‘Faltou pilha’, admite Abel Ferreira. Sem vibração, apático, o Palmeiras anulou Neymar, mas perdeu, tirou o Santos da zona do rebaixamento e entregou, de bandeja, a liderança do Brasileiro ao Flamengo
Nem os desfalques, convocados para a data Fifa, explicam a falta de iniciativa, de luta palmeirense. Passivo, o time aceitou a pressão santista durante todo o jogo. Até que Rollheiser marcou aos 44min do 2º tempo
Cosme Rímoli|Do R7

“Temos muita coisa para levar desse jogo. É aprender. A gente sabe do nosso foco e empenho. Para poder chegar lá na frente, a gente tem que batalhar.”
O goleiro Carlos Miguel foi direto no ponto.
O Palmeiras fez tudo, menos lutar, com ambição, para vencer.
Estava em jogo a liderança do Brasileiro.
Nem parecia que o Palmeiras lutava para ser campeão do Brasil.
Os oito desfalques não explicam a falta de entrega.
Foi imperdoável a submissão diante de uma equipe mais fraca.
O Santos fez um pacto com a torcida, a direção prometeu um “prêmio-salvação” e, para fugir do rebaixamento, Vojvoda montou esquema ofensivo, para sufocar a saída de bola palmeirense.
Todas as explicações racionais.
Mas o time da Abel Ferreira não teve o básico: personalidade.
Os atletas aceitaram a pressão, o caldeirão que se transformou a Vila Belmiro. Perdiam as divididas, não guerreavam. Souberam só anular Neymar, que não é nem sombra do jogador que já foi um dia.
Mas acabou sendo pouco demais.
O Palmeiras permitiu ao Santos 16 finalizações. Só deu oito tentativas de gols. A metade.
O clube tinha a obrigação de vencer, já que o Flamengo havia feito a sua missão. Goleou o Sport por 5 a 1, em Recife. E passou a pressão aos palmeirenses, de precisarem vencer.
Mas, durante todo o confronto de ontem à noite, o Santos foi amplamente superior. E venceu, com o gol de Rollheiser, aos 44 minutos do segundo tempo, com passe de Robinho Júnior.
O gol fez justiça ao jogo.

Deu sobrevida ao time de Neymar na esperança de não ser rebaixado de novo.
E mostrou o perfil assustador do Palmeiras nesta reta final do Brasileiro.
Acumulando duas derrotas, com postura lastimável, submisso ao adversário. Com os titulares, contra o Mirassol. E, ontem, com os reservas, diante do pressionado Santos.
O discurso de Abel Ferreira não foi nada convincente.
“Não viemos à procura do empate, viemos para ganhar. Mas, no primeiro tempo, o Santos criou mais perigo, teve uma chance em uma perda de bola nossa. Em termos de passe, nosso meio-campo não funcionou como queríamos. A porcentagem que conseguimos ligar jogo foi 50% de acerto e 50% de erro”, avaliou.
“Na primeira parte, o Santos foi melhor. Na segunda, fizemos os ajustes que tínhamos que fazer. [...] O Santos fez gol no final, mas lembro de uma bola de saída com Luighi, outra com Flaco sozinho e a bola foi fora, uma do Mauricio que leva um empurrão e não consegue acertar na bola”, avisou.

“Foi muito melhor a segunda parte e depois nos faltou pilhas ao nosso número 5 e ao nosso número 8 e faltou opções para refrescar esses jogadores. Veiga e Aníbal tiveram que jogar até o fim”, diagnosticou Abel, que falava sem a menor convicção.
Sabia que seu time não fez frente ao Santos.
Colocar a culpa no cansaço de Veiga e Aníbal foi muito fácil.
O problema foi a equipe como um todo.
Vojvoda acabou sendo muito mais sincero.
Direto.
Em uma frase resumiu o clássico.
O Santos lutou por cada bola.
O Palmeiras, não.
“Um dos pontos-chave foi manter o equilíbrio, nossa concentração, mesmo que o Palmeiras tenha alguns desfalques, mas time que está lutando acima, que está acostumado a competir até o final, que converte gols e ganha partidas ao final. [...] É um dos pontos-chave foi manter o equilíbrio e o foco na partida, lutar a cada bola”, disse o treinador argentino.
O Flamengo teve 12 desfalques, mesmo assim, trucidou o Sport, em Recife.
O Palmeiras, oito.
Há algo muito errado nesta reta final na Água Branca...















