A maldição de Tite. Depois de fracassar na Seleção, em duas Copas, segunda demissão constrangedora. Depois do Flamengo, adeus Cruzeiro. Filipe Luís é o sonho em BH
Tite só conseguiu dirigir o bilionário elenco do Cruzeiro em 17 jogos. Xingado ontem de novo, depois de seu caótico time ficar 30 minutos com um a mais e apenas empatar com o Vasco, Pedro Lourenço se conscientizou. E o demitiu. A tentativa primeira é Filipe Luís

O brilho no olhar desapareceu.
A apatia chamava a atenção.
Pior só as atuações constrangedoras do seu time.
Espaçado, sem organização para atacar, vivendo de cruzamentos ou jogadas individuais.
Seu auxiliar, e filho, Matheus, dando mais instruções do que ele.
O ‘veneno’ indefensável foi a comparação com o trabalho de Leonardo Jardim, em 2025, comandando o mesmo elenco, sem Gerson.
Bastaram três meses de um trabalho fraquíssimo e a alegria se transformou em agonia.
Para os torcedores e para a diretoria.
E no 17º jogo, ontem, no Mineirão, a paciência de Pedro Lourenço, que garantia a permanência do técnico até, pelo menos, dezembro, acabou.
O Cruzeiro ficou com um jogador a mais por 30 minutos; mesmo assim, só empatou com o limitado elenco vascaíno por 3 a 3, em pleno Mineirão.
Ouvindo os torcedores vaiarem o time e xingarem, com raiva, o treinador.
O Cruzeiro é penúltimo colocado no Brasileiro.
Mas muito pior que a vexatória classificação é a maneira perdida, sem rumo, que o time vinha atuando.
Com a interferência exagerada de Matheus, o filho e auxiliar do treinador.
E Tite completou mais um fracasso na carreira.
Depois da saída constrangedora da Seleção, fracassando seguidamente em duas Copas, seus dois trabalhos foram constrangedores.
Demitido sumariamente, sem direito sequer a dar entrevista coletiva.
O bilionário Pedro Lourenço não quis anunciar a saída. Deixou o vice de futebol, Pedro Junio, dar a notícia, que foi comemorada por cruzeirenses nas redes sociais. Como os flamenguistas fizeram em 2024.
O sonho de Pedrinho, dono da SAF cruzeirense, é Filipe Luís. Seus principais argumentos para o ex-treinador flamenguista são o elenco excelente que seu clube tem.
E dinheiro.
Ele está disposto a pagar mais os R$ 2,1 milhões que Filipe Luís recebia na Gávea.
Na lista especulada pela imprensa mineira, há Arthur Jorge e Marcelo Gallardo.
A demissão foi adiada o máximo que Pedrinho conseguiu.
Dirigentes da principal organizada do Cruzeiro, a Máfia Azul, haviam avisado. Pessoalmente, chefes da torcida disseram para Tite que o queriam longe do Cruzeiro.
E avisaram: ganhar o Campeonato Mineiro nada significaria. Eles cumpriram a promessa. Cobrando forte, vaiando, xingando Tite.
Os torcedores acompanharam ontem um novo fracasso. O Cruzeiro já havia perdido para o Flamengo, com o time de Leonardo Jardim se impondo com tanta facilidade, que havia quem apostasse que a demissão de Tite seria quarta-feira.
Esse foi o depoimento de Junio, avisando a demissão. Ele estava abertamente constrangido.
“Primeiramente, quero pedir desculpas à Nação Azul pela nossa campanha no Campeonato Brasileiro. Não é digna do nosso torcedor a campanha que a gente vem fazendo.
“E a gente veio comunicar o desligamento da comissão técnica do Tite. A gente agradece o Tite e toda a sua comissão pelo serviço prestado ao Cruzeiro, foram de entrega e dedicação, mas os nossos resultados e o nosso desempenho nos fazem tomar essa decisão da troca.
" E, a partir de amanhã (hoje), o nosso Wesley Carvalho, que é o interino da casa, assume o time. E, a partir de hoje, eu, mais a minha diretoria de futebol, o Bruno Spindel, o Joaquim, vamos em busca do novo profissional para trabalhar no Cruzeiro, para a gente ter a sequência do Campeonato Brasileiro e nos recuperarmos o mais rápido possível.”
Tite vive o pior momento de sua carreira.
Aos 64 anos, depois de ser o único treinador a ter um ciclo de seis anos seguidos na Seleção e fracassar em duas Copas, veio o fracasso com o Flamengo.
A crise de síndrome de pânico, quando iria assumir o Corinthians, veio e se tornou pública. Em abril de 2025. Oito meses depois, assinou com o Cruzeiro.
Não suportou três meses.
Não há defesa para o trabalho de Adenor.

Foram 17 partidas.
Com derrotas para o Pouso Alegre, Democrata e Atlético, no Mineiro. No Brasileiro, goleada por 4 a 0 para o Botafogo, perdeu para o Coritiba, no Mineirão, e a derrota mais do que significativa foi para o Flamengo, por 2 a 0. O time de Leonardo Jardim fez o que quis, poderia fazer muitos outros gols.
E ontem foi a gota d’água com o 3 a 3 diante do Vasco.
Com um jogador a mais, por 30 minutos, depois da expulsão de Barros, foi inaceitável.
Faz pelo menos um mês que começou o coro, no Mineirão.
Adeus, Titeeeeeeeeee...
Agora os torcedores poderão poupar suas vozes.
Tite está longe do Cruzeiro.
E não volta...













