Cosme Rímoli Cuca pressionado por estupro. Pode desistir do Atlético

Cuca pressionado por estupro. Pode desistir do Atlético

'Defesa' do técnico não deu certo. A pressão nacional continua. Clube quer esperar 'baixar a temperatura'. Incomodado, ele pode não aceitar trabalhar

  • Cosme Rímoli | Do R7

Cuca está pressionado. A condenação por estupro repercute nacionalmente

Cuca está pressionado. A condenação por estupro repercute nacionalmente

Ivan Sorti/Santos

São Paulo, Brasil

A direção do Atlético Mineiro está paralisada.

O clube que já gastou cerca de R$ 200 milhões desde 2020, para montar uma equipe para ganhar o Brasileiro, a Copa do Brasil, a Libertadores e atrair patrocinadores à sua arena, está sem treinador.

Não há o homem que definirá a filosofia de jogo, montará o time ideal para tantos confrontos importantíssimos.

Absurda estagnação. Já que Jorge Sampaoli havia anunciado oficialmente que iria embora do clube no dia 22 de fevereiro, portanto há nove dias.

Mas a cúpula que comanda o clube sabia que Sampaoli estava acertado com o Olympique de Marseille há um mês.

Ficou sem agir porque esperava o final do Brasileiro para contratar Renato Gaúcho, do Grêmio. Treinador escolhido por quem banca o futebol no clube, os mecenas Rubens Menin, dono da construtora MRV, e do banco BMG, Ricardo Guimarães.

Só que, depois dos primeiros contatos, Renato Gaúcho acabou sendo seduzido pela ideia de seguir onde tem domínio total do futebol, o Grêmio.

O alvo passou a ser Cuca.

Treinador na melhor fase de sua carreira. Capaz de fazer o fraquíssimo elenco do Santos, com salários atrasados, sem poder contratar, por calote do clube, à final da Libertadores.

O técnico soube ler o cenário.

Sabia que teria proposta do Grêmio, se Renato saísse, ou do Atlético Mineiro, caso Renato ficasse em Porto Alegre.

Cuca se reuniu com os dirigentes do Atlético Mineiro, onde foi campeão da Libertadores, em 2013. E deixou apalavrado um contrato de dois anos, com a possibilidade de um terceiro. Não assinou compromisso algum, ainda.

Mas enquanto ele não assinou ainda o contrato, veio à tona a condenação por estupro coletivo, em 1989, em Berna, na Suíça. De uma menina de 13 anos. 

O crime teria acontecido em 1987.

A rejeição que tirou Robinho em 2017, pela condenação por estupro coletivo na Itália, que teria ocorrido em 2013, retornou em Belo Horizonte.

Matérias da época, sobre o estupro, estão sendo revisitadas nas redes sociais

Matérias da época, sobre o estupro, estão sendo revisitadas nas redes sociais

Reprodução

Nas redes sociais a campanha para que o treinador não fosse recontratado ganhou força.

Cuca, que havia dito na época da acusação, que Sandra Pfafli 'parecia ter 18 anos', jamais havia tocado no assunto novamente.

Até que, pressionado, decidiu gravar um vídeo para o blog de Marilia Ruiz, do UOL. 

Nele, ao lado da mulher e das duas filhas, nega a acusação.

Não houve estupro como falam, como dizem as coisas. Houve uma condenação por ter uma menor adentrado o quarto. Simplesmente isso. Não houve abuso sexual, tentativa de abuso ou coisa assim. (...) Esse episódio de 1987 precisa ser explicado. Eu estava no Grêmio havia duas ou três semanas apenas, não conhecia ninguém. Eu jamais toquei numa mulher indevidamente ou inadequadamente. Sou um cara de cabeça e consciência tranquila."

"Não fui julgado e culpado. Fui julgado à revelia, não estava mais no Grêmio quando houve esse julgamento com os outros rapazes. É uma coisa que eu tenho uma lembrança muito vaga, até porque não houve nada."

"Houve uma condenação por ter uma menor adentrado o quarto, e simplesmente isso. Não houve abuso sexual, não houve tentativa de abuso ou coisa assim. Então, tanto é que está... Só que hoje, 34 anos depois, com a força que os movimentos vem pegando, a gente fica vendo isso e fica sentido, sabe?"

"Lógico que a gente tem que encarar as coisas da vida, mas pra dar um basta nisso. Quero treinar ainda grandes equipes, mas não quero nunca ser um cara mal falado. Prefiro ficar na minha casa do que sair aí, achar polêmica e achar problema."

Essas foram suas principais declarações.

A defesa só veio 34 anos depois.

O blogueiro Juca Kfouri, também no UOL, resgatou a declaração de Sandra, a menor que teria sido estuprada. Ela falou ao jornal Blick, de Zurique.

E comprometeu Fernando, Henrique, Cuca e Eduardo, os quatro envolvidos.

"…primeiro os quatro jogadores brasileiros expulsaram do apartamento os dois amigos que me acompanhavam e então os quatro avançaram sobre mim."

"Três me seguraram, enquanto o outro me violentava. Então veio um segundo brasileiro e me violentou também. Eu tenho medo de ficar grávida, eu não tomo anticoncepcionais", disse à época.

As duas declarações repercutiram em Belo Horizonte.

Menin e Guimarães são bilionários.

Mas não querem e não vão arcar indefinidamente o Atlético Mineiro.

A empresa grega de apostas, Betano, é a dona do patrocínio master.

Há ainda a Multimarcas Consórcios, a AutoTruck e a Premium Saúde.

A Le Coq Sportif é a fornecedora de material esportivo do clube.

Os patrocinadores cada vez mais se importam com as redes sociais.

Eles pressionaram o Santos a romper com Robinho, pela condenação por estupro.

E seu contrato assinado, no ano passado, não foi colocado em prática com o clube do litoral paulista.

Menin e Guimarães queriam um treinador que estivesse acima do bem e do mal.

Que fosse unanimidade no Atlético.

E que trabalhasse em paz, depois de vários problemas com Sampaoli.

Cuca tinha esse potencial.

Até a condenação de estupro voltar à tona.

Jornalistas próximos ao técnico lembram o quanto ele é 'vulnerável'.

E como age mal diante de polêmicas, de pressão.

Ainda mais envolvendo sua família.

As acusações seguem cada vez mais fortes na Internet.

Financeiramente ele já é bem resolvido.

Por seus 23 anos trabalhando como treinador.

A direção do Atlético Mineiro segue tentando ganhar tempo.

Deixar a 'temperatura baixar'.

Só que o elenco recheado de estrelas segue comandado por um técnico interino.

O auxiliar Lucas Gonçalves.

Menin e Guimarães querem uma solução.

O executivo Rodrigo Caetano segue tentando o caminho da calma.

Aposta que o clima de revolta passará.

E que Cuca poderá trabalhar no clube.

Uma saída discutida seria proibir o assunto 'estupro' nas coletivas do treinador.

Como a ex-diretoria do Santos pensou em adotar em relação a Robinho.

E fracassou, com a postura firme dos patrocinadores.

A defesa de Cuca não colocou fim à questão.

Não teve o peso esperado.

Ele pode até ser contratado.

Mas a pressão sobre ele será forte.

Há equipes de tevês tentando resgatar a história.

E até tentando contato com Sandra.

O cenário é conturbado, pesado.

E Cuca parece ser o lado mais fragilizado.

A repercussão é nacional sobre o caso de 34 anos atrás.

Segue nervoso, tenso.

É mais fácil ele desistir do que o Atlético.

O vídeo de sua defesa não teve o efeito desejado...

O empresário do técnico, Eduardo Uram, segue pressionando Cuca para que aceite trabalhar. O executivo Rodrigo Caetano também faz seu papel. Pedindo à diretoria para que confirme o técnico.

A lógica do empresário e do executivo: que 'tudo se esquece no futebol'.

Até porque a condenação já prescreveu.

Portanto, não há crime algum...

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