Connor contra Anderson. Combate da ganância. Só vale pelo dinheiro

14 anos de diferença. Lutadores de pesos, altura, biotipos diferentes. Em comum, a idolatria.  Em época de pandemia, UFC pode aceitar. Pelo dinheiro

O que mais cerca Connor é dinheiro. Anderson Silva foi esperto

O que mais cerca Connor é dinheiro. Anderson Silva foi esperto

Reprodução Twitter

São Paulo, Brasil

"Eu não gostaria nada dessa luta."

Dana White, no dia 10 de fevereiro de 2019.

Esta foi a irritada reação do presidente do UFC, ao saber que Connor McGregor havia escrito no twitter, seu desejo de enfrentar Anderson Silva.

Um ano e quatro meses depois, essa mesma situação retorna.

Silva, 45 anos, desafiou nas redes sociais, o irlandês de 31 anos.

Anderson, 1m88, envergadura 1m98, fez história como campeão do peso médio, até 83,9 quilos.

Connor, 1m75,  envergadura 1m88, explodiu no peso pena, até 65,8 quilos.

O brasileiro propôs o desafio em uma 'superluta', no peso combinado, 80 quilos. 

"Tenho uma imensa admiração pelo grande atleta Conor e acredito que um super fight seria algo histórico para o esporte.

"Nenhum de nós precisa provar mais nada a ninguém; acredito que os fãs do UFC e do esporte gostariam de ver este grande espetáculo marcial, testar minhas habilidades marciais com ele seria fantástico!!"

Foi o que escreveu Anderson, no Instagram.

Connor ficou ontem em silêncio.

Mas hoje respondeu no twitter.

"Eu aceito."

Os dois são superestrelas, mitos do UFC, farão parte do Hall da Fama. Cultuados no mundo todo.

Connor contra Floyd. Luta rendeu 100 milhões de dólares para os dois

Connor contra Floyd. Luta rendeu 100 milhões de dólares para os dois

Reprodução Twitter

Anderson fez história, entre 2006 e 2013, quando por soberba, brincadeira, fastio, perdeu bizarramente o cinturão para um lutador muito inferior, Chris Weidman. Ofereceu o rosto para tomar um cruzado e caiu nocauteado, em 6 de julho de 2013.

Desesperado pelo vexame, pressionou o UFC pela revanche. E teve, na noite de 28 de dezembro, do mesmo 2013. Na ânsia de vencer, expôs a perna esquerda, ofereceu a trava para o americano. Resultado: quebrou a fíbula esquerda.

Desde então, nunca mais foi o mesmo lutador.

No retorno, dia 31 de janeiro de 2015, mais de dois anos depois, venceu Nick Dias por pontos. Mas teve o resultado anulado. Estava dopado.

Ficou um ano suspenso.

No retorno, perdeu para Michael Bisping, quando teve a vitória nas mãos, depois de uma joelhada, mas brincou novamente. E foi derrotado. Daniel Cormier fez o que quis com o brasileiro nos pesados, em luta constrangedora. Anderson substituiu Jones. Teve dois dias para se preparar.

Venceu Derek Brunson em luta apagada.

Foi novamente pego dopado em fevereiro de 2017. Mais um ano de suspensão.

Na volta, em fevereiro de 2019, perdeu para Israel Adesanya, em um confronto que marcou a vitória da juventude e que deixou claro que o vigor físico, a explosão muscular espetacular do brasileiro não existiam mais.

O nigeriano nitidamente poupou seu ídolo.

Até que, na última luta, Anderson Silva perdeu no primeiro round, ao receber um chute violentíssimo de Jared Cannonier, frustrando seus fãs, no Rio de Janeiro.

Desde maio de 2019, o brasileiro não luta.

Sua decadência é evidente.

Anderson foi brincar, com Weidman, lutador inferior. Mergulhou na decadência

Anderson foi brincar, com Weidman, lutador inferior. Mergulhou na decadência

Reprodução Twitter

Dos últimos oito combates, só venceu um.

Aos 45 anos o mundo do UFC esperava apenas sua aposentadoria.

Não é sombra do lutador fantástico que foi.

Connor McGregor também está mudado.

Não pela idade.

Mas pelo dinheiro.

Seu trash talk, sua postura de bad boy e, sem dúvida, seu talento como lutador de boxe e taekwondo, chamaram a atenção do mundo.

Principalmente depois da vitória em apenas 13 segundos, contra o brasileiro Zé Aldo, que estava dez anos invicto. O irlandês ficou com o cinturão dos penas.

Ninguém na história do UFC aproveitou tanto a conquista de um título. Provocou, xingou, fez arruaças. Até que conseguiu fazer uma superluta de boxe com Floyd Mayweather, em 26 de agosto de 2017.

Recebeu 30 milhões de dólares, cerca de R$ 159 milhões, pelo combate.

Mais 10 milhões de dólares, R$ 53 milhões, pelo pay-per-view.

Ou seja, R$ 212 milhões.

Desde então, se preocupou menos com o treinamento.

Até pensou em parar de lutar.

Mas se ressentia dos holofotes.

Connor nunca foi um lutador completo.

No chão, Connor tem nível bem abaixo do seu boxe. Mata-leão de Nurmagomedov

No chão, Connor tem nível bem abaixo do seu boxe. Mata-leão de Nurmagomedov

Reprodução Twitter

Seu grande ponto fraco é o chão.

Seu Jiu-jitsu é muito abaixo de um lutador tão importante.

Vence quem não consegue imobilizá-lo e propõe um combate em pé.

Nate Diaz e Khabib Nurmagomedov o venceram facilmente. Bastou levá-lo para o chão e aplicar um mata-leão.

Connnor sabe que não tem a menor chance contra o russo Nurmagomedov, dono do cinturão dos leves.

Ele quer chamar a atenção da mídia.

E lutar contra sabe ser superior.

Anderson teve uma carreira fantástica. Mas, aos 45 anos, não é sombra do que foi

Anderson teve uma carreira fantástica. Mas, aos 45 anos, não é sombra do que foi

Reprodução Twiiter

Foi assim contra Donald Cerrone, quando retornou ao octógono depois de um ano e três meses, depois da derrota para Nurmagomedov.

Agora, ao aceitar o desafio de Anderson Silva, o irlandês sabe que, embora menor, mais leve, ter 14 anos a menos, o faz favorito no possível confronto.

Daí aceitar o desafio.

Em plena pandemia, Dana White precisa de lutas que chamem a atenção, a audiência.

Já que não há previsão de combates com público.

Daí a chance desta superluta acontecer.

Anderson, no final da carreira, e Connor, ganancioso, sonham com o dinheiro do confronto.

Da popularidade que o adversário pode trazer.

Como diversão, pode ser interessante.

Como definição sobre quem é o melhor, não.

Os dois são de gerações diferentes do UFC.

Estão longe de seu auge.

Se existe algo que Dana e Connor têm em comum é o amor ao dinheiro

Se existe algo que Dana e Connor têm em comum é o amor ao dinheiro

Reprodução Twitter

Mas o que impera nessa crise mundial é dinheiro.

E se existe um argumento, que faz Dana White mudar de ideia, ele se chama dinheiro.

Os fãs podem se animar.

Os puristas das artes marciais, não...

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