Flamengo vive, e muito bem, sem Filipe Luís. Leonardo Jardim aplaudido na goleada sobre o Botafogo. Filipe recusou São Paulo e México. E pensa em Europa. Para estudar
Demissão do Flamengo travou os planos do treinador em 2026. Queria seguir no clube e terminar o curso Pró da CBF. E ficar três anos na Gávea, para buscar o comando de uma equipe europeia, como exige a lei. Mas caminho foi interrompido

Leonardo Jardim foi aplaudido de pé ontem no Nilton Santos.
O Flamengo deu uma aula de futebol.
Encurralou o Botafogo no seu gramado sintético.
Venceu por 3 a 0, poderia ter goleado.
Mas, depois de conseguir o placar inalcançável, o treinador português fez o time tratar de diminuir o ritmo.
Ou seja, ganhou o jogo, humilhou o rival, dentro da sua casa, e ainda poupou o time.
Bastaram três partidas e a torcida, impulsionada pelos resultados, vai se esquecendo de Filipe Luís.
E a mídia carioca, seduzida, pela coragem de, por exemplo, colocar Arrascaeta para descansar, e escalar Paquetá na sua verdadeira posição.
Também pensou o time sem Jorginho e Alex Sandro. Sabe usar o elenco, respeitando as características dos jogadores.
Optou por uma recomposição consciente.
A troca de posição dos jogadores do meio para a frente, mais elaborada, mais consciente, sem o ritmo desgastante.
E muito menos a troca de passes exagerada, que muitas vezes caía na falta de objetividade.
Jardim quebrou sua palavra, se esquecendo que jurou que no Brasil só trabalharia no Cruzeiro, pelo potencial humano excepcional do Flamengo.
“Com o Jardim estamos nos desgastando menos”, deixou escapar o volante chileno Pulgar.
Inteligente, o treinador divide os méritos com os atletas.
“As ideias que os jogadores colocam em prática são mais rápidas de assimilar pela qualidade e a inteligência deles. Isso ajuda o treinador. Eles são capazes de absorver rapidamente.”
Enquanto Leonardo desfruta o título carioca e duas vitórias seguidas, a pergunta é o que Filipe Luís fará de sua carreira, de sua vida?
Ele tem analisado qual caminho seguir, com seu empresário Jorge Mendes, que transformou Cristiano Ronaldo em um jogador midiático.
A primeira opção, trabalhar no São Paulo, foi logo descartada. Depois surgiu a chance de ir para o México. O Monterrey se interessou pelo brasileiro, depois da demissão de Domènec Torrent, ex-Flamengo.
Outro não.
Filipe Luís tem um sonho assumido.
Dirigir o Atlético de Madrid.
Ele é adorado e muito respeitado no clube.
Jogou nada menos do que oito temporadas.
Só que ele precisa do curso Pró da Uefa.
Ou o Pró da CBF mais três anos comandando um clube da principal divisão do Brasil, a Série A. Ou a Seleção Brasileira.
Como ele não conseguiu ficar três anos no Flamengo e ainda não chegou à Seleção, precisa estudar.
Filipe estava cursando o Pró da CBF.
Mas pensa a sério em concluir na Europa o Pró Uefa.
Só que o curso é demorado.
Leva dois anos, o que desestimulou vários técnicos brasileiros que sonhavam em trabalhar no Velho Continente.
A seu favor há a baixa idade para treinador, 40 anos.
Mas há o outro lado.
Jorge Mendes tem a certeza que seguirão propostas milionárias de clubes brasileiros, com elenco muito forte, como, por exemplo, o São Paulo não tem.
Atlético Mineiro, Cruzeiro e Botafogo, por exemplo, tem treinadores que mal começaram a trabalhar e não seduziram nem a direção e muito menos a torcida.
O choque da demissão do Flamengo está passando. Já que o clube também não demonstra nostalgia, saudade de sua passagem fulminante.
O futebol retrata o que acontece na vida.
Nada é para sempre.
Flamengo começa a esquecer Filipe Luís.
Filipe Luís começa a esquecer o Flamengo..













