Botafogo mergulha Santos na zona de rebaixamento. E Cuca, esperto, dá ‘descanso’ a Neymar. Na verdade, não quis o jogador improdutivo, que ajudou na demissão de Vojvoda
Privilégio assumido. Mal assume, Cuca viu que Neymar não tem condições de jogar três partidas seguidas. O tirou do confronto importantíssimo de amanhã, contra o Cruzeiro. Ele terá 15 dias de preparação para buscar a ‘arrancada final’ para a Copa. Voltará contra o fraco lanterna Remo, na Vila Belmiro
Cosme Rímoli|Do R7

O Botafogo venceu o Bragantino, em Bragança.
2 a 1, hoje à tarde, em Bragança.
O resultado afetou diretamente o Santos.
O clube mergulhou na zona do rebaixamento.
Tem míseros seis pontos em 21 possíveis.
Precisa vencer o Cruzeiro, amanhã, em Belo Horizonte, para ter um pouco de paz.
Cuca, veterano treinador, sabia muito bem desta possibilidade.
De ter de fazer a sua primeira partida, na quarta vez que assume o clube com o time entre os últimos do Brasileiro.
Mas mesmo assim quis abrir mão de seu principal jogador.
Sim, ele mesmo.
Neymar.
O jogador de 34 anos, que se disse chateado por não estar na lista dos convocados para a Seleção Brasileira, nos últimos amistosos antes da Copa do Mundo, vinha de duas partidas seguidas.
Duas.
E na Vila Belmiro.
Com desempenho fraquíssimo.
Mesmo se poupando, privilegiado no esquema tático de Vojvoda.
Ficou do meio para a frente.
Sem combater nenhum adversário.
Nem do Corinthians e do Internacional.
O treinador argentino abriu mão de uma atleta na marcação da primeira linha dos jogos, era como se o Santos tivesse um a menos.
Pagou com o emprego, depois do empate no clássico e na derrota para o time gaúcho, que era lanterna.
Cuca teve acesso a todos os relatórios médicos e físicos de Neymar.
O jogador vinha afirmando que estava recuperado, pronto para seguir atuando.
Mas Cuca decidiu o contrário.
Ele sabe da obsessão de Neymar pela Copa do Mundo.
E que presidente Marcelo Teixeira havia prometido ao jogador e ao seu empresário, o onipresente Neymar pai, que o Santos tudo faria para auxiliar o meia/atacante.
Cuca sabe que esta será a última data Fifa antes da Copa do Mundo.
Tirando Neymar do jogo contra o Cruzeiro, ele teria mais 15 dias para descansar, treinar, se preparar para a ‘última arrancada.’
E olha que delícia...
Voltar contra o fraquíssimo Remo na Vila Belmiro.
Na teoria, um presente paterno...
E em uma conversa entre os dois, foi definido esse caminho.
Cuca abriu mão do jogador.
Mesmo sabendo que não poderia contar também com Gabigol, que está emprestado pelo clube mineiro.
E treinou hoje o seguinte time Gabriel Brazão, Igor Vinicius, Lucas Verissimo, Luan Peres e Escobar; Oliva, Willian Arão e Rollheiser; Barreal, Thaciano e Rony.
Uma equipe física, que substituirá o talento pela força de marcação, correria nos contragolpes.
Cuca aposta no desespero do Cruzeiro, que demitiu Tite e faz um péssimo Brasileiro também, mas com um elenco estelar, para buscar uma vitória.
Teoricamente ficará muito mais difícil.
Neymar segue sendo o maior talento do futebol brasileiro.
Só que não tem mostrado condições físicas para impor seu futebol.

O Santos precisa dele mais do que nunca.
Mas Cuca, esperto, decidiu poupá-lo.
Até porque o drible, o improviso, as jogadas geniais sumiram.
Ele está tão sem ritmo de jogo, tão sem explosão muscular que nada disso estava mostrando.
Cuca já chega privilegiando seu camisa 10.
Dando mais duas semanas, para seus intermináveis e decepcionantes retornos.
Cuca não quis cair no erro de Vojvoda.
Ficar de braços cruzados esperando Neymar decidir.
Ele não decidiu e o argentino está na fila do desemprego.
Neymar precisa aproveitar mais estas duas semanas sem jogos.
E treinar, se condicionar como nunca.
Levar muito a sério estas duas semanas.
Não são folgas.
São tentativas de recuperação física de um atleta que já teve 44 lesões e cinco cirurgias.
Jogador desgastado, de 34 anos.
Enquanto isso, Cuca montará seu Santos fechado.
Mas competitivo, lutador, com jogadores correndo o tempo todo, brigando pela bola, fracos tecnicamente, mas atletas...
Como Neymar precisa voltar a ser.
Se quiser disputar a Copa dos Estados Unidos.
Restavam 16 partidas para ele convencer Ancelotti.
Agora?
São só 15.
O limitado Remo estará esperando por Neymar.
Na Vila Belmiro, com torcedores eufóricos.
No dia 2 de abril.
Com a esperança de gols, lágrimas.
Declarações da amor à Seleção.
Tudo dentro de um enredo previsível.
O teste verdadeiro já começará três dias depois.
No Maracanã, contra o Flamengo.
Não o amigável de Filipe Luís, com jogadores trocando carinho com o santista.
Mas o ultra competitivo de Leonardo Jardim, que deixará os abraços para depois da partida.
Neymar que se prepare.
A observação final de Ancelotti começará no Maracanã.
Não contra o Remo.
O italiano, melhor treinador do mundo, é muito inteligente para não se impressionar com o que está previsto para acontecer na Vila Belmiro...
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