a frustrante derrota despertou a ira da torcida flamenguista.
A ponto de usar o chulo coro para atacar Filipe Luís.
Na primeira crise, a hora é de mostrar capacidade.
E vencer o Carioca para aliviar a pressão.
Comandar o clube mais rico da Américoa do Sul não é para qualquer técnico.
E Filipe Luís não é qualquer técnico...













