Cosme Rímoli Globo encurralada. Vai ceder para os rebeldes Palmeiras, Bahia e Atlético

Globo encurralada. Vai ceder para os rebeldes Palmeiras, Bahia e Atlético

O Palmeiras é o grande líder contra a Globo. Não aceita passar pelo mesmo vexame do Santos. Receber menos por ter assinado com o Esporte Interativo

  • Cosme Rímoli | Do R7

Globo terá de ceder aos rebeldes, liderados pelo Palmeiras

Globo terá de ceder aos rebeldes, liderados pelo Palmeiras

Divulgação/Globo

A Globo não vê outra saída.

Vai ter de ceder.

Para garantir ter a certeza que mostrará os jogos decisivos dos Brasileiros, de 2019, 2020, 2021, 2022 e 2024, os executivos terão de rever o castigo que haviam decidido.

Pagar 20% a menos pela transmissão pela tevê aberta e 5,2% aos clubes que ousaram assinar com o Esporte Interativo.

A emissora carioca não esperava uma reação tão forte. Principalmente depois de ter dobrado a diretoria santista que, com R$ 420 milhões em dívidas, aceitou passar pela humilhação de receber a menos que os demais clubes 'fiéis' à Globo.

Só que a Globo não dobrou três rebeldes.

Palmeiras, Bahia e Atlético Paranaense.

A rebeldia é comandanda pelo presidente Mauricio Galiotte. Seu grande escudo está no balanço de 2017. Ele aponta uma receita impressionante em 2017. R$ 531.112.060,65. Tem o escudo financeiro da Crefisa, da Adidas, até dezembro, e depois, a partir de 2019, da Puma. Além do plano de sócio torcedor.

Assim foi a divisão dos ganhos dos clube em 2017. Direitos de transmissão (28%), patrocínio (24%), bilheteria (18%), venda de atletas (8%), programa de sócio-torcedor (10%), clube social (7%) e outros (5% - sendo 1% de licenciamento).

Para Galiotte ou a Globo paga a mesma cota combinada com os outros grandes clubes do país, divisão em 40% igualitária, 30% por exibição e 30% por posição no campeonato. Ou isso, ou nada. As direções do Atlético Paranaense e do Bahia prometem seguir o que a diretoria palmeirense adotar.

Seria caótico para a Globo. A emissora não transmitiria nenhuma partida que envolvessem Palmeiras, Atlético Paranaense e Bahia. O medo maior é do potencial financeiro palmeirense. Campeão do Brasileiro de 2016. E vice de 2017.

O presidente da Federação Paulista de Futebol, Reinaldo Carneiro Bastos, era uma das pessoas que tentavam aproximar a Globo de Galiotte. Só que com o rompimento entre Palmeiras e FPF, depois da final do Paulista de 2018, Carneiro Bastos se afastou das negociações.

A situação é séria.

Tanto que o Palmeiras já vem trocando ideias com as direções do Atlético Paranaense e do Bahia. Estudam até a possibilidade de montar equipes de transmissão esportivas. E mostrarem seus jogos em canais do youtube.

Galiotte lidera a rebeldia contra a Globo. Não cedeu ao castigo da emissora carioca

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Agência Palmeiras

O Esporte Interativo coloca mais lenha na fogueira. E lembra que os clubes que não entrarem em acordo com a Globo, terão direito a uma compensação financeira por não ter seus jogos mostrados na tevê aberta.

Seriam R$ 18 milhões a cada clube que não se submeter à emissora carioca.

A Globo está encurralada.

Esperava que os clubes fossem ceder, como o Santos.

Seus executivos já estudam voltar atrás.

E engolir em seco a preferência do trio pelo Esporte Interativo.

Aliás, quem assinou com o canal de esporte da Turner ganhou mais dinheiro na guerra pelos canais a cabo. São R$ 520 milhões. 50% divididos igualitariamente entre as equipes. 25% de acordo com a classificação no Brasileiro. E outros 25% pelo número de partidas transmitidas.

A Globo (via Sportv) oferece a divisão igualitária dos R$ 500 milhões.

Lembrando que o pagamento das duas emissoras é pelo período de 2019 a 2024.

A divisão no canal a cabo rachou o futebol brasileiro. Com Globo (Sportv) estão Corinthians, Santos, Ponte Preta e São Paulo, Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo, Cruzeiro, Atlético-MG e América-MG, Grêmio, Internacional e Brasil de Pelotas, Paraná Clube e Londrina, Chapecoense, Avaí e Figueirense, Vila Nova, Goiás e Atlético-GO, Vitória, Santa Cruz, Sport e Náutico, Ceará e CRB.

Com o Esporte Interativo estão: Palmeiras, Internacional, Santos, Paraná Clube, Atlético PR, Bahia, Ceará, Coritiba, Criciúma, Figueirense, Fortaleza, Paysandu e Ponte Preta.

O artigo 42 da Lei Pelé é claro,direto. Determina que os direitos de transmissão dos jogos pertencem aos dois times envolvidos.

Se os rebeldes Palmeiras, Atlético Paranaense e Bahia seguirem não aceitando o castido do desconto de 20% imposto pela Globo, seriam 108 partidas a menos dos 380 jogos na tevê e também no pay-per-view, que o trio também não assinou.

Um caos.

Petraglia, comandante do Atlético Paranaense, é um velho opositor à Globo

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Atlético Paranaense

Já não está fácil para a emissora seguir encontrando patrocinadores dispostos a gastarem mais de R$ 1,5 bilhão para bancar o futebol. Os inúmeros casos de corrupção, a overdose de jogos, o péssimo nível dos times, os casos de corrupção na cúpula da CBF, a violência das organizadas. Tudo isso fez com que a audiência no futebol na tevê aberta tenha caído 22% nos últimos dez anos.

Se a emissora perder 108 partidas no Brasileiro, jogos com o clube de maior investimento no futebol da América Latina, tudo pode ficar ainda muito pior. Com a emissora sem poder, por exemplo, mostrar as partidas decisivas do campeonato.

Por isso, a Globo está a um passo da derrota.

O trio rebelde, liderado pelo Palmeiras, deverá receber o que deseja.

Ficar livre do castigo a que o Santos se submeteu, por necessidade.

Ganhar 20% ao menos por ter ousado assinar pelo Esporte Interativo.

A queda de braço está sendo ganha pelos clubes.

Palmeiras, Atlético Paranaense e Bahia enfrentaram sem medo a Globo.

E estão perto de uma vitória histórica.

Que só não é maior do que a do Esporte Interativo.

O império global não é o mesmo.

Desfrutrou do monopólio do futebol desde a Ditadura Militar.

Mas a partir de 2019, o privilégio acabou.

Já teve de repartir o Brasileiro com a bilionária Turner.

Agora, suportará a maior desfeita já feita pelos clubes brasileiros.

O perdão da multa de 20% para os rebeldes.

Algo que executivos globais juravam que não fariam.

Os tempos realmente mudaram...

Globo: medo de ficar sem mostrar jogos decisivos dos Brasileiros

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