'O objetivo é confirmar o nosso potencial', diz presidente do COB

Faltando pouco mais de seis meses para os Jogos de Tóquio, o Comitê Olímpico do Brasil (COB) já utiliza suas instalações que servirão para aclimatação da delegação nacional. Desde 2014 a entidade faz visitas rotineiras ao Japão e nesta entrevista exclusiva o presidente do COB, Paulo Wanderley, conta detalhes do planejamento, que contará com nove sedes espalhadas pelo Japão.

Como surgiu a ideia de ter nove sedes diferentes?

Pelas características locais, não havia disponibilidade de uma instalação única que atendesse integralmente ao nosso planejamento, como tivemos em 2008, 2012 e 2016. Existem universidades muito boas no Japão, mas algumas estavam com um custo alto ou apresentavam impedimentos de datas. Existe um grande Centro de Treinamento em Tóquio e vários outros pequenos centros específicos, por modalidade, que obviamente já estavam com a equipe japonesa. E existem vários espaços educacionais e esportivos ao redor do país, que foram indicados e apresentados ao Brasil pelo Comitê Olímpico Japonês (COJ), em conjunto com as prefeituras responsáveis. Essas são as opções que o Time Brasil está usufruindo desde 2018.

Como foi a negociação por esses espaços?

Realizamos uma negociação interessante para o Brasil para que a utilização desses espaços não gerasse custos financeiros ao COB. Existe um acordo para que, em troca da utilização desses espaços, realizemos ações sociais de promoção do esporte, dos valores olímpicos e de integração com a comunidade e as escolas locais. Essas iniciativa se mostrou muito positiva para o COB, para as equipes, para os atletas brasileiros e para as prefeituras locais.

Quanto custará a operação para os Jogos de Tóquio?

O projeto ainda está em andamento. O custo final da operação será divulgado ao final dos Jogos. Temos contato direto com Comitês Olímpicos de outros países, como Austrália, Canadá e EUA, e acompanhamos os custos relacionados às suas equipes a fim de comparar com nossas ações e estimativas. Ao longo dos últimos dois anos fizemos também uma reserva financeira para cobrir essa missão, pois alta do dólar naturalmente eleva o custo final.

Esse investimento pode se reverter na melhor campanha?

Não podemos garantir que teremos o melhor resultado da história. Podemos garantir que estamos trabalhando muito para alcançar resultados condizentes com o potencial do país no mundo olímpico, similares aos resultados que o Brasil obteve nos Mundiais realizados nesse último ciclo olímpico. Nossos objetivos são confirmar nosso potencial e termos surpresas mais positivas do que negativas.