Globo cobra CBF. Exige o fim da lentidão do VAR

Cúpula da emissora se irritou. Foram dez minutos com dois lances de Santos e Flamengo. Comissão de Arbitragem jura: situação não se repetirá

VAR destroçado. Chutado por Gatito, após a derrota do Botafogo para o Inter

VAR destroçado. Chutado por Gatito, após a derrota do Botafogo para o Inter

Ricardo Moraes/Reuters - 29.08.2020

São Paulo, Brasil

Rodam pelo mundo as imagens do goleiro do Botafogo, Gatito, chutando o VAR, após a derrota do Botafogo para o Internacional, no sábado.

Os árbitros de vídeo no Brasil estão conseguindo desmoralizar o VAR.

As principais reclamações são as demoras excessivas, inexplicáveis, já que o método de análise é igual no mundo todo.

Para piorar as coisas, por aqui, os árbitros estão repassando decisões que seriam suas no gramado, para o vídeo.

A cúpula da Globo já estava incomodada com a situação. As reclamações já eram muitas.

O chute de Gatito na aparelhagem, que deverá custar seis jogos de suspensão, foi um alerta.

Mas a gota d'água foi ontem.

Na partida entre Santos e Flamengo.

Foram quase dez minutos para duas análises do VAR sobre dois gols ilegais do Santos.

A partida estava sendo mostrada para quase todo o Brasil, pela emissora carioca.

Com exceção de Pernambuco, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.

O vexame comandado pelo árbitro Wilton Pereira Sampaio, esperando, pateticamente, a decisão do VAR não passou em branco.

E teve consequências, além da invasão do gramado por parte dos dirigentes do Santos, Pedro Doria e Matheus Rodrigues, membros do Comitê de Gestão do Peixe, e Jorge Andrade, gerente de futebol.

"Tiraram dois gols nossos." "O VAR está tomando conta dessa merda."" Eles querem mandar no jogo." Foram frases que o árbitro relatou que ter ouvido, aos gritos.

Os executivos ligados ao Esporte da Globo ficaram irritadíssimos. Porque o atraso de dez minutos atingiu a transmissão. Atrapalhou a programação da Globo. Foram minutos tirados do programa do Faustão.

A entrevista de Diego Alves, como melhor do jogo, foi apressada, tosca.

Não foi ouvido nenhum jogador do Santos.

O encerramento corrido, por parte de Cleber Machado.

As inúmeras declarações de Cuca, tirando a credibilidade do VAR, do jogo, atingiram em cheio tudo o que a emissora não quer.

Até por conta de seus patrocinadores no futebol, Ambev, Casas Bahia, Chevrolet, Hypera Pharma, Itaú e Vivo. Elas comprometeram R$ 1,8 bilhão pelo patrocínio em 2020.

A irritação da cúpula global foi repassada à CBF.

E a entidade tratou de cobrar a Comissão de Arbitragem.

O presidente e ex-árbitro, Leonardo Gaciba, que foi comentarista da Globo, agiu.
Já avisou aos juízes de vídeo que não tolerará a repetição do que aconteceu na Vila Belmiro.

Quer decisões rápidas e certeiras.

Os que seguirem demorando, serão cortados.

E também quer mais atitudes dos árbitros no gramado.

Pararem de repassarem todos os lances duvidosos ao VAR.

Essas são as situações que a FIFA recomenda o uso do árbitro de vídeo.

Lances de penalidades (foi ou não pênalti, dentro ou fora; na cobrança ocorreu infração, a bola entrou ou não); quando um gol for marcado (houve algum tipo de infração – impedimento, falta; a bola entrou ou não); identificação equivocada de um jogador em caso de cartão amarelo ou vermelho; e jogada fora do lance. ou não, que exija cartão vermelho.

Só.

A CBF já avisou a emissora que não se repetirá o que aconteceu na Vila Belmiro.

E que também dará uma punição exemplar a Gatito.

Quer respeito ao VAR.

Não há a menor possibilidade de a entidade voltar atrás.

E não passar a usar o árbitro de vídeo.

Como até sugeriram alguns presidentes de federações.

Os analistas do VAR terão de se aprimorar.

Na marra.

Ou perderão seus empregos.

Não serão mais escalados...

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