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‘Fui massacrado. Para o Brasil ganhar a Copa do Mundo’. Desabafo exclusivo de Zinho

Ele é o jogador que mais conquistou Campeonatos Brasileiros: cinco. Fez história no Flamengo, Palmeiras, Grêmio e Cruzeiro. Foi fundamental para o Brasil vencer a Copa de 1994. Sofreu, perseguido por Galvão Bueno. Na verdade, a imprensa não entendeu sua função tática. Fundamental para o tetra

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Zinho, com a bandeira do Brasil, e a medalha no peito. Só ele sabe o quanto sofreu pelo tetra Reprodução/Instagram Zinho

Por qualquer ângulo da análise, Zinho é um gigante injustiçado.


Nascido na violenta Baixada Fluminense, filho de um paraibano caminhoneiro e de uma dona de casa baiana, estava predestinado a ser um dos grandes jogadores de futebol deste país.

Aos três anos, seus primos foram comemorar nas ruas o título mundial da Seleção de 1970. Ele foi atrás deles. Se perdeu. Sua mãe se desesperou. Agarrou o sapatinho do pé esquerdo que ficou em casa.


“Se ajoelhou, pediu a Deus que ele fosse encontrado. E profetizou que, se ele voltasse, ainda seria campeão do mundo, dentro do campo, com a camisa da Seleção.

24 anos depois, a premonição deu certo.


'O gol que marquei e quebrou o tabu de 16 anos sem títulos do Palmeiras é um marco na minha vida.' Zinho Divulgação/Instagram

“Mas eu fui massacrado. Pela imprensa. Principalmente por Galvão Bueno, o narrador da Globo, que mantinha o monopólio da transmissão da Copa.

“Ele não entendia minha função tática. O Parreira me pediu para fechar o meio-campo, dar segurança para que o Leonardo e o Branco atacassem. A ordem era que oito jogadores ficassem atrás da linha da bola, marcando. Foi assim que ganhamos a Copa, depois de 24 anos.


“O Galvão tinha em mente o Brasil de 1970 e 1982. Não entendeu o que se passava em campo. E pegou muito pesado comigo. Minha família sofreu demais. Minha irmã recebia fotos de enceradeira, dizendo que era eu na Seleção. Um absurdo. Pagamos pela ignorância de quem não entendia de futebol”, desabafa Zinho.

Galvão Bueno reconheceu sua perseguição e fez questão de pedir desculpas, no documentário de sua carreira, a Zinho. “Falei que era uma pena que ele não pudesse pedir para quem merecia ouvir as desculpas. E sofreu com suas palavras. Meu pai que, infelizmente, morreu.”

Para quem não sabe, Zinho era muito habilidoso. Era ponta-esquerda driblador. Mas inteligentíssimo, com visão de jogo diferenciada, se tornou meia. E com potencial físico extraordinário. Daí suas múltiplas funções em campo. Fez história por onde passou.

Foi campeão brasileiro cinco vezes. Só ele e Adílio, na história. Saiu do Flamengo chorando, sem querer ir para o Palmeiras. Foi comprado pela Parmalat. “Meu pai, seu Crizan, foi decisivo. Falou que eu iria mudar a história do Palmeiras, que estava em jejum de títulos há 16 anos. E acabou sendo a melhor coisa que fiz.

“E fomos quebrar esse jejum em cima do maior rival, o Corinthians. Eu marquei naquela final inesquecível. Dia 12 de junho de 1993. Não é mais o Dia dos Namorados. É o Dia da Paixão Palmeirense.

“A minha emoção foi a mesma de ganhar a Copa do Mundo.”

Zinho é um gigante. Tem 37 títulos na carreira. Tetra virou seu apelido. Mas, para ser titular do Brasil na Copa dos Estados Unidos, sofreu demais. A começar pelas Eliminatórias, que a Seleção precisou vencer o Uruguai para se classificar. “Disputei toda eliminatória com a minha mãe muito doente. Ela teve um AVC e ficou com parte do corpo paralisada.

No dia decisivo, contra os uruguaios, minha mãe entrou em coma. Ninguém sabia. Se o Romário fez os dois gols, eu joguei bem demais. No dia seguinte, enquanto todos comemoravam, eu enterrava a minha mãe”, relembra emocionado.

Dona Lita faleceu. Mas acertou na previsão, seu filho foi campeão do mundo, com a camisa da Seleção. Fez história no Flamengo, Palmeiras, Grêmio, Cruzeiro, por onde passou.

Se tornou excelente comentarista. Começou na RECORD e está há 11 anos na ESPN.

Entrevistá-lo foi um privilégio.

Ele falou de forma sincera, direta.

A exclusiva está no canal Cosme Rímoli, no YouTube.

Já são mais de 150 personagens importantes do esporte brasileiro.

Mais de 14,3 milhões de acessos.

As melhores entrevistas passam também na Record News.

Todos os sábados, às 10 horas.

Neste será a exclusiva com Tupãzinho.

Ele revela que o time do Corinthians, campeão de 1990, jogava para o Neto.

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