Di María rouba a cena de Neymar e Mbappé. PSG na final da Champions

O time francês se impôs de maneira impressionante, diante do tenso RB Leipzig. 3 a 0 foi até pouco diante da diferença na semifinal da Champions

São Paulo, Brasil

Foi fácil demais.

O PSG não tomou conhecimento dos nervos à flor da pele, a inexperiência, a tensão do RB Leipzig.

Enquanto os holofotes estavam voltados para Neymar e para Mbappé, o argentino Di María teve impecável. Marcou um gol e deu duas assistências.

E o time francês, pela primeira vez, na sua história de 50 anos, está na final da Champions League.

É o ápice do investimento bilionário que a família real do Qatar vem fazendo desde que adquiriu o controle do clube, em maio de 2011.

Chegar à final da Champions é obter o reconhecimento, afinal de que o clube entra de vez na elite do futebol mundial. 

O 'novo rico' francês está na decisão do campeonato mais respeitado.

Foi pelas individualidades que o dinheiro do Qatar conseguiu levar para Paris, mas também, desta vez o treinador alemão Thomas Tuchel fez seu papel com, louvor.

Ele livrou o time da ineficiência, indecisão de Icardi. 

Apostou na leveza, na sutileza.

Colocou o vivido Di Maria na frente, para se aproveitar da marcação alemã intensa sobre Mbappé e Neymar.

Marquinhos e Neymar fazem a festa brasileira na semifinal da Champions

Marquinhos e Neymar fazem a festa brasileira na semifinal da Champions

Reprodução UEFA/Twitter

Paredes e Herrera deram sustentação, onipresença, nas intermediárias. Para Kehrer e, principalmente, Bernat, surgirem como pontas, esticando, abrindo à fórceps, o estático 4-5-1 de Julian Nagelsmann. 

O jovem treinador do time alemão, não teve a facilidade, a covardia do Atlético de Madrid, de Simeone.

O PSG entrou com suas linhas avançadas, confiante no maior talento individual de seus jogadores. Com personalidade, precisou apenas do primeiro tempo para mostrar qual time estaria domingo decidindo a Champions, em Lisboa.

Com sutileza, velocidade e troca de posição constante do PSG, o sistema defensivo do RB Leipzig já tomou uma bola na trave aos cinco minutos, quando Mbappé deu um passe milimétrico para o brasileiro, que desviou do goleiro Gulácsi, mas a bola bateu na trave esquerda e foi para fora.

Mbappe, Neymar e Di María. Trio leve, habilidoso, talentoso. Tuchel acertou

Mbappe, Neymar e Di María. Trio leve, habilidoso, talentoso. Tuchel acertou

Reprodução Uefa/Twitter

A blitz do PSG seguiu. Até que em uma falha gritante do sistema defensivo alemão, Di María cobrou falta da lateral do campo. Marquinhos subiu sozinho, fez pose e cabeceou forte para o fundo do gol.

1 a 0, PSG.

O RB Leipzig sentiu a inexperiência, a tensão do seu elenco. O clube, de apenas 11 anos, não teve como segurar o nervosismo por chegar, pela primeira vez, à semifinal da Champions.

Jogador de futebol é muito instintivo. Percebe quando o adversário exala medo. Foi o que aconteceu.

Com toda a confiança, Neymar e Mbappé conseguiam ter espaço precioso para mostrarem toda a habilidade e explosão muscular. Criavam chances, abriam espaço entre o emaranhado de jogadores que Nagelsmann espalhou em frente à sua área.

Aos 34 minutos, Neymar quase faz um gol antológico. Ele alterou a ordem natural das coisas. Ao cobrar uma falta da ponta direita, não levantou para a área. Bateu para o gol, surpreendeu Gulácsi e o mundo. A bola beijou a trave e foi fora.

Só que aos 41 minutos, não houve jeito.

Gulacsi erra a saída de bola de maneira infantil. Herrera descobre Neymar livre, com a zaga desmontada. O brasileiro dá um passe genial para Di María marcar 2 a 0.

O RB Leipzig se entregava de vez.

A UEFA não poderia dar o prêmio de melhor em campo para outro. Di María

A UEFA não poderia dar o prêmio de melhor em campo para outro. Di María

Reprodução Uefa/Twitter

No segundo tempo, o PSG seguiu fazendo o que queria em campo. Inacreditável como o time alemão continuou estático, sem coragem atacar em bloco, sua principal qualidade.

Resultado, tomou o terceiro gol.

De maneira bizarra, Mukiele escorregou e caiu, disputando bola com Herrera. O defensor do time alemão pede falta inexistente. Enquanto isso, Di María levanta a bola na cabeça do lateral Bernart.

3 a 0, aos dez minutos.

A partir daí, o time francês se poupou.

Thomas Tuchel mandou sua equipe diminuir o ritmo.

Poupar fôlego e também escapar de contusões para domingo.

O RB Leipzig já estava entregue, antes do jogo começar.

Neymar teve uma atuação boa.

Mbappé foi ainda melhor.

Mas Di María roubou a cena.

E o PSG chegou à sua final histórica.

Deixou de ser apenas um novo rico.

Entrou de frente na elite do futebol mundial...