O pior jogo de Filipe Luís comandando o Flamengo. Foi surpreendido pela intensidade do Táchira. Juninho, e sorte, deram a vitória na Venezuela
O Flamengo conseguiu acabar com um tabu de dois anos e meio. Voltou a vencer na Libertadores fora de casa. Mas jogou mal, travado, lento, pela marcação forte e alta nas intermediárias. Juninho marcou, mas time de Filipe Luís tomou sufoco. Vitória injusta

Filipe Luís não seguiu o caminho normal dos treinadores no Brasil.
Não quis criar um mundo paralelo, multiverso, contrariando o que se viu no gramado.
Não negou a obviedade.
O Flamengo foi decepcionante contra o Deportivo Táchira.
A vitória por 1 a 0, gol de Juninho, foi injusta, mentirosa.
Acabou com um tabu de dois anos e meio sem vitórias rubro-negras fora do Brasil, na Libertadores.
Mas o futebol do melhor elenco do país deixou muito a desejar.
Arrascaeta, Gerson, Wesley e Plata fizeram falta.
Faltou coordenação, ousadia, visão de jogo, autoridade.
A marcação 5-4-1 dos venezuelanos atingiu seu objetivo.
Deixou a partida lenta, arrastada, com o Flamengo tendo a posse de bola, mas sem efetividade.
Filipe Luís foi sincero, como os treinadores não costumam ser.
“Reconheço que não foi nosso melhor jogo, não estávamos refinados. O adversário nos colocou em dificuldade. Sempre penso que quando não estamos bem temos que competir. Nem sempre vamos estar bem. O adversário esteve bem. Nos surpreenderam com a mudança de sistema, não estavam jogando com uma linha de cinco, e isso me gerou surpresa.”
Pulgar e De La Cruz não tinham liberdade para sair trocando passes, buscar os quatros jogadores ofensivos que o Flamengo tinha na frente. Michael, Luiz Araújo, Bruno Henrique e Everton Cebolinha.
O esquema otimista, 4-2-4, foi o responsável pela pior atuação do clube sob o comando de Filipe Luís.
A bola era travada no terço final de jogo, no sistema defensivo venezuelano.
“Acho que foi um jogo difícil porque vieram numa linha de cinco defensores, abaixaram o bloco de marcação e tínhamos dificuldade de entrar. Estávamos lentos e não conseguíamos encontrar os espaços. Nos momentos que tivemos espaços nós erramos muito, isso deu a possibilidade do adversário ter a bola. Fiz uma mudança que deixou o time mais confortável. Não tínhamos dificuldade na saída de bola, mas sim para progredir até a área do adversário. Nesses dias ruins temos que saber competir para tentar vencer.”

Filipe Luís lamentava porque os laterais Varela e Ayrton Lucas foram mal.
Vigiados e em noite pouco inspiradas, sofriam porque Michael e Everton Cebolinha travavam os corredores laterais. Abertos, obrigavam os companheiros a ‘cortarem’ para o meio, embolando ainda mais o jogo.
A intenção de Édgar Pérez Greco era travar a partida, buscar o 0 a 0.
O jogo se arrastava para isso, moroso, até que Everton Cebolinha evitou que uma bola saísse pela linha de fundo. Cruzou. Bruno Henrique desviou e Juninho, que havia acabado de entrar, marcou, aos 12 minutos do segundo tempo.
Presente dos deuses para o Flamengo.
Lance que incomodou profundamente os venezuelanos.
Mesmo sem talento, eles mudaram a maneira de atuar.
Foram para o ataque, adiantaram suas linhas.
E criaram muitos problemas para o Flamengo.
Não empataram, por sorte. Balza teve duas grandes chances.
A última, aos 45 minutos do segundo tempo, acertou a trave direita de Rossi e saiu.
Filipe Luís não resistiu.
E com razão destacou a logística absurda que os clubes brasileiros enfrentam quando vão jogar contra o Táchira.
Foi cobrado pelo elenco caro que tem nas mãos.
Mas que não rendeu ontem.
“Sabia que seria um jogo difícil.
“Saímos do Rio às dez horas e chegamos 23 horas na Venezuela. Temos um time mais caro, sim, mas em campo são 11 contra 11. Sabíamos que ia ser um jogo difícil, na casa do adversário, eles têm um plano claro de jogo. Meus zagueiros fizeram um jogo esplêndidos e foram cruciais para não tomarmos gols. Na Libertadores nunca é fácil, temos que valorizar muito essa vitória.”
São três pontos conquistados fora de casa.
Fim de incômodo tabu de dois anos e meio.
Mas foi o pior jogo desde que Filipe Luís assumiu no lugar de Tite.
Só que seu trabalho segue sendo muito melhor do que o ex-treinador da Seleção.
Tem crédito.
E que o sufoco contra os venezuelanos sirva de lição.
4-2-4 foi um esquema importante e com resultados na década de 70.
Não adianta ser utópico.
Dois jogadores no meio-campo são incapazes de produzir, marcar, ditar o ritmo do jogo.
Sem intermediárias preenchidas, qualquer time sofre.
E ontem o Flamengo sofreu por um erro importante na distribuição tática da equipe.
Não se menospreza adversário nenhum em 2025...