CBF quer a saída de Dorival. Ednaldo com a ‘consciência tranquila’. Recomeça a obsessão por Ancelotti. Jesus e Filipe Luís têm chance
“Vou falar com calma depois.” Essa foi a frase do presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, depois da vexatória goleada que a Seleção tomou da Argentina, por 4 a 1. Era a hora para apoiar Dorival Júnior. Esse suporte não veio porque o dirigente cansou. Quer a demissão do técnico

A CBF volta a sonhar com Carlo Ancelotti.
Sim, depois de o futebol brasileiro ser desprezado pelo italiano, volta a mesma situação.
Seu contrato com o Real Madrid terminará em junho.
‘Dá para esperar’, diz uma fonte importante do blog, ligada ao presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues.
O próximo jogo da Seleção nas Eliminatórias será no dia 5 de junho, contra o Equador, em Quito.
Depois, o Paraguai, em casa, dia 10.
De novo, a mesma situação de dois anos atrás.
Carlo pode mandar seu filho e auxiliar, Davide, treinar a equipe.
E assumir em julho, já sem compromisso com o clube espanhol.
O desejo vem sendo acalentado há tempos.
Só aumentou depois da humilhação de ontem.

Ednaldo está sendo muito pressionado pelos presidentes das Federações.
Eles querem uma resposta imediata.
O dirigente também deseja a troca de comando da Seleção.
Tem consciência que Dorival já ‘não deu certo’.
Seu desejo inicial era anunciar a saída já com a chegada do próximo treinador.
Ancelotti é o plano A.
Mas o dirigente baiano precisa estudar planos B e C.
Porque o italiano pode preferir, de novo, renovar com o Real Madrid.
Aí, no horizonte, surgem os defensores, ‘eternos’, de Jorge Jesus.
E os novos, de Filipe Luís.
Essa é atual ordem de prioridade, de acordo com aliados do presidente.
“Vou falar com calma depois.”
Foi desta maneira que Ednaldo Rodrigues, afastou os poucos jornalistas brasileiros que estavam no Monumental de Núñez, logo após o confronto de ontem.
São poucos porque os veículos de comunicação estão perdendo a confiança na Seleção.
Com as derrotas, o interesse vem caindo.
E se transformando em rejeição da população.
Dos patrocinadores.
Foi sintomática a postura do presidente.
Se quisesse defender Dorival Júnior, depois da vergonhosa goleada que o Brasil sofreu, diante da Argentina, o momento era aquele.
Caso desejasse se colocar ao lado do treinador, não haveria melhor momento.
E avisar que a derrota por 4 a 1 foi ‘acidente de percurso’ e que confiava no técnico até a Copa do Mundo dos Estados Unidos, daqui a um ano e três meses.
Mas interlocutores poderosos, presidentes de Federações, sabem: ele não confia mais no resultado da Comissão Técnica.

Ednaldo acredita que já deu ‘todas as chances’ para Dorival Júnior.
Foram 16 partidas comandando o Brasil.
Sete vitórias, sete empates e duas derrotas.
A Seleção está a dez pontos da líder Argentina, nas Eliminatórias, em quarto lugar.
Atrás também do Equador e Uruguai.
Ednaldo se diz com a ‘consciência tranquila’.
Deu um mês para Dorival preparar a Seleção na disputa da Copa América.
O que ganhou em troca?
Queda nas quartas de final, o Brasil não ficou nem entre os quatro primeiros.
Dorival assumiu na sétima rodada das Eliminatórias, depois do pífio trabalho de Fernando Diniz.
Sob seu comando, o time foi instável.
Ganhou sem convencer, sem padrão tático algum.
Venceu o Equador, perdeu para o Paraguai, ganhou do Peru e Chile.
Empatou com a Venezuela e Uruguai.
Ganhou da Colômbia.
E foi goleado ontem diante da Argentina.
Quatro vitórias, duas derrotas e dois empates.
O vexame de ontem fez os estatísticos festejarem.
Foi a pior derrota do Brasil em toda história das Eliminatórias.
Sofreu dois gols em menos de 15 minutos, depois de 70 anos.
Derrota mais ampla para os argentinos, depois de 61 anos.
Pior vexame desde o 7 a 1 para a Alemanha.
Matheus Cunha foi o mais corajoso após o jogo de ontem.
E certeiro.
“O nosso problema não é individual.
“É coletivo.”

Ou seja, o atacante admite que o Brasil tem talentos individuais.
Falta alguém que junte as qualidades desses jogadores.
E as transforme em um time.
Dorival já provou que não consegue.
Ednaldo Rodrigues ficou irritado além dos resultados.
Mas por ouvir que Dorival Júnior, centralizava todo o trabalho contra a Colômbia e Argentina, na volta de Neymar.
A confissão irritou toda a cúpula da CBF.
Outra vez a dependência de um atleta de 33 anos, com 30 contusões importantes na carreira.
A demissão do treinador da Seleção se mostra mera questão de tempo.
Ednaldo é político.
Ele busca o melhor momento.
Pode ser hoje em resposta ao vexame de ontem.
Ou esperar ter o contrato de um novo treinador assinado.
O que errou na primeira vez que anunciou Ancelotti.
O fraco trabalho de Dorival não vai continuar...