Cosme Rímoli Fifa vai decidir se gramado sintético do Palmeiras pode seguir sendo usado. Série de contusões abrem sérios questionamentos

Fifa vai decidir se gramado sintético do Palmeiras pode seguir sendo usado. Série de contusões abrem sérios questionamentos

Dudu, Galloppo, Lucas Moura e agora, Bruno Rodrigues. O gramado sintético do estádio do Palmeiras nunca esteve tão questionado. O personagem principal das acusações contra o piso é o revoltado Abel Ferreira

  • Cosme Rímoli | Do R7

Contusões de jogadores importantes, como Dudu. Gramado sintético do Palmeiras é questionado
Contusões de jogadores importantes, como Dudu. Gramado sintético do Palmeiras é questionado Reprodução/Twitter

São Paulo, Brasil

Dudu, rompimento dos ligamentos cruzados no joelho direito.

Wesley, que foi vendido para o Cruzeiro, teve séria lesão no menisco do joelho esquerdo.

Atuesta, rompimento dos ligamentos cruzados no joelho direito.

Bruno Rodrigues, sofreu lesão no joelho direito, na última quarta-feira, contra a Inter de Limeira. Sofrerá uma artoscopia. Ficará, no mínimo, quatro meses sem jogar.

Todos os quatro do Palmeiras.

Ferraresi (lesão no ligamento cruzado anterior do joelho direito), Galoppo (lesão no ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo), Welington (lesão nos ligamentos do tornozelo esquerdo), Rafinha (lesão nos ligamentos do tornozelo esquerdo) e Lucas Moura (estiramento na posterior da coxa esquerda).

Cinco atletas do São Paulo.

O que os nove atletas têm em comum?

Se contundiram seriamente no gramado sintético do estádio do Palmeiras.

Coincidências?

Não há provas efetivas, já que contusões são comuns, mesmo nos gramados naturais.

Mas as reclamações sobre a arena palmeirense, não.

São persistentes, preocupantes.

O treinador Abel Ferreira já cansou de reclamar da qualidade do piso.

Logo após a vitória do Palmeiras, contra o Fluminense, na qual Fernando Diniz poupou inúmeros jogadores para a disputa do Mundial, Abel não poupou críticas.

"Gosto deste estádio...dizem que sou chato, já digo que este gramado tem que ser trocado urgentemente.

"Não quero saber quem vai pagar. Este gramado não está em condições de jogar futebol. Este gramado é um risco por lesões. No lugar do Diniz teria feito o mesmo. Espero que no próximo ano se troque o gramado. Que coloquem o de quando eu cheguei.

Galloppo saindo do gramado sintético do Palmeiras. Chorando, com os ligamentos do joelho rompidos

Galloppo saindo do gramado sintético do Palmeiras. Chorando, com os ligamentos do joelho rompidos

Reprodução/Instagram Galloppo

"Mas, por trás de uma crítica há um elogio. Agradeço a todos pela forma como encontraram uma solução para jogarmos na nossa casa.

"Aqui é o nosso chiqueiro, é aqui que precisamos jogar. Só me sinto em casa aqui. Em outros lados estou atuando fora”, começou por dizer, antes de pontuar que é necessária uma traca para a próxima temporada por conta do risco de lesões.

“O Cícero (gerente de futebol) sabe o quão exigente eu sou. Se vocês querem melhorar o futebol brasileiro, urge o tempo de descanso de no mínimo de três dias e a qualidade dos gramados, independentemente se for sintético. Esse gramado top é bom.

"O Palmeiras não consegue meter aqui um campo natural por conta dos eventos. É uma receita, eu entendo, entendo dos negócios. Não dá para meter um gramado natural. Prefiro o natural, mas não dá. Vejam a quantidade de ‘coisinhas’ que tinham no gramado, a quantidade de bebidas que caem no campo...isso...o futebol e os espetáculos são intensos.

"O gramado tinha dez anos de garantia na Holanda, onde atuam de dez em dez dias. Lá não tem a poluição daqui, os eventos, infelizmente, a garantia...não tem garantia de 10 anos.

"Não tem como. Eu avisei."

O Palmeiras estreou seu gramado sintético em fevereiro de 2020.

O clube e a WTorre optaram por dar um fim à grama natural, por conta dos shows, que prejudicavam o piso nas partidas.

O gasto anunciado foi de R$ 10 milhões, com a construtora arcando com 70% e o clube 30%.

Só que, nestes quatro anos, o ritmo de jogos foi intenso.

Show de Ivete Sangalo no estádio do Palmeiras. Piso sintético protegido. Mas pisoteado por milhares de fãs

Show de Ivete Sangalo no estádio do Palmeiras. Piso sintético protegido. Mas pisoteado por milhares de fãs

Divulgação/Ivete Sangalo

Assim como dos shows, festivais.

A WTorre alega que fez as manutenções completas.

Há muita reclamação nos bastidores dos clubes que enfrentam o Palmeiras no gramado sintético.

Dirigentes insistem, em off, que é um piso péssimo.

Muitos atletas não se sentem seguros.

"Não sou a favor que os times da primeira divisão tenham sintéticos. A grande maioria dos campos é de grama natural e a grama sintética faz a diferença a favor do time local. Além disso, o sintético do Palmeiras está muito desgastado e a bola passa muito rápido", disse Galloppo, que teve lesão de ligamento cruzado, no joelho esquerdo, no piso sintético do Palmeiras.

Há uma briga judicial entre Palmeiras e WTorre. O clube alega que a construtora deve mais de R$ 140 milhões, que não repassou em receitas.

Não há a previsão de troca do gramado sintético.

A construtora alega que o piso tem dez anos de garantia.

A Fifa costuma vistoriar esse tipo gramado pelo mundo.

A visita ao Allianz será em março.

A presidente do Palmeiras, Leila Pereira, mandou que executivos da Crefipar arrendassem a arena de Barueri, em concorrência pública. Comprometeu R$ 545 milhões, para que fosse o 'segundo estádio' do Palmeiras, por 35 anos.

Mas Abel Ferreira tem se negado a atuar lá.

"Só quero jogar no Allianz Parque.

"É a nossa casa, é ali que eu quero jogar. Agora, o que tem que fazer não é problema meu. Me pedem para ganhar jogos e títulos. Mesmo com todos os títulos que ganhamos, ainda somos xingados porque não é o suficiente. Eu só quero jogar em nossa casa. É lá que eu quero jogar", resumiu o que pensa sobre Barueri, em novembro do ano passado, quando seu time venceu o Internacional, em Barueri. Não atuou no estádio palmeirense, por conta de um show.

Ou seja, o gramado sintético do estádio do Palmeiras virou um problema sério.

Esse tipo de piso favorece o dono da casa.

No mundo todo é assim.

Mas precisa oferecer segurança aos atletas.

O questionamento é justificado.

As queixas já chegaram à Leila.

Haveria a possibilidade de o Palmeiras assumir os gastos e cobrar judicialmente a WTorre.

Só que a arena não poderia ser utilizada por cerca de um mês.

Só que há agenda de shows previamente marcados para 2024.

As multas por eventuais cancelamentos, para troca de piso, são absurdas.

Bruno Rodrigues. Na sua estreia como jogador do Palmeiras, no gramado sintético. Artroscopia

Bruno Rodrigues. Na sua estreia como jogador do Palmeiras, no gramado sintético. Artroscopia

Cesar Greco/Palmeiras

A WTorre não vai cancelar sua programação.

Já houve show no dia 20, Jão.

Hoje, acontecerá o Festival Carnauol.

Abaixo, os demais.

6 e 7 de fevereiro: Twice
2 de março: Simple Plan
23 de março: Luis Miguel
5 e 6 de abril: Só Pra Contrariar
16 de abril: Jonas Brothers
19 e 20 de abril: Soweto
11 de maio: Louis Tomlinson
25 e 26 de maio: Andrea Bocelli
8 de junho: Ludmilla
15 de junho: Jota Quest
09 de agosto: Forfun
29 de setembro: Eric Clapton
6 e 7 de dezembro: Iron Maiden

E haverá ainda outros. Estafes de artistas internacionais negociam com a administração do estádio.

Ou seja, é um grande problema.

Abel não abre mão da arena palmeirense.

Mas quer outro piso sintético.

Não há tempo hábil para a troca.

E nem interesse, porque ele ainda está 'na validade'.

Ninguém afirma que o gramado é o responsável pelas contusões de atletas.

A postura mais veemente é de Abel, que insiste pela troca.

A questão deverá ser resolvida pela Fifa, em março.

Se observadores garantirem que o piso oferece risco aos jogadores, ele será interditado para partidas.

Simples assim...

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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