Cosme Rímoli O jogo mais importante da vida. Do teimoso técnico Rogério Ceni

O jogo mais importante da vida. Do teimoso técnico Rogério Ceni

Não haverá meio termo. Ou o contestado treinador consegue vencer o Inter e 'domar' a Gávea. Ou estará na alça de mira dos dirigentes flamenguistas

  • Cosme Rímoli | Do R7

Será 'tudo ou nada' para Rogério Ceni, domingo no Maracanã, contra o Inter

Será 'tudo ou nada' para Rogério Ceni, domingo no Maracanã, contra o Inter

André Borges/Estadão Conteúdo - 21/1/2021

São Paulo, Brasil

Foram apenas 20 jogos.

Uma gangorra o aproveitamento do time.

Dez vitórias, cinco derrotas e cinco empates.

Eliminações da Libertadores e da Copa do Brasil.

Mas a duas vitórias da conquista do Brasileiro.

Rogério Ceni tinha o São Paulo nas mãos.

Mas escolheu o Flamengo.

Para amadurecer como treinador.

Leia mais: Flamengo x Inter: confira as contas de cada time em busca do título

E se preparar para seu outro sonho.

Comandar a Seleção Brasileira.

Mas por enquanto, ele tem de provar que merece seguir na Gávea.

Por mais que o time tenha dado uma arrancada nesta fase final do Brasileiro, a desconfiança sobre seu trabalho segue enorme.

A comparação ao que fez Jorge Jesus segue firme.

Ele não consegue unir eficiência a um futebol ofensivo e efetivo.

E coleciona brigas bobas e perigosas, como a com Gabigol, principal ídolo do clube.

A insistência em tirá-lo dos jogos segue sem agradar ninguém e nem melhorar o time.

A sua aposta em Arão como zagueiro para que Diego Ribas jogue no meio-campo segue como Rogério Ceni é: teimosa.

O volante improvisado tem potencial para saída de bola, mas defende mal. Sacrifica, enerva e leva insegurança a Rodrigo Caio.

A movimentação de Arrascaeta e de Everton Ribeiro é muito menor do que o time precisa. E ambos estão tendo menos apoio de Islas e de Filipe Luís do que precisam.

O espaço de Bruno Henrique está mais limitado. Com liberdade para flutuar, ele rende muito mais, do que um mero ponta esquerda velocista.

Se Gerson tem um jogador mais talentoso para trocar passes, ditar o ritmo de jogo, que é Diego Ribas, na marcação, ele fica sobrecarregado.

Gabigol segue enfiado demais entre os zagueiros, de costas para o gol, onde rende menos.

As escolhas de Rogério Ceni são questionadas diariamente pela cúpula do Flamengo.

O time pode até ser campeão brasileiro.

Mas muitos dirigentes credenciam ao talento do milionário elenco, essa possibilidade.

A instabilidade se refete nos gols, nestas 20 partidas com Ceni.

São 35 gols marcados. E 23 sofridos.

Aí está o efeito gangorra.

Ceni já colocou em campo nada menos do que 30 jogadores.

Ou seja, ele segue trocando demais a equipe, algo que Jesus não fazia.

E que desagrada o time titular.

Gabigol, sacrificado pelo treinador, em 15 partidas que atuou, marcou dez gols e deu duas assistências.

Ceni só fez Pedro começar três jogos.

O técnico segue só colocando os dois artilheiros em último caso, o que irrita demais torcedores, imprensa e dirigentes.

O vice Marcos Braz se colocou duas vezes à frente do treinador, quando conselheiros, que sustentam politicamente Rodolfo Landim na presidência, queriam a demissão.

Ele já avisou que se Ceni 'pular de um avião sem paraquedas, que oferece proteção'. Disse ao comentarista PVC.

Porque o fracasso de Rogério seria o do próprio dirigente, que impôs o então treinador do Fortaleza na vaga de Domènec Torrent.

O maior ídolo da história do São Paulo é inteligente.

Sabe que seu cenário não é confortável na Gávea.

Ele precisa ser campeão brasileiro para poder impor suas ideias sem questionamento.

Por isso está obcecado.

Quer vencer de qualquer maneira o Internacional, domingo.

Tirar a liderança do clube gaúcho.

E conquistar o título no Morumbi, contra o São Paulo, daqui oito dias.

Por isso enfrentará o guerreiro time de Abel Braga com suas convicções.

Com sua teimosia.

Encara como o jogo mais importante de sua carreira, até agora.

Ele ganhou o Brasileiro da Segunda Divisão, dois Cearenses e uma Copa do Nordeste.

Precisa conquistar o Brasileiro da Série A, para se impor na Gávea.

E ter o comando, de verdade, do clube mais popular do país.

Para seguir na luta para o seu sonho.

Se tornar o melhor treinador do país.

Aos 48 anos, chegou a hora da definição.

No Maracanã, domingo.

Uma vitória significará tomar a liderança a uma rodada do final.

A derrota, assistir o Inter ser campeão do país.

O empate, deixar tudo nas mãos dos gaúchos, contra o enfraquecido Corinthians.

Domingo, para Ceni é simples.

Tudo ou nada...

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