O descontrolado, e sem rumo, Carille não será demitido. Ainda...
A derrota para o Cruzeiro, no Itaquerão, fez o Corinthians, chegar a cinco jogos sem vitória. Andrés evita a demissão de Carille. Até o final do Brasileiro
Cosme Rímoli|Do R7 e Cosme Rímoli

São Paulo, Brasil
O resumo da crise no Corinthians é simples.
A maioria da diretoria quer a saída de Carille.
Principalmente depois da derrota desta noite para o Cruzeiro.
O clube tomou a virada por 2 a 1, em pleno Itaquerão.
Descontrolado, o técnico foi expulso, depois do segundo gol do time mineiro, deixando a equipe sem comando.
O clube chegou a cinco partidas sem vitórias.
Pode perder amanhã a quarta colocação, cair para sexto, se Internacional e São Paulo vencerem dois adversários fracos: o Vasco e o Avaí. As duas equipes jogam em casa.
A maioria dos dirigentes corintianos entende que Carille não consegue fazer o time jogar. Seus comandos não têm o mesmo impacto que antes. E que ele está completamente perdido, engolido pela primeira crise na curta carreira.
Andrés Sanchez, no entanto, fez questão de mandar o diretor Duílio Monteiro Alves avisar a imprensa que o treinador não será demitido. Não agora, faltando apenas 11 partidas para o Brasileiro acabar para o Corinthians.
Carille será avaliado ao final do campeonato.
A análise será seca, direta.
O clube tem de estar classificado para a fase de grupos da Libertadores de 2020. Ou seja, terminar entre os quatro primeiros colocados.
Se não conseguir, aí sim, a demissão tem tudo para acontecer.
Há dois fantasmas rondando o Parque São Jorge.
O primeiro nome mais comentado é o de Tiago Nunes, do Athletico Paranaense.
O segundo, muito próximo de Andrés, é Sylvinho, ex-auxiliar de Tite na Seleção e que foi demitido do Lyon.
"O Corinthians não vai trocar de treinador, o Fábio tem contrato até o fim do ano que vem.
"A gente sabe que o momento não é bom, não é normal eu vir aqui, mas vim aqui dizer que não existe a possibilidade. Não existe conversa com outro treinador, nada, por isso eu vim (dar entrevista")", declarou Duílio, atendendo a ordem de Andrés Sanchez.
Ele não mentiu.
Carille não será demitido.
O treinador estava bem mais humilde nesta coletiva, do que nos últimos tempos.
Ele admitia viver a primeira crise como treinador.
"Como técnico é sim (a primeira crise), mas em 11 anos de Corinthians não. Já vi tudo. Os oito anos como auxiliar foram uma faculdade, mais do que isso, o dia a dia e a realidade.
"Faz a gente trabalhar mais ainda, rever algumas coisas, dar apoio ao grupo. O principal aprendizado que tive foi naquela derrota do Tolima, o Andrés bancou o Tite naquele período e depois fomos muito vitoriosos.
"Sei que trabalho muito, meu grupo trabalha demais", insistia.
Carille pediu publicamente o apoio do presidente corintiano, com quem não se dá bem.
E ele inverteu seu discurso.
Na semana passada havia confidenciado que o Corinthians não merecia estar em quarto no Brasileiro.
E hoje, depois da derrota para um clube tumultado, que estava na zona do rebaixamento, foi pelo caminho contrário. Valorizou o Corinthians estar nas primeiras colocações.
"Mesmo com tantas dificuldades, ainda estamos na parte de cima. Se melhorar, vamos continuar em cima e conseguir nosso objetivo", dizia, se referindo à Libertadores.

A verdade é que o Corinthians outra vez foi instável diante do Cruzeiro. O time começou bem, pressionando o time mineiro, envelhecido, sem intensidade e que só buscava se defender.
O time de Carille conseguiu sair na frente. Vital cruzou, buscando Gustavo, Fabrício Bruno cortou mal. A bola sobrou para Fagner bater de primeira e marcar 1 a 0, aos 33 minutos.
Só que dois minutos depois, Marquinhos Gabriel cabeceou e Bruno Mendéz cortou com o braço. Pênalti que Fred não desperdiçou.
A virada veio no segundo tempo, aos 25 minutos. Em uma dividida entre Marquinhos Gabriel e Fagner, o lateral corintiano chutou a bola para trás e encontrou Ederson livre.
O auxiliar Luiz Claudio Regazone teve uma atitude absurda. Primeiro, levantou a bandeira, depois mandou o lance seguir. E o cruzeirense driblou Walter e marcou o segundo gol cruzeirense.
O gol foi legal, apesar do erro de Regazone.
Carille ficou descontrolado. E perdeu toda a razão ao gesticular, cobrar, gritar com o árbitro Bruno Arleu de Araujo. Foi expulso. E prejudicou psicologicamente seu time, que já não jogava bem.
O time até tentou o empate, mas de maneira desordenada, tensa, improdutiva.
O Cruzeiro de Abel Braga, trancado na defesa, conseguiu segurar o resultado importantíssimo.

Foi a primeira derrota do Corinthians no Brasileiro.
Os torcedores não perdoaram.
Vaiaram, xingaram.
Cobraram principalmente Carille.
Suspenso, não estará no banco contra o Santos, no próximo sábado, no Itaquerão.
A situação para o treinador é muito ruim.
Mas Andrés não quer demitir o técnico.
Não, até pelo menos o Brasileiro acabar.
Depois, a conversa pode ser outra...















