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Seleção sem medo de fazer história. E dizer 'não' à Copa América

Depois da vitória contra o Equador, e da receptividade da imprensa, da população, Tite e os jogadores estão convictos. Vão dizer não à Copa América depois da partida contra o Paraguai

Cosme Rímoli|Do R7 e Cosme Rímoli

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Seleção nunca esteve tão unida. Para tomar a decisão histórica. Boicotar a Copa América no país
Seleção nunca esteve tão unida. Para tomar a decisão histórica. Boicotar a Copa América no país

São Paulo, Brasil

"Eu passei no meio das grades. Mais cedo eu falei: 'sou magro e dá para passar'. Quando eu vi que era o Neymar, corri e brequei na frente dele. Aí escorreguei, ficou parecendo que foi um carrinho", confessava, chorando de alegria, o adolescente Lucas Nogueira.

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Na noite de quarta-feira, em Porto Alegre, quando a seleção brasileira chegava ao hotel, Lucas correu, derrubou e abraçou Neymar. Outros dois adolescentes fizeram a mesma coisa.

Por trás da aparentemente bucólica cena, que desmoralizou a segurança da CBF, e se um dos adolescentes estivesse infectado com a cepa indiana do coronavírus? Neymar poderia se contaminar, de novo, já que ficou provado que é possível uma dupla contaminação. Ou poderia apenas assimilar o vírus e passá-lo aos companheiros na concentração, à Comissão Técnica.

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O Brasil chegou a 467.702 mortes e 16.717.687 pessoas infectadas pela doença.

O que aconteceu com Neymar na recepção em Porto Alegre, na véspera da vitória diante do Equador, convenceu de vez os atletas e Tite. Eles não querem jogar a Copa América no Brasil.

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Não querem se expor e acreditam ser um desrespeito, em todos os sentidos, a competição com o país mergulhado na pandemia. Além, é verdade, de que os que atuam na Europa estão 'desesperados' por férias, descanso, depois de duas temporadas praticamente seguidas.

Casemiro, capitão ontem, foi direto.

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"Não podemos falar do assunto, todos sabem nosso posicionamento, mas não vamos falar desse assunto. Todo mundo sabe nosso posicionamento, está mais claro impossível, Tite deixou claro para todo mundo o que nós pensamos da Copa América."

"Existe um respeito, uma hierarquia que temos que respeitar, queremos dar nossa opinião e aconteceram muitas coisas. Queremos falar, mas não queremos desviar o foco, porque isso para nós é Copa do Mundo. Hoje ganhamos jogo de Copa do Mundo, é importante para nós."

Os jogadores têm todo apoio de Tite, que também não se sente bem com a situação, e não quer ser o comandante da seleção na Copa América. Porque não vê sentido em lutar para celebrar um torneio enquanto a maior tragédia do país segue acontecendo.

Até hoje são 467.702 mortos no país.

A covid-19 matou mais do que Guerra do Paraguai, que custou a vida de 50 mil brasileiros.

A gripe espanhola ceifou 35 mil pessoas neste país. Ela durou entre 1918 e 1919.

Acidentes aéreos comerciais: 30.330 pessoas perderam a vida em todo o mundo, de 1959 a 2018.

A reação da imprensa, dando apoio total à decisão dos jogadores e de Tite, deu mais confiança ao elenco. Além da revelação da acusação forma de assédio sexual e moral do presidente da CBF, Rogério Caboclo, a uma funcionária da entidade.

Caboclo quis usar seu poder para obrigar os atletas a jogarem a Copa América. A ameaça velada é que os que se negassem poderiam ficar de fora da Copa do Mundo de 2022. O presidente da CBF deixou claro que quem não respeitasse a hierarquia não poderia servir a seleção. E respeitar a hierarquia seria fazer o que o dirgente quer, como disputar a Copa América.

Os jogadores e Tite saíram muito mais leves e convictos, depois da vitória diante do Equador, ontem, por 2 a 0. Resultado que garante a liderança isolada nas Eliminatórias Sul-Americanas.

O combinado será mantido. Os atletas sem falarem sobre a decisão de não jogar a Copa América. Até que todos se juntem, depois da partida contra o Paraguai, em Assunção. E assumam para o mundo uma postura histórica.

A de não jogar a competição.

Aí caberá à CBF, se quiser, chamar outros atletas.

E até, talvez, outro treinador.

Os atletas e Tite estão até mais irredutíveis...

Três dos últimos quatro presidentes da CBF foram banidos do futebol

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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