‘Olê, olê, ola... Neymar, Neymar.’ E vaias. Assim a torcida brasileira reagiu à derrota do Brasil diante da França. Mesmo com um jogador a mais por 41 minutos. ‘Estou satisfeito’, teve coragem de dizer Carlo Ancelotti
A vitória da França por 2 a 1 sobre o Brasil, em Boston, foi simbólica. Mostrou o desnível entre uma equipe que tem um excelente comandante há 14 anos, contra o melhor treinador do planeta, mas que só tem nove meses de trabalho. O resultado foi justo. A seleção não desperta confiança para a Copa
Cosme Rímoli|Do R7

“Quando se perde um jogo, nunca se está contente. O resultado não mostra o que fizemos bem.
“Nossa equipe competiu até o final do jogo, com algumas boas oportunidades, faltou um pouco de vigilância na saída de bola no nosso campo para evitar o contra-ataque em que eles marcaram.
“No contexto geral do jogo, estou satisfeito, porque a equipe competiu, lutou, com boas jogadas, teve boas oportunidades, bola parada, que é importante.”
Sim, a frase ‘estou satisfeito’, foi dita pelo técnico italiano, após a derrota.
Depois, como se não tivesse visto a expulsão de Upamecano, aos nove minutos do segundo tempo, Ancelotti disse que as trocas melhoraram o Brasil na segunda etapa.
Não mencionou o fato de seu time passar a contar com um atleta a mais.
“A equipe era bastante nova, com jogadores que não têm costume de jogar juntos. Faltavam muitos jogadores de defesa. Acho que a nível defensivo, Bremer e Léo jogaram muito bem. Com bola, temos que trabalhar as combinações.
“Mas, também, temos que considerar que tivemos oportunidades, sobretudo na segunda parte, quando os que entraram puseram energia no campo.”
O treinador não poderia deixar uma mensagem derrotista.
Experiente, disse o que quis, sem ser questionado.
“Acho que o jogo de hoje deixa muito claro para mim: podemos competir com as melhores equipes do mundo. Não tenho nenhuma dúvida. Olhando o jogo de hoje, jogamos contra uma equipe muito forte, de muita qualidade, competimos até o último minuto para tentar ganhar o jogo.
“Estou convencido que vamos brigar pela Copa do Mundo com toda a nossa energia...”
Vale lembrar que a França jogou sem quatro titulares, contundidos. Koundé e o atacante Barcola o zagueiro Saliba e o meia Koné.
O Brasil não teve Bruno Guimarães, Estêvão, Alisson, Alex Sandro, Gabriel Magalhães e Marquinhos.

Beira o inaceitável, nestes tempos modernos.
Ainda mais com duas seleções tradicionais, poderosas.
Como uma equipe que tem um jogador a mais, desde os nove minutos do segundo tempo, troca menos passes do que a desfalcada rival?
Foram 469 passes da França contra 453 do Brasil.
Os franceses chegaram a ter 73% de posse de bola, contra apenas 27% dos brasileiro.
Foi sob vaias e os gritos de Neymar, que Carlo Ancelotti chegou à sua terceira derrota à frente da Seleção Brasileira.
A desilusão foi grande. Os jogadores da Seleção saíram cabisbaixos, enquanto os companheiros de Mpabbé sorriam, orgulhosos.
Eles atuaram com dez atletas por 41 minutos, depois da infantil expulsão de Upamecano, zagueiro do Bayern de Munique, que chegou atrasado em uma dividida com Wesley e o derrubou. Era o último defensor francês. Foi muito bem expulso.
Estava 1 a 0 para a França. O gol foi no primeiro tempo, de Mbappé, depois de Casemiro tentar fazer um giro incompreensível. Perder a bola para Démbélé, que lançou Mbappé, dar uma ousada cavadinha, diante do desespero de Ederson.

O gol aos 31 minutos de jogo colocava justiça no placar. A França sufocou o desentrosado Brasil. A marcação pressão proporcionou várias chances de gol.
A ousadia de Ancelotti, escalando quatro jogadores ofensivos, Raphinha, Matheus Cunha, Martinelli e Vinicius Júnior, se mostrou um erro. O Brasil perdeu o meio-campo. As intermediárias eram de domínio francês, com troca de passes que dava muita inveja.
Justo no confronto mais esperado, contra a França de Deschamps, em Boston, nos Estados Unidos.
A Nike, que fornece material esportivo para os dois países, proporcionou esse confronto, a apenas 76 dias da Copa do Mundo.
A partida foi disputada no Gilette Stadium, em Boston, para 66 mil torcedores, com cerca de 80% de torcedores.
Depois do domínio completo francês na primeira etapa, veio a tola expulsão de Upamecano, a França ainda chegou ao segundo gol.
Em uma troca de passes fabulosa, aos 19 minutos, Olise, o melhor em campo, dá um passe magistral para Ekitiké, dar outra cavadinha em Ederson. 2 a 0, França.

Depois do gol, o indefectível e mais que esperado, por conta de seus inabaláveis fãs, veio o coro por Neymar.
Com um jogador a menos, a França controlava o jogo. Com as trocas para testes, dos dois lados, o Brasil se lançou à frente para tentar uma improvável reviravolta.
Faltava consciência. Vinicius Júnior estava muito marcado e individualista. Martinelli e Matheus Cunha não fizeram nada de útil. Raphinha saiu contundido. Luiz Henrique, que entrou no lugar de Raphinha, teve dez minutos de lucidez, ousadia. Mas eles logo passou e voltou a ser um dos jogadores brasileiros sem inspiração.
O gol que deixou o placar menos traumático veio de bola parada e péssima movimentação da defesa francesa. Bremer descontou. 2 a 1, aos 32 minutos.
A França recuou, preencheu os espaços de forma organizada, travou o ávido, mas pouco consciente Brasil, e conseguiu uma vitória significativa e justa.
“Eu disse isso antes da partida. Para nós, estava claro que não era um amistoso.
“Jogar contra o Brasil é uma oportunidade para qualquer seleção. Nós os respeitamos muito. E foi uma oportunidade para vermos onde estávamos, em termos de nível tático, técnico e até mesmo na intensidade de uma partida de alto nível.
“Então, é ótimo jogar partidas como essa”, disse, feliz, Mpabbé.
Ou seja, o jogo serviu para deixar os franceses ainda mais confiantes para a Copa do Mundo.
E os brasileiros?
Um pouco menos.
Mesmo se Neymar for convocado.
A dúvida é enorme se ele suportaria jogar em um ritmo intenso, como foi a partida de hoje.
Foi um choque de realidade para os brasileiros.
Só não viu quem não quis...
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Após revés para a França no amistoso em Boston, o técnico da Seleção Brasileira comentou suas impressões sobre a partida.














