Judas! Judas! Judas! Arias responde ao coro da torcida do Fluminense. ‘As pessoas têm amnésia.’ Palmeiras celebra vitória, apesar da falha de Carlos Miguel
Com três zagueiros e três volantes, Abel Ferreira montou o time para travar o Fluminense. E buscar os contragolpes velozes no Maracanã. Deu certo. Vitória na primeira partida da semifinal da Libertadores. A vantagem era excelente, 2 a 0. Até sofrer o gol de cabeça, de Wesley Natã, de apenas 1m69, aos 49 minutos do segundo tempo. O goleiro do Palmeiras, de 2m04, errou o tempo da bola. Time de Abel só precisa empatar, na próxima semana, no Nubank Parque. E chegar à oitava decisão da Libertadores

São Paulo, Brasil
Abel Ferreira foi pragmático.
O objetivo era encaminhar a final da Libertadores.
Mesmo com um elenco muito mais forte do que o do Fluminense, o português não quis arriscar.
Colocou o Palmeiras para atuar com três zagueiros e três volantes, no Maracanã.
Sua intenção atingiu em cheio a empolgação da equipe comandada por Marcão.
E explorar os contragolpes.
Simples, direto.
Não correndo risco algum de ser derrotado.
Calculista ao extremo.
Mesmo com um público de mais de 69 mil pessoas, o Fluminense de Marcão pouco conseguiu contra o rígido esquema.
O Palmeiras venceu por 2 a 1, gols de Flaco López e Marlon Freitas. Adivinhe: em dois contragolpes, diante da desarmada e lenta defesa do time carioca.
A vantagem seria de dois gols se Carlos Miguel não falhasse, aos 49 minutos do segundo tempo. Ele calculou muito mal um cruzamento de Guga que chegou até a cabeçada de Wesley Natã, baixinho de 1m69, que descontou.
E deu sobrevida, esperança para o Fluminense tentar reverter o caminho da eliminação, no segundo jogo, no Nubank Parque.
“O propósito era defender bem, transitarmos com qualidade, ter um bocadinho de bola e Flaco estar lá, mais agudo, mais na frente. Foi competente nesse momento.
“Sofremos um gol em cima da hora, mas estamos em meio de uma eliminatória, e contra uma equipe que joga bem no interior, então queríamos principalmente fechar linhas. Acho que, nesse quesito, acabamos por ser bem-sucedidos; faltou um bocadinho mais de critério com bola.
“As quatro ou cinco vezes que acabamos por sair fomos muito pragmáticos.”
O resumo foi bem feito por Vitor Castanheira, auxiliar de Abel, que comandou o time no Maracanã. O técnico estava, novamente, suspenso, como já virou rotina no Palmeiras.
O Palmeiras conseguiu travar o ritmo de jogo. Nada de trocas de bola na intermediária, tabelas letais, que o Fluminense costuma fazer, ainda mais com Ganso e Hulk como titulares.
Mas o jogador que mais chamou a atenção na partida foi Arias.
A torcida do Fluminense, seu ex-clube, não só o vaiou.
O coro de ‘Judas... Judas... Judas...’, dirigido pelos torcedores tricolores a ele, foi constante.
Arias teve um papel importante na partida.
Ele não foi o atacante velocista, driblador.
Mas discreto e muito útil ao Palmeiras.
Entrou em campo primeiro para marcar Guilherme Arana e conseguiu.
Ao final da partida, Arias, que ganhou quatro títulos com o Fluminense, mostrou sua mágoa por ter sido chamado de Judas.
“Acho que as pessoas têm amnésia. Eu sou um cara que venceu por esse clube, estou na história e isso é uma coisa que ninguém pode apagar. Hoje eu defendo outra instituição, na qual estou muito feliz.”
O Palmeiras está a apenas um empate para chegar à sua oitava decisão de Libertadores da América.
Abel deve poupar alguns jogadores para a importante partida, pelo Brasileiro, contra o Athletico Paranaense, no sábado.
Embora o português queira vencer a Copa do Brasil e o Brasileiro, a prioridade é a Libertadores...















