Segundo tempo brilhante. E o Flamengo está na final do Mundial

Nervoso, o time de Jorge Jesus foi uma decepção na primeira etapa. Vitória por 1 a 0 do Al-Hilal. Mas, no segundo tempo, veio a consciência e a virada: 3 a 1

Bruno Henrique, na cabeçada perfeita. Time funcionou só no segundo tempo

Bruno Henrique, na cabeçada perfeita. Time funcionou só no segundo tempo

Kai Pfaffenbach/Reuters - 17.12.2019

São Paulo, Brasil

Como na final da Libertadores, o Flamengo teve de se reinventar na semifinal do Mundial de Clubes. 

Depois de um dos piores primeiros tempos sob o comando de Jorge Jesus, com o time completamente dominado pelos nervos e pelo Al-Hilal, e perdia o jogo por 1 a 0, veio a segunda etapa.

 Diego Alves fez excelentes defesas, evitou o desastre maior.

A equipe carioca sentiu a responsabilidade, a obrigação de vencer. E seus jogadores se irritavam diante da dificuldade, do plano tático muito bem montado pelo romeno Razvan Lucescu.

4-5-1, com muita vibração, foco.

Principalmente Gabigol, que jogou muito mal. Afobado, egoísta, irritado.

Outro ponto fraco foi o lado esquerdo.

Filipe Luís e Marí deixavam muito espaço para os árabes. 

Willan Arão esteve perdido, sem saber a quem marcar, como se movimentar. Além de errar passes fáceis.

Mas bastaram 15 minutos do intervalo para o português consertar o time. Muito mais compacto, vibrante e objetivo, como foi em todo o Brasileiro e na Libertadores, o Flamengo se impôs.

E conseguiu outra virada histórica, em Doha, no Qatar.

Arrascaeta, Bruno Henrique e Al-Bulayhi, contra, determinaram o placar de 3 a 1.

O Flamengo está na final do Mundial depois de 38 anos.

Espera o vencedor de Liverpool e Monterrey, que se enfrentam amanhã.

O Al-Hilal teve a vitória à disposição no primeiro tempo. 1 a 0 foi pouco

O Al-Hilal teve a vitória à disposição no primeiro tempo. 1 a 0 foi pouco

Ibraheem Al Omari/Reuters - 17.12.2019

Bruno Henrique mais uma vez foi o grande jogador da partida.

"A gente viu o jogo deles e vimos que no segundo tempo, eles caíram de rendimento. O Mister falou para não baixar a intensidade que o time deles iria cansar. E foi o que aconteceu", disse o atacante, minimizando sua decisiva participação na vitória.

Ele fez a assistência para o gol de empate, de Arrascaeta.

Marcou o segundo.

E deixaria Gabigol com o gol vazio para fazer o terceiro, Al-Bulayhi não deixou. E, desesperado para tentar cortar outra assistência perfeita, marcou contra. 

Mas o jogo deixou muitas lições.

A primeira delas é que, se o Flamengo repetir os erros, será derrotado na final. Principalmente se o adversário for o Liverpool.

A falta de compactação, a insegurança na saída de bola e a marcação frouxa proporcionaram o domínio do Al-Hilal no primeiro tempo.

Tivesse o time campeão da Liga Asiática mais tranquilidade nos arremates, poderia terminar o primeiro tempo vencendo por dois ou três gols de vantagem, tantos foram os erros do Flamengo. 

Arão e Gerson, jogadores-base do sistema de marcação e homens que iniciam a saída de bola da defesa para o meio de campo, tiveram fraca atuação.

O time carioca tinha a posse de bola longe do gol. E era lenta, sem objetividade.

Os jogadores do Al-Hilal, verdadeira legião estrangeira, tinham espaço para infiltrações com a bola dominada ou trocarem passes.

Como aconteceu no gol de Salem Al-Dawsar, aos 17 minutos de jogo. Giovinco, livre, serviu para o lateral Al-Buryak, também solto, cruzar para o chute forte de Al-Dawsar, que ainda desviou em Pablo Marí.

O sofrimento de Jorge Jesus com o péssimo início do Flamengo

O sofrimento de Jorge Jesus com o péssimo início do Flamengo

Ibraheem Al Omari/Reuters

O Flamengo não estava preparado para dificuldades. Sair atrás do placar. Com seus volantes muito mal. Assim como Filipe Luís.

E os árabes tiveram o lado psicológico a favor. Além de estarem muito bem distribuídos em campo.

O pecado mortal foi desperdiçar a chance de marcarem mais gols. Diego Alves teve outra grande participação.

Jorge Jesus havia montado o Al-Hilal, antes de trabalhar no Flamengo. Conhecia características fatais dos árabes.

A falta de preparo físico.

E o fim do foco, caso sofressem o empate.

Foi exatamente o que aconteceu.

Os jogadores do Flamengo se aproveitaram de sua maior força, resistência.

E imprimiram um ritmo sufocante para os árabes.

A confiança mudou de lado com o gol de Arrascaeta. O jogo era outro

A confiança mudou de lado com o gol de Arrascaeta. O jogo era outro

Kai Pfaffenbach/Reuters - 17.12.2019

Logo aos três minutos, em jogada mais do que ensaiada e colocada em prática no Brasileiro, Gabriel encontrou Bruno Henrique livre. Ele invadiu a área e deixou Arrascaeta livre para empatar.

Com o 1 a 1, o Al-Hilal desabou.

Jorge Jesus acertou em cheio ao tirar Gerson e colocar Diego. Mais ofensivo, o meia foi fundamental na virada.

Diego descobriu Rafinha livre. O lateral cruzou e Bruno Henrique, como um raio, virou o jogo, aos 32 minutos.

O time árabe já estava escancarado, quando seis minutos depois, Diego descobriu Bruno Henrique que invadiu a área. Iria dar o gol para Gabigol. Mas Al-Buryak fez contra.

Festa, vibração.

Festa após a semifinal. Mas os erros foram muitos e graves

Festa após a semifinal. Mas os erros foram muitos e graves

Kai Pfaffenbach/Reuters

Flamengo na final do Mundial, depois de 38 anos.

Mas passando por um sufoco desnecessário.

Se repetir o primeiro tempo, na final de sábado, não consegue o título.

Cabe a Jorge Jesus consertar os erros.

Que foram muito preocupantes...

Veja melhores imagens de Flamengo e Al-Hilal pela semifinal do Mundial