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Presidente do Bayern de Munique admite fraude fiscal e pode pegar até dez anos de prisão

Uli Hoeness se entregou à Justiça e pode perder o cargo no atual campeão mundial

|Do R7

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Hoeness (à esq.) conversa com o diretor Karl-Heinz Rummenigge
Hoeness (à esq.) conversa com o diretor Karl-Heinz Rummenigge

Uli Hoeness, presidente do Bayern de Munique, reconheceu nesta segunda-feira (10) que fraudou o fisco alemão durante anos, no início de um julgamento no qual pode ser condenado a uma pena de prisão.

"Não paguei impostos", admitiu o presidente do clube de futebol mais vitorioso da Alemanha, de 62 anos, pouco depois do início do julgamento, que deve durar quatro dias.


O dirigente reconhece ter fraudado o fisco alemão em pelo menos 18,5 milhões de euros, segundo documentos da defesa. O valor é observado nos documentos bancários que o advogado de Hoeness entregou ao tribunal há alguns dias.

Em um primeiro momento, a procuradoria de Munique acusou Hoeness de não ter pago 3,5 milhões de euros de impostos. O presidente do clube de futebol havia omitido em sua declaração à administração fiscal 33,5 milhões de euros de lucros, graças a uma conta secreta na Suíça.


Visivelmente abalado, Hoeness falou sobre o epispódio e admitiu sua culpa. 

— Lamento profundamente meu comportamento delitivo. Desejo esclarecer este triste capítulo da vida.


Ele, no entanto, recordou que destinou cinco milhões de euros a obras sociais.

— Não sou um parasita social. 


O presidente do Bayern optou em janeiro de 2013 por denunciar a si mesmo ao fisco, para regularizar sua situação. O procedimento permite solucionar o caso com o pagamento de uma grande multa e evita que o autor da fraude seja condenado à prisão.

Mas a promotoria de Munique considera o procedimento inválido, pois está convencida de que Hoeness temia ser denunciado em breve pela imprensa.

De fato, na época os jornais da Alemanha estavam seguindo a pista de uma conta na Suíça de um importante dirigente do mundo do futebol, mas não revelaram o nome do investigado.

Hoeness foi detido em 20 de março de 2013 e liberado após o pagamento de uma fiança de cinco milhões de euros (6,8 milhões de dólares). Na ocasião, sua mansão na Baviera foi alvo de uma operação de busca.

Se o tribunal aceitar a auto-denúncia como válida, o acusado poderá solucionar o caso com uma multa. Mas se considerar que optou muito tarde pela estratégia, Hoeness pode ser condenado a até dez anos de prisão.

Em geral, quando a fraude supera um milhão de euros, a justiça alemã costuma punir com sentença de prisão.

O risco para Hoeness é acentuado quando se sabe que o juiz escolhido para o caso tem a reputação de ser inflexível.

Até agora, o ex-atacante se manteve à frente do clube bávaro graças ao apoio de acionários poderosos como Adidas, Audi ou Deutsche Telekom, mas uma condenação deve obrigá-lo a renunciar ao cargo.

Campeão mundial com a seleção alemã em 1974, Hoeness precisou encerrar sua carreira de jogador com apenas 27 anos, por causa de uma grave lesão.

Ele começou trabalhando como dirigente do Bayern em 1979 e assumiu a presidência 30 anos depois, substituindo o lendário Franz Beckenbauer.

No seu mandato, o clube se tornou um dos mais ricos e mais vitoriosos do planeta, conquistando no ano passado a inédita 'tríplice coroa' (Bundesliga, Liga dos Campeões e Liga dos Campeões).

Antes do escândalo de fraude fiscal, Hoeness era visto como uma autoridade moral na Alemanha, vivendo, em aparência, uma vida simples, ao lado da esposa, com a qual está casado há 40 anos.

Ele também mostrou-se várias vezes próximo do partido conservador, da chanceler Angela Merkel, que recentemente se disse "decepcionada" com o dirigente.

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