Cosme Rímoli Gastos com o ineficiente Jô podem chegar a absurdos R$ 47,8 milhões

Gastos com o ineficiente Jô podem chegar a absurdos R$ 47,8 milhões

Processo na Fifa, contrato de três anos e meio com um atacante que tinha 33 anos. Negociação emotiva transforma Jô em grave problema

  • Cosme Rímoli | Do R7

Aos 34 anos , Jô é um investimento caríssimo. Até dezembro de 2023. Com péssimo retorno

Aos 34 anos , Jô é um investimento caríssimo. Até dezembro de 2023. Com péssimo retorno

Corinthians

São Paulo, Brasil

Em julho de 2007, quando o Ministério Público Federal bloqueou o dinheiro da Media Sports Investment, por suspeitar da origem do dinheiro que chegava ao Corinthians, o presidente da MSI, o iraniano naturalizado inglês Kia Joorabchian decidiu sair do país. 

E acabar a parceria.

O que implodiu com o 'reinado' de Alberto Dualib no Parque São Jorge, de 14 anos.

As principais estrelas que trouxe já tinha levado embora, por saber do início das investigações. Carlitos Tevez e Mascherano, um ano antes.

Kia já havia se apossado da principal promessa da base do Corinthians, João Alves de Assis Silva, Jô. Esperto, o presidente da MSI já mandou o atacante, com 17 anos, para a Rússia, atuar no CSKA Moscou, ainda em 2005.

Jô foi indicado por Kia por Andrés Sanchez. Era o jogador que tinha mais orgulho, viu 'nascer' no Parque São Jorge e sabia que faria carreira sólida, inclusive internacional.

16 anos se passaram.

Andrés estava certo, a carreira do atacante foi importante, com direito a atuar no Manchester City, disputar a Copa do Mundo de 2014. Disputar Olimpíada, Copa do Mundo. Trocou dez vezes de clubes. 

Até voltar ao Corinthians, aos 33 anos. E assinar um contrato de três anos, com salários de R$ 700 mil mensais.

Por interferência de Andrés Sanchez, que não quis saber de opinião de treinador algum. Jô estava contratado e ponto final.

Só que o tempo é implacável. Com todos. Jô não é exceção. O jogador ágil, cabeceador, de arrancadas surpreendentes para a estatura de jogador de basquete, 1m93, ficou para trás. 

Já com 34 anos, não está conseguindo render nem a metade do que já jogou no Corinthians. Na sua segunda passagem em 2017.

Jô estreou no Corinthians com 16 anos. Andrés sempre teve muito orgulho do atacante

Jô estreou no Corinthians com 16 anos. Andrés sempre teve muito orgulho do atacante

Reprodução/Instagram

Marcou só dez gols e deu duas assistências, em 48 jogos.

Mesmo sendo privilegiado no esquema de Vagner Mancini. Homem de referência no ataque, sem obrigação de marcar, recompor. Mesmo assim, segue lento, aceitando passivamente a marcação dos zagueiros adversários. Não tem a mínima agilidade para fazer o trabalho de pivô.

Infelizmente virou um peso para a equipe.

Ele já foi afastado para se recondicionar fisicamente. O que seria reflexo de sua turbulenta saída do Nagoya Grampus, quando não jogou no primeiro semestre de 2020, depois de brigar com a diretoria do clube.

Mesmo assim, com inúmeros treinamentos individualizados, especiais, ele não consegue render.

Vivido, ex-jogador, ex-dirigente, o técnico Mancini sabe que tem um enorme problema nas mãos.

Um ídolo, adorado pela diretoria, principalmente pelo homem mais poderoso do Corinthians, Andrés Sanchez, que não consegue render.

A torcida corintiana já perdeu a paciência com o atleta.

O persegue nas redes sociais, não o quer mais no Corinthians.

A ponto de ficarem atacante a esposa do jogador, Claudia da Silva.

Ela respondeu em março.

Jô na Copa do Mundo. Diretoria corintiana celebrou a convocação em 2014

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CBF

E deixou escapar, sem querer, o que todos sabem.

Seu marido não é o mesmo artilheiro de 2017, campeão brasileiro.

"Não adianta mandarem directs, ficarem a semana toda me atormentando. Eu bloqueei comentário, mas vocês ficam o tempo todo atormentando a minha família, falando que meu marido está gordo, que ele não é o mesmo de 2017.

"Óbvio, estamos em 2021, eu não sou a mesma de 2017. Vocês têm que entender que a carreira de um jogador é feita de altos e baixos, existe um ser humano, existe sentimento, eles não são máquinas. Infelizmente a alegria do torcedor é quando a bola entra no gol e levanta o troféu para bater no peito que é corintiano.

"Mas não se esqueça que ele também é corintiano, ele também sofre quando o Corinthians perde, quando não consegue dar o melhor. Mas vocês não vão frustrar a vida do meu marido, ele ainda tem muita história para ser escrita."

O que era ruim, ficou muito pior.

O Corinthians foi condenado por aliciamento, convencer Jô a abandonar o Nagoya Grampus, com contrato em validade, para voltar ao Brasil. A multa é de 3,4 milhões de dólares, R$ 18,4 milhões. 

Os dirigentes alegam que o Nagoya havia 'mandado Jô embora', ele estava livre no mercado.

Só que o clube japonês levou o processo às últimas consequências, alegando que o Corinthians convenceu Jô a abandonar o Japão.

O clube deve R$ 949 milhões. 

Recorreu só tem uma chance de não gastar mais R$ 18,4 milhões por Jô, ser absolvido na última instância esportiva, o CAS, Tribunal Arbitral do Esporte, na Suíça.

Nagoya ganhou processo na Fifa contra o Corinthians. Há só o CAS, como último recurso

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Nagoya Grampus

O atacante tem contrato de três anos e meio, 42 meses com o Corinthians.

São garantindos, R$ 29,4 milhões no seu bolso.

Se perder a briga com o Nagoya no CAS, o clube terá comprometido R$ 47,8 milhões com o jogador.

Cerca de R$ 1,1 milhão por mês com o jogador, por três anos e meio.

Por conta do ex-presidente Andrés Sanchez.

Não há o menor movimento no clube para um acordo, para a rescisão de contrato.

Jô segue treinando forte.

Se submetendo a treinamentos físicos especiais.

Dieta controlada.

Mas seu desempenho segue muito abaixo.

A situação é complicadíssima...

Quatro clubes do Brasil possuem dívidas de cerca de R$ 1 bilhão

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