Roger Machado xingado pela torcida do São Paulo. Abel Ferreira xinga e é expulso. Palmeiras vence e é líder do Brasileiro. Deu a lógica. ‘Machuca’, desabafa Roger
O Palmeiras marcou com Arias, aos seis minutos, travou o São Paulo, pobre em criatividade, sem organização ofensiva. O time de Abel ganhou, no Morumbi, por 1 a 0. Valia a liderança do Brasileiro. 54 mil são paulinos xingaram Roger
Cosme Rímoli|Do R7

“Ei, Roger vai tomar no ...”
O coro obsceno dominou o Morumbi, ao fim do clássico.
A maioria dos 54 mil são paulinos no estádio descontaram a frustração, pela derrota diante do rival Palmeiras, por 1 a 0, em Roger Machado.
Técnico que ganhou o emprego, depois de uma inexplicada demissão de Crespo, treinador argentino que fazia o São Paulo líder do Brasileiro.
Roger, que foi escolhido por Rui Costa, completava apenas a quarta partida no comando do clube. Ganhou os dois primeiros jogos e já perdeu os dois mais recentes.
O de ontem era especial, valia a liderança do Brasileiro. A consolidação de uma aliança com os torcedores, que rejeitaram Roger desde o primeiro minuto que ele foi anunciado como treinador.
Deu tudo errado.
E não foi de forma imprevisível, longe disso.
Calleri, ao final da partida, tentou ironizar o Palmeiras. Não percebia que a ironia atingia em cheio o próprio São Paulo.
“Parabéns ao Palmeiras fez um jogo como sempre faz, faz um gol aos cinco minutos, aí joga como joga sempre, atuando na metade do campo para trás.
“A gente jogou muito mais porque não conseguiu levar perigo ao gol deles, não tem muito mais para dizer.
“Mais uma vez controlamos o jogo, não tivemos chances de gol, mas o Palmeiras jogou comos empre joga, parabéns, sempre jogam igual."

Calleri foi coerente. E o Palmeiras também. Porque há 12 clássicos não perde para o São Paulo. Só neste ano, três vitórias do lado verde.
E o atacante poderia muito bem assumir um microfone de comentarista. Resumiu bem demais o clássico de ontem.
O Palmeiras marcou 1 a 0, aos seis minutos. Em uma jogada muito bem ensaiada por Abel Ferreira. Como aconteceu diante do Botafogo, no gol de Andreas Pereira.

O treinador atrai a marcação adversário para um setor do campo, o direito. E o jogador que receber a bola na intermediária procura, do outro lado, a velocidade de Arias.
E foi o que aconteceu ontem, de maneira repetida.
Flaco López inverteu e a bola foi parar nos pés do colombiano. Ele dominou e invadiu a defesa do São Paulo desguarnecida. Driblou como quis Bobadilha e chutou forte. Rafael demorou para saltar.
Palmeiras 1 a 0.
O time de Abel Ferreira ganhou confiança e quase amplia, em duas chances desperdiçadas. A primeira com o mesmo Arias, que foi fominha, tendo Maurício livre. E a segunda com Allan, que driblou Rafael e cruzou com a cabeça baixa, se erguesse os olhos encontraria Flaco López livre e sedento.
O São Paulo só chutou a primeira bola a gol do Palmeiras, aos 39 minutos. Na partida toda foram apenas quatro finalizações do tricolor.
O motivo? Abel Ferreira leu bem demais a estratégia do rival. Ele travou Danielzinho, Marcos Antônio e Bobadilha. E até Cauly, que consegue estar pior a cada partida. Entupiu as artérias são paulinas. Não havia construção de jogadas ofensivas. Luciano e Calleri ficaram isolados.
Roger caiu na armadilha. E Lucas Ramon, Enzo Díaz e Wendel ficaram cruzando, cruzando, cruzando, cruzando e cruzando bolas da intermediária.
Tudo que conseguiram com essa monótona e irritante jogada foi consagrar a dupla Gustavo Gómez e Murilo. Além de fazer Carlos Miguel posar para os fotógrafos, saindo do alto dos seus 2 metros e seis centímetros.
Tudo o que Abel queria.
Roger Machado, abalado pelo xingamento da própria torcida são paulina e pela derrota revelava, sem pensar. Cruzar, cruzar, cruzar, cruzar tantas bolas não era o que ele queria como técnico.
“A ideia não era cruzar tantas bolas, mas, com o comportamento defensivo do Palmeiras, mudou a estratégia.
“Aliás, este jogo pareceu com a nossa derrota para o Athletico: saímos atrás no placar contra equipes com proposta de transição e que têm na defesa uma força que faz com que a partida mude de estratégia.
“A ideia inicial era atrair o Palmeiras saindo do nosso campo, saindo com Danielzinho e Bobadilla e empurrar os laterais, tendo superioridade no meio. Mas isso se dissolveu com cinco minutos e mudou nossa característica.
“Só que não foi bem executada: tivemos volume, mas não finalizamos.”
O ‘domínio’ do São Paulo foi estéril, improdutivo.
Abel Ferreira, é verdade, recuou demais o Palmeiras. Sem necessidade. O São Paulo estava tão desesperado para conseguir empatar que deixava espaço preciosos entre as intermediárias. Bastava avançar um pouco as linhas e os palmeirenses poderiam ampliar.
Abel não pôde explicar o porquê agiu desta maneira.
Por um simples, e previsível motivo.
Sim, ele foi expulso novamente.
A 14ª vez desde que chegou ao Palmeiras.
A terceira vez este ano.
Ele já não iria dar entrevistas, porque embarcou nesta madrugada para Portugal, para descansar, aproveitando a data Fifa, como havia combinado.
Outra vez sua expulsão foi infantil, por reclamar descontroladamente de uma falta em Arias, que não aconteceu.
Como já vem acontecendo nas sucessivas expulsões, e o blog repetindo, a presidente Leila Pereira não toma qualquer atitude contra Abel, mesmo batendo recordes em cartões vermelhos e amarelos. Ela o apoia em tudo e ponto final.
C


Não há a menor dúvida que, no clássico, o grande perdedor foi Roger Machado. Xingado sem dó. E já começa a ter o seu trabalho questionado. Por torcedores, imprensa e conselheiros do São Paulo, que não entenderam a opção de Rui Costa.
Roger acumulava fracos trabalhos. Estava desempregado.
“Perder nunca é bom. Busquei não lidar com o tempo sem vencer, mas lidar muito com a possibilidade de voltar para a liderança novamente. Machuca muito.
“Mas o que mais talvez machuque é que hoje a nossa casa estava muito bonita. Tinha 55 mil torcedores, que vieram, nos apoiaram, mesmo depois do gol, seguiram incentivando. Ficam chateados, e chateia a gente também", desabafava o treinador.

O Palmeiras é o líder absoluto do Brasileiro, com 16 pontos.
O São Paulo caiu para segundo.
Mas pode despencar na tabela.
Basta que Bahia vença o Remo, o Flamengo derrote o Corinthians.
Passa a ser o quarto.
Se o Coritiba golear o Athletico, pode ser quinto.
Roger Machado que reencontre o rumo das vitórias.
Seu trabalho já é realmente questionado.
A escolha como treinador do São Paulo só agradou a uma pessoa no Morumbi.
Rui Costa...
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