Amanda Nunes fez o 'impossível'. Nocaute histórico em Cris Cyborg
A baiana acabou com o favoritismo e os 13 anos de invencibilidade de Cyborg. Foi a primeira mulher a ter dois cinturões do UFC
Cosme Rímoli|Do R7 e Cosme Rímoli

São Paulo, Brasil
Desde que o grupo de entretenimento chinês WME-IMG comprou o UFC, em julho de 2016, por 4 bilhões de dólares, cerca de R$ 15,5 bilhões, ficou escancarado : o valor esportivo dos confrontos passou para segundo plano.
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Em primeiro, o lucro, a venda de pay-per-view. E eles viriam dos confrontos mais desejados pelo público. Não interessa se os lutadores pertencem à divisões diferentes. Se um é mais pesado, tem maior envergadura do que o outro.
O que vale não é a justiça.
E sim despertar a vontade de milhões de pessoas, espalhadas pelos 180 países que o evento de MMA chega, a pagar para assistir os combates entre as estrelas.
Se os antigos donos, os irmãos Fertitta, desprezavam a lógica e o ranking que deveria servir como lei para a marcação das lutas, o WME-IMG faz absurdos pelo dinheiro.
Como transferir o UFC 232 de Las Vegas para Los Angeles, faltando apenas seis dias para o evento.
O motivo?
Ter Jon Jones no octógono. Turinabol, esteróide androgênico anabólico, capaz de aumentar a força, a resistência de uma pessoa artificialmente, foi encontrado no sangue do lutador. Uma quantidade mínima, que seria ainda resíduo da droga que causou sua suspensão de 15 meses. Como a Comissão Atlética de Nevada negou autorização para Jones lutar em Las Vegas, a saída absurda foi levar o evento para Los Angeles. Tudo para manter o combate principal entre Jones e o sueco Alexander Gustafsson.
Porém na luta que antecedia o retorno de Jones, Amanda Nunes faria história.
Se tornaria a primeira mulher a ter dois cinturões de campeã do UFC.
O do peso galo, que conquistou em 2016, e tomou o cinturão dos penas, de Cris Cyborg, que estava invicta há 13 anos. Entre os homens, só Conor McGregor e Daniel Cormier conseguiram ter dois cinturões do UFC ao mesmo tempo.
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O confronto entre as campeãs foi forçado pela filosofia 'dinheirista' WME-IMG. O confronto entre as brasileiras chamaria a atenção do mungo, como realmente chamou.
E pouco importava aos chineses a injustiça do confronto.
Amanda é, por natureza, lutadora peso galo e estava acostumada a ter o limite de 61,2 quilos para lutar. Já Cris Cyborg era campeã dos galos, chegando até 65,7 quilos. É uma diferença significativa e que influencia a força dos golpes.
Cyborg era absolutamente favorita nas bolsas de apostas. Na proporção de 74% contra 26% de Amanda. Era a lógica imperando. Cris tinha apenas uma derrota contra 20 vitórias. Há 13 anos devastava as adversárias. Já Amanda 16 vitórias e quatro derrotas.
Só que espetaculares 51 segundos 'reverteram a lógica'.
Cris tomou como verdade absoluta a obrigação de vencer, de justificar o favoritismo. E menosprezou o também incrível potencial de nocaute de Amanda.
A paranaense fez exatamente o que a baiana esperava.
Cris Cyborg não teve a mínima paciência. Entrou obcecada, cega de vontade de agradar o público, os fãs, a imprensa. Mostrar outra vez em um evento enorme como o de hoje que é a melhor lutadora de MMA de todos os tempos.
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E partiu para a troca de socos de forma tão intensa quanto ingênua. Se deixou dominar pela certeza que nocautearia Amanda. E não se preocupou em se defender, em manter a guarda alta. Socar e se proteger. Menosprezou a precisão e a força da baiana.
Pagou caro demais pela falta de frieza.
Amanda até sentiu um direto que pegou de raspão, o que animou ainda mais Cyborg. Ela abriu de vez a guarda. Tomou um cruzado de esquerda e um direto de encontro. Ela dobrou os joelhos e tentou agarrar a baiana.
Os golpes não só derrubaram Cris, como a desnortearam, a envergonharam.
Ela se levantou, desnorteada, e queria se vingar.
Mas estava abalada e ainda mais escancarada.
Tomou mais diretos e cruzados violentíssimos. Caiu mais duas vezes, para espanto dela e do público em Los Angeles.
Até que veio o cruzado de direita, em cima da orelha esquerda de Cyborg, que a fez mergulhar, nocauteada.
51 segundos.

Amanda ficou histérica de alegria.
Provocou Dana White, colocou os dois merecidos cinturões, correu pelo octógono, beijou a namorada Nina Ansaroff.
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Ganhou de maneira justa o prêmio de 50 mil dólares, cerca de R$ 193 mil, pela performance da noite.
Revistas especializadas garantiam que com a luta e mais o pay-per-view, Amanda e Cris poderiam embolsar cerca de R$ 1 milhão cada.
O confronto de hoje mostrou de vez a importância das mulheres no MMA.
Ainda mais de Amanda Nunes, que derrotou duas lendas.
Ronda Rousey e Cyborg.
A possibilidade de uma revanche é justa.
Mas vai depender dos chineses WME-IMG decidir se será lucrativo.
Na principal luta da noite, Jon Jones se impôs diante de Alexander Gustafsson. Os 15 meses sem lutar pesaram nos dois primeiros rounds. Jones estava travado, preocupado mais em se defender, controlar a luta. Não caiu no mesmo erro de Cyborg. A troca de golpes já estava favorável ao norte-americano.
Até que chegou o terceiro round e ele conseguiu o que queria: derrubar Gustafsson. No chão, Jones mostrou incrível superioridade, aprimorada com intenso treinamento e competições de jiu-jitsu, quando estava suspenso. Resultado: depois de uma sucessão de trocas de posição, Jones imobilizou o assustado Gustafsson. E aplicou uma saraivada de socos de esquerda. A luta teve de ser paralisada, com vitória do melhor lutador de MMA da história.
Quebrou o recorde de vitórias, 17, entre os meio-pesados. E de finalizações, dez.
Lógico que o cenário para o futuro é claro.
Jones quer enfrentar pela terceira vez Daniel Cormier, a quem venceu facilmente nos dois primeiros confrontos.

Realizar uma super-luta.
Nela dois cinturões estarão em disputa.
O do meio-pesados e o dos pesados.
A venda de pay-per-view estará garantida.
Como adora o grupo WWE-IMG.
Jon Jones pode estar eufórico com a volta.
Com a vitória.
Mas Amanda Nunes não só tirou o cinturão de Cyborg.
Roubou a noite.
Foi a 'dona' do UFC 232.
E fez história...
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