O professor está ‘on’. Aos 73 anos, Luxemburgo pode ser o Alex Ferguson do Recife. É pré-candidato ao Senado por Palmas. E ainda detona executivos
16 dias após anunciar sua aposentadoria como técnico, Luxemburgo volta atrás. Não aceita ser chamado de ex-técnico. Se Severino Otávio vencer eleição no Sport, na segunda-feira, deve assumir como manager. E, quanto à política, é candidato ao senado em Tocantins

“Não quero mais ser técnico, não falei para ninguém até hoje. Estou aproveitando para falar no programa que eu larguei essa vida de técnico, não quero mais.
“Para eu voltar para o futebol, só teria uma condição: fazer o que sempre fiz como Telê Santana e como o Zagallo nos clubes onde trabalhei. Não quero ser inferior ao Diretor Executivo, que vai mandar e desmandar em mim.”
A declaração de Vanderlei Luxemburgo, que muitos encararam como definitiva, há 16 dias, na TV Bandeirantes, não foi.
Nada de aposentadoria.
16 dias depois, ele está profundamente envolvido na eleição à presidência do Sport, clube pernambucano que foi rebaixado neste Brasileiro, com campanha assustadora, na última colocação.
Pernambuco ficará sem representante no Brasileiro de 2026.
Com esta bandeira, de que um estado tão representativo no país precisa reconstruir seu futebol, Luxemburgo decidiu pelo retorno.
Desde de que o candidato Severino Otávio, Branquinho, vença a eleição do Sport, marcada para segunda-feira.
Branquinho tem dado entrevistas deixando claro que, se eleito, pode ter Eduardo Baptista como treinador e Vanderlei Luxemburgo como manager, como a pessoa responsável pela montagem do elenco.
Ou até Luxemburgo como técnico e manager.
O técnico fez questão de deixar tudo às claras, ontem em Pernambuco.
“Eu só voltaria em uma condição de ser aquilo o que sempre fomos, o responsável pelo futebol. Assim como eu fui, o Felipão, Telê Santana, Alex Ferguson, que é o cara que estrutura o futebol e está acima do comando.”
Alex Ferguson foi técnico e manager do Manchester United. Telê Santana teve poder absoluto no futebol do São Paulo, bicampeão mundial.
E foi direto em relação aos executivos.
“Chegaram os diretores executivos e passaram muita gente. Saíram de gerentes e supervisores, criaram uma associação e passaram por cima do treinador, como se eles comandassem a comissão técnica.”
“O Rodrigo Caetano esteve no Flamengo, comandou a comissão técnica e trocou de treinador nove vezes. Só eu fui trocado duas vezes. Onde ele estava como diretor executivo?
“O Alexandre Mattos faz a mesma coisa. Eles entraram no mercado e ficou difícil. Depreciaram os treinadores brasileiros e começaram a trazer estrangeiros.”

Ele confirmou que teve convite do Santa Cruz para voltar como treinador e disse ‘não’.
Quanto ao Sport, a situação é outra.
Vanderlei já foi treinador do clube, em 2017.
Há três dias, declarou, em vídeo, seu apoio a Branquinho.
Seguindo o seu estilo, disse que o Sport precisa voltar a pensar grande, ter ambição nacional, deixar de ser regional.
Ele virou o maior trunfo de Branquinho, que enfrenta o favorito Paulo Bivar e Matheus Souto Maior.
A eleição é para o mandato tampão de um ano, até o final de 2026, já que o presidente Yuri Romão renunciou oficialmente ontem, depois do rebaixamento do clube. Romão sofreu inúmeras críticas e até ameaças de membros de organizadas do Sport.
A eleição é na próxima segunda-feira e Luxemburgo está em campanha.
Aliás, não quer apenas influenciar na política do Sport.
Quer realizar seu antigo sonho e se tornar senador da República.
Ele já seria candidato ao senado em 2022, por Tocantins, pelo PSB. Mas, na última hora, o partido escolheu Carlos Amascha como candidato.
A reação de Luxemburgo foi de revolta.
“Num primeiro momento, ao ser apunhalado pelas costas, ameacei processar o partido. Vocês sabem como é ter um sonho roubado das mãos?
“Mas, a essa altura, não vou atropelar a candidatura de companheiros com quem firmei compromissos e que já têm trabalho desenvolvido. Eu desejo aos companheiros do PSB o melhor: que mantenham os ideais de trabalhar pelo povo do Tocantins.”
Ele seguiu trabalhando politicamente em Palmas.
Entrou em outro partido, o Podemos.
E lançou no mês passado sua pré-candidatura, novamente ao senado, por Palmas.
Desta vez com o apoio público da presidente do partido, Renata Abreu.
Sim, ele pode acumular a função de manager e candidato a senador em 2026.
Basta que Eduardo Baptista seja o técnico.
Mas de qualquer maneira, o ‘professor’ está revigorado.
Comentarista, ensaiando a volta ao futebol e querendo mergulhar ‘de cabeça’ na política.
Aos 73 anos, ele renasceu.
Ou ‘está on’, como diz aos jornalistas pernambucanos...













