Cosme Rímoli Borja e Guerra comprometeram R$ 120 milhões. Fracassos caríssimos

Borja e Guerra comprometeram R$ 120 milhões. Fracassos caríssimos

Ilusão amadora, falta de pesquisa séria. O Palmeiras não conhecia a fundo os destaques do Atlético Nacional. Só desperdiçou dinheiro com a dupla

  • Cosme Rímoli | Do R7

Guerra e Borja. Ilusão que comprometeu muito dinheiro. Por pura precipitação

Guerra e Borja. Ilusão que comprometeu muito dinheiro. Por pura precipitação

Cesar Greco/Palmeiras

São Paulo, Brasil

Cuca deixou o Palmeiras, em novembro de 2016.

Antes de decidir sair, para resolver um grave problema de saúde na família, ele havia indicado reforços para 2017. A temporada que o clube 'tinha de vencer a Libertadores'.

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Entre os indicados estavam Guerra e Borja, campeões da Libertadores pelo Atlético Nacional.

De maneira simples, chegou ao então executivo Alexandre Mattos. O meia seria o 'arco' e o atacante, a 'flecha'. Um articularia as jogadas ofensivas para o outro marcar os gols.

Na época, final de 2016, o Palmeiras lançava os jogadores que a Crefisa oferecia como doação.

Mas como o acordo com a empresa era devolver o dinheiro gasto e o clube ficar com o lucro, em futura venda, a Receita Federal em feveiro de 2018, passou a considerar as transações como empréstimos. 

Com a obrigação de o Palmeiras devolver cada centavo, mesmo se o clube não vendesse o atleta, como era combinado com a Crefisa.

E ainda multou a patrocinadora.

A denúncia foi feita por conselheiros da oposição do próprio clube à Receita Federal.

Por isso acabou a festa das inúmeras contratações milionárias.

Mas sem Cuca e com o novato Eduardo Baptista acertado para comandar o clube em 2017, Mattos fechou as contratações caríssimas de Borja, por 13,5 milhões de dólares, atuais R$ 75,6 milhões.

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Virou o jogador mais caro da história palmeirense.

E de Guerra, por 3,7 milhões de dólares, atuais R$ 20,7 milhões, que a Crefisa pagou, mas depois o clube teve de devolver o dinheiro à empresa.

Batista não teve nem o direito de dizer sim ou não.

Comprar o jogador colombiano e o venezuelano parecia grandes acertos.

Mas bastaria uma pesquisa a fundo para entender o erro.

Borja sempre foi um jogador instável e com várias fases ruins. Se tornou fundamental ao Atlético Nacional na reta final da Libertadore de 2016.

Porque o treinador Reinaldo Rueda acreditou que sua explosão muscular e presença de área seriam fundamentais contra a lenta zaga são paulina, na semifinal da Libertadores. E ele brilhou, diante de uma encantada diretoria palmeirense.

Seus salários são de 85 mil dólares, atuais R$ 476 mil a cada 30 dias.

Guerra foi o primeiro venezuelano campeão da Libertadores. E foi escolhido como o melhor jogador do torneio em 2016. Não haveria erro em contratá-lo, acreditou o executivo Alexandre Mattos.

Borja,problemático, instável. Contratação mais cara da história. Feita por impulso

Borja,problemático, instável. Contratação mais cara da história. Feita por impulso

Reprodução/Twitter

Mas bastaria ter pesquisado a participação do meia no Atlético Nacional para entender que não seria tão simples.

Rueda privilegiava sua técnica. Montava um meio-campo competitivo, de dura marcação, com participação dos atacantes. E Guerra tinha privilégios táticos, não precisava fazer parte dessa correria alucinante.

Ele se resguardava para quando a bola chegasse nos seus pés, para estar 'inteiro' na hora de articular os ataques. Flutuando na intermediária adversária, livre para improvisar: tabelar, lançar, invadir a área com a bola dominada.

Os treinadores palmeirenses se assustaram com a dupla.

Com os poucos recursos técnicos de Borja.

Além de sua personalidade fechada, arredia.

Jogador de difícil trato.

E por Guerra exigir um esquema tático só seu.

Não por mal, mas por não render com participação efetiva, marcando o adversário, buscando a bola no campo do Palmeiras. Ele teria de ser privilegiado para render. E nenhum treinador quis repetir o que Rueda fazia no Atlético Nacional.

Borja marcou 38 gols em 112 jogos pelo Palmeiras. Fo emprestado esse ano para o seu 'time do coração'. De graça.

O clube colombiano teria a obrigação de comprá-lo por 5 milhões de euros, cerca de R$ 33 milhões, se ele marcasse 23 gols na temporada ou entrasse em 73% dos jogos. Não está nem perto de acontecer nenhuma coisa nem outra. 

Guerra 'presente' da Crefisa. Que o Palmeiras teve de pagar. E hoje treina sozinho

Guerra 'presente' da Crefisa. Que o Palmeiras teve de pagar. E hoje treina sozinho

Palmeiras

Ele marcou apenas oito gols e não se firmou como titular.

"A tendência é devolver o jogador", insiste o gerente do Junior Barranquilla, Héctor Fabio Báez.

Ou seja, caso Borja volte em janeiro de 2021, o Palmeiras ainda terá dois anos de contrato com o atacande de 27 anos.

A situação de Guerra segue cruel.

Ele foi firme. Cansou de dizer como renderia aos técnico palmeirenses. Nunca pôde jogar como gostaria.

Acabou emprestado em 2019 ao Bahia.

Antes do empréstimo, o Palmeiras renovou seu contrato, com redução de 40% nos salários. Porque sonhava em conseguir algum dinheiro com o jogador se valorizando no time nordestino.

Só que ele teve uma contusão séria nos ligamentos do pé esquerdo. Foi operado em maio. Ficou três meses sem jogar. Acabou devolvido ao Palmeiras. Em 2020 não surgiu nenhum clube interessado em levá-lo pagando o salário de R$ 250 mil. Botafogo e Santos sondaram o jogador e só o contratariam se os dirigentes palmeirenses pagassem metade dos salários. Como se recusaram, o meia-atacante não saiu.

E se recusou a rescindir seu contrato.

Irritado, Galiotte mandou que treinasse sozinho, isolado do elenco, como forma de pressioná-lo a aceitar a rescisão.

Errou feio.

O venezuelano tem treinado sozinho e recebido seus R$ 250 mil mensalmente.

Será assim até o fim de dezembro, quando acaba seu vínculo.

A dupla colombiana custou R$ 96,3 milhões ao Palmeiras, só em direitos pagos ao Atlético Nacional.

E ainda comprometeu mais de R$ 25 milhões só em salários e luvas aos dois.

São, pelo menos, incríveis R$ 120 milhões.

O Atlético Mineiro gastou cerca de R$ 150 milhões para montar seu fortíssimo time de 2020.

O clube paulista agiu com precipitação.

Falta de avaliação profunda.

Impulso.

Deu péssimo exemplo de administração.

Por erros assim, que o Palmeiras se viu obrigado a um desmanche em 2020.

Mesmo se não houvesse a pandemia, o clube já negociaria vários jogadores.

Gastou demais com os devaneios de Alexandre Mattos na fracassada busca pela Libertadores.

Mais de 50 jogadores.

Entre eles, Borja e Guerra.

Acompanhados de Mina, a dupla também se decepcionou com o clube. Erro ter vindo

Acompanhados de Mina, a dupla também se decepcionou com o clube. Erro ter vindo

Cesar Greco/Palmeiras

Por esse desperdício não contratou Jorge Sampaoli.

Perdeu tempo com o ultrapassado Luxemburgo.

Não tem um treinador às vésperas dos jogos eliminatório da Libertadores.

E Galiotte vive seu pior momento com presidente...

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