Cosme Rímoli Grêmio não escapou da dependência de Felipão. Medo do rebaixamento

Grêmio não escapou da dependência de Felipão. Medo do rebaixamento

A direção do Grêmio ameaçou apostar em Thiago Gomes, do sub-21. Mas, na lanterna do Brasileiro, o medo da Série B prevaleceu

  • Cosme Rímoli | Do R7

Felipão, 72 anos. Pela quarta vez volta ao Grêmio. O técnico mais velho do Brasileiro

Felipão, 72 anos. Pela quarta vez volta ao Grêmio. O técnico mais velho do Brasileiro

Lucas Uebel/Grêmio

São Paulo, Brasil

A direção do Grêmio bem que tentou.

Quis acreditar que poderia dar um passo em direção a sair da dependência, do revezamento absurdo entre Felipão e Renato Gaúcho.

Mas só durou 24 horas a decisão de apostar em Thiago Gomes, treinador do sub-21, como treinador interino. Com chance de ser efetivado, como era desejo dos jogadores.

O presidente Romildo Bolzan repensou, analisou ser muita responsabilidade colocar Gomes, de apenas 37 anos, no comando do elenco, que está na lanterna, na última colocação do Brasileiro. E que estava jogando pessimamente nas mãos de Tiago Nunes.

Resultado, Bolzan decidiu procurar seu amigo e procurador de Felipão, Jorge Machado. E ofereceu a ele um contrato até dezembro de 2022. Não quis saber da opinião dos jogadores. O dirigente gremista que ficou certo rancor dos veteranos que trabalharam com Felipão, em 2015. O treinador saiu falando que o time precisava de reforços, repassou a culpa dos fracassos aos atletas.

Bolzan tinha o que mais interessava. Se na segunda-feira não havia convencido os integrantes do Conselho de Administração, ontem, ele foi mais veemente. E alertou da necessidade de ter um treinador com o comando absoluto dos vestiários e com experiência para administrar crises. No ano passado, ele salvou o Cruzeiro da queda para a Série C. O clube mineiro estava na penúltima colocação.

Luiz Felipe Scolari fará 73 anos em novembro. Ele foi sondado para assumir a Seleção Paraguaia. Mas queria voltar a trabalhar no Brasil. De preferência no Grêmio, onde já trabalhou por três vezes.

Felipão montou um excelente time na década 90. Campeão da Libertadores em 1995

Felipão montou um excelente time na década 90. Campeão da Libertadores em 1995

Reprodução/Grêmio

Foi o clube que ofereceu guarida, quando deixou a Seleção Brasileira, depois de vexame inesquecível na Copa do Mundo de 2014, o 7 a 1 para a Alemanha.

Felipão estava com viagem marcada para Portugal, onde mora seu filho. Iria ontem. Mas Jorge Machado disse para não ir que tudo estava fechado com o Grêmio, como ele queria.

Scolari já tem a vida mais do que resolvida financeiramente.

Ele buscava a chance de um último grande trabalho.

E no clube que assume ser do 'coração'.

O Grêmio assume a dependência, que até pensou em se livrar.

Nesse momento turbulento, a direção só ofereceria o clube a dois técnicos do planeta.

Como ficaria constrangedor trazer de volta Renato Gaúcho, a quem facilitou a saída há três meses, foi buscar para a 'casamata', como dizem os gaúchos, se referindo ao banco de reservas, Luiz Felipe Scolari.

Pouco importa se suas convicções táticas sejam da primeira década do século.

O que interessa é o lado psicológico, a vibração com que monta seus times.

E, principalmente, convencer os jogadores que formam uma 'família'.

Situação batida, conhecida, desgastada.

Mas que o Grêmio acredita.

Felipão tem o apoio de conselheiros que eram da ala do falecido Fabio Koff

Felipão tem o apoio de conselheiros que eram da ala do falecido Fabio Koff

Lucas Uebel/Grêmio

Tiago Nunes fez os dirigentes virarem as costas à modernidade.

E será a chance de Scolari passar Renato Gaúcho, como técnico que mais treinou o Grêmio.

O maior ídolo do clube comandou o time tricolor por 411 vezes.

Luiz Felipe, 370.

E Felipão não é um técnico barato.

Mas sairá mais em conta do que o rebaixamento à Série B.

Ele deverá assumir o time no Grenal, no sábado...

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