Cosme Rímoli Ex-traficante, ex-drogado. Michael. É do Flamengo. 'Sou um milagre'

Ex-traficante, ex-drogado. Michael. É do Flamengo. 'Sou um milagre'

O campeão da Libertadores e do Brasil comprou o reforço que tanto desejava: Michael. Pagou R$ 33 milhões por 75% dos seus direitos. Festa na Gávea

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Michael, novo jogador do Flamengo. Quase foi assassinado seis vezes

Michael, novo jogador do Flamengo. Quase foi assassinado seis vezes

Reprodução/Twitter

São Paulo, Brasil

Tão veloz quanto Vitinho.

Mas muito mais habilidoso.

Sangue frio quando tem apenas um marcador.

E, principalmente, diante do goleiro adversário.

A grande revelação do Brasileiro de 2019.

Sua vida é uma lição de superação.

De família pobre, deve sua vida ao futebol.

Foi traficante, assumidamente usuário de drogas.

Cocaína, maconha...

Fumante de, no mínimo, 40 cigarros por dia.

Alcóolatra...

Seu apelido era "Porrinha", de por estão sempre 'porra louca', 'afetado', drogado, na adolescência.

Quase foi assassinado seis vezes.

Mas Michael conseguiu sobreviver.

E, aos 22 anos, teve 75% de seus direitos comprados, depois de muito esforço, pelo campeão da Libertadores e do Brasil, o Flamengo.

Em 9 de novembro de 2019, o blog informava esse interesse.

O clube carioca eliminou a concorrência do Palmeiras, Grêmio e, principalmente, a do Corinthians. 

Tiago Nunes considerava que, ter Michael, seria 'excelente' para 2020.

Ficou na vontade.

A direção do Flamengo apostou R$ 33 milhões, enquanto o Corinthians ficou nos R$ 22 milhões por 50% dos direitos do jogador.

A última pendência caiu há pouco, quando o empresário do jogador exigia 5% da transação. Depois de perceber que o negócio poderia não acontecer por sua insistência, o agente desistiu.

E Michael tem novo clube.

Michael foi a grande revelação do Brasileiro de 2019. Com toda justiça

Michael foi a grande revelação do Brasileiro de 2019. Com toda justiça

Reprodução/Twitter

Há apenas quatro anos, se dedicou a um profundo trabalho psicológico e também buscou apoio na religiosidade.

O Goiás foi fundamental nessa transformação.

Sua entrevista à rádio Sagres, de Goiânia, resume a reviravolta na sua vida.

O que foi mais difícil na sua vida?

Foi aceitar Jesus, em 2016. (...)Eu fumava muito. Eu fumava duas carteiras de cigarro por dia. Eu bebia muito, bebia 18, 20 latas de cerveja por dia. Eu jogava terrão todo dia. E a resenha do terrão é cerveja. Eu gostava de pinga demais. 51, 29, Paratudo. Era cada pinga feia... Mas foi difícil porque eu gostava demais. Eu gostava de mexer com tráfico, gostava só de coisa errada. Depois da sexta vez que tentaram me matar, Deus disse para mim “chega, né!”. Fui para a igreja e uma mulher disse tudo o que aconteceu na minha vida. Falei que se Deus for bom, ele vai ter misericórdia de mim.

Como foi essa história que tentaram te matar?

Tentaram me matar seis vezes. Eu era muito brigão no terrão, sempre fui custoso, ‘galudinho’. Também era por tráfico. Acabei vendendo droga, acabei fumando e acabei roubando. Fiz muitas coisas e não tenho orgulho. Não tenho orgulho, não. Mas foram coisas que aconteceram na minha vida e eu peço perdão.

Você usava drogas para amenizar os problemas da vida?

Não. Era vício. Eu fumava e bebia por vício. Não era para amenizar nada. Era tomado pelo diabo. Era sem-vergonhice, safadeza mesmo. Eu entrei nas drogas por isso. Meu pai sempre trabalhou e me deu tudo que podia, não o que eu queria. Eu entrei por vagabundagem, safadeza. Eu não precisava, mas a maioria das pessoas não precisa. Faz por vagabundagem mesmo. Eu, hoje, dou valor ao meu pai e mãe. Errei, mas o importante é tomar uma atitude e parar.

Jorge Jesus insistiu na contratação de Michael. Viu enorme potencial no atacante

Jorge Jesus insistiu na contratação de Michael. Viu enorme potencial no atacante

Reprodução/Twitter

Quando roubou e vendeu droga pela última vez?

A última vez que roubei foi em 2016. Depois de Deus, nunca mais fui o mesmo. Eu usei de tudo, lança-perfume, loló, pó, pasta-base. Crack eu não usei. Contra o Vila, algumas pessoas do meu setor falaram “Porrinha, seu drogado, seu cheirador de pó”.

Michael no início da reviravolta, no Goianésia. Alguns ainda o chamavam de "Porrinha"

Michael no início da reviravolta, no Goianésia. Alguns ainda o chamavam de "Porrinha"

Reprodução/Twitter

As pessoas conheceram o Porrinha de antigamente, eles acham que as coisas não têm solução. Acham que não existe ex-gay e ex-traficante. Mas existe. Se Deus quiser, ele faz tudo. Eu sou um milagre.

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