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Seedorf faz de Memphis o seu líder. Meia aceita, não quer passar pelo vexame do rebaixamento. E ambos exigem que o Corinthians pague o que deve ao time

Para valorizar a direção, Seedorf nega a participação de Memphis na sua contratação. Mas o holandês foi fundamental não só apoiando, mas indicando o seu compatriota. Motivos: falta de convicção de Dorival Júnior, excesso de amizade de Fernando Diniz e barrar a volta de Ramón Díaz, com sua falta de variações táticas. Ambos fazem a primeira exigência à direção. Fim de atrasos nos salários e direitos de imagem. Há dois meses de atraso nos direitos de imagem. O ameaçado Osmar Stabile, que desistiu de concorrer à reeleição, garante que, até o final do ano, o Corinthians não atrasará mais nada

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A luta pela salvação do Corinthians na Série A está dividida entre dois holandeses: Seedorf e Memphis Rodrigo Coca/Ag. Corinthians

São Paulo, Brasil

Seedorf conseguiu seduzir a imprensa brasileira, ontem, com seu discurso de apresentação.

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Misturou sua personalidade forte, sua liderança como jogador vitorioso e sete anos como comentarista de grandes eventos, como Copa do Mundo e Eurocopa.

A ponto de ficar de lado os fracassos acumulados como treinador. Na Itália, na Espanha, na China e em Camarões. Os 22 títulos como jogador pesaram mais que o seu jejum de conquistas como técnico. E principalmente o rebaixamento com o La Coruña.

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Ele tem oito partidas para tentar salvar o Corinthians da Segunda Divisão. Inteligente, sabe que o clube é um gigante. Mas com elenco limitado, pequeno e assustado.

Seedorf já tomou duas decisões além do campo. Desde ontem, quando assumiu, pediu para a psicóloga Anahy Couto passar um relatório individualizado de cada atleta. Ele já sentiu que a falta de confiança é algo muito profundo nos atletas.

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E tratou de ter uma conversa particular com Memphis Depay. Como vários treinadores fizeram com o próprio Seedorf, por onde passou como jogador, ele quer transformar o seu compatriota em grande líder nesse momento do Corinthians.

Dar ainda mais espaço para que ele seja o seu capitão para tirar o Corinthians do caminho da Segunda Divisão.

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Memphis tem enorme participação na chegada de Seedorf no Parque São Jorge. Entre os vários nomes sugeridos à direção, depois que Ramón Díaz, Zubeldía, Sylvinho, Jorge Sampaoli, Mascherano e Carille disseram ‘não’, o meia se empolgou e insistiu em relação a Seedorf.

Mais que ninguém, ele sabia da força psicológica do ex-jogador. E que não se abateria com as cobranças, como fizeram Dorival e Diniz, ex-treinadores da Seleção Brasileira.

Da parceria instantânea já nasceu a decisão de cobrar, de forma muito firme, o executivo Marcelo Paz. Ambos foram claros: os salários e os direitos de imagem dos jogadores precisam ser pagos imediatamente.

O Corinthians ainda deve dois meses de direito de imagem e premiações da Libertadores, em que o time foi eliminado nas oitavas.

Paz garantiu à dupla que Stabile colocará tudo em dia. A tentativa é que, até segunda-feira, dia da partida contra o Vitória, em Itaquera, na estreia de Seedorf, pelo menos parte desse dinheiro seja paga.

Memphis, que não jogará por estar suspenso, participará de toda a preparação deste jogo. Já assumindo o espaço oferecido pelo novo treinador.

Ídolo midiático europeu, o meia não quer passar pelo vexame de manchar seu currículo com um rebaixamento no futebol brasileiro.

O auxiliar espanhol, que Seedorf trouxe para cuidar especificamente da parte estratégica, Pablo López, conversou muito com Léo Porto, que auxiliava Fernando Diniz.

E ouviu que o grande problema do Corinthians está na parte defensiva. Até por característica de montagem do elenco, faltam jogadores com poder de marcação nas intermediárias.

O que vai piorar ainda mais com a lesão no menisco do joelho direito de Raniele, melhor marcador corintiano. Ele terá de se submeter a uma cirurgia que o tirará do restante da temporada.

A solução encontrada por Seedorf e Pablo López será a compactação do time, ao máximo que conseguir, nestas últimas oito partidas.

Mesmo adorando montar equipes francamente ofensivas, razão apontada pelos fracassos como técnico, Seedorf recuará no Corinthians.

Não será surpresa se ele apelar para três zagueiros.

E até três volantes no meio-campo contra o Vitória.

Ele sabe que tudo o que não pode acontecer é perder logo a primeira partida, diante da torcida, e contra um clube que também luta para se salvar.

O pressionado Osmar Stabile já antecipou que não concorrerá à reeleição. Como exigiam os comandos das organizadas.

Ele vem recebendo ameaças, até físicas, de torcedores. E redobrou sua segurança particular.

O clima com a chegada de Seedorf melhorou para os atletas.

Mas não para Stabile e Marcelo Paz.

Os dois sabem que não seguirão no Corinthians em 2027. Fracassou o plano de ficarem mais três anos no comando do clube.

E só resta fazerem de tudo para o clube não cair para a Segunda Divisão.

Repassaram a responsabilidade para Seedorf e Memphis.

O destino fez de dois holandeses a esperança para novo vexame histórico corintiano.

Como o inesquecível rebaixamento de 2007...

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