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Medo de punição faz atletas militares abolirem 'moda' do Pan

Judoca e militar, Rafaela Silva evitou prestar continência para não perder a medalha

|André Avelar e Dado Abreu, do R7, no Rio

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Terceira sargento da Marinha, Rafaela recebe medalha de ouro
Terceira sargento da Marinha, Rafaela recebe medalha de ouro

A terceiro sargento da Marinha, Rafaela Silva, subiu ao pódio olímpico nesta segunda-feira (8) e recebeu a suada medalha de ouro. Foi a primeira do Brasil na Rio 2016. Mas, no momento em que o hino nacional tocou, a judoca não bateu continência como fez há um ano atrás, em Toronto, durante os Jogos Pan-Americanos.

Na época, a cena dos atletas brasileiros batendo continência em cima do pódio tornou-se repetitiva. O motivo é uma parceria entre o Ministério da Defesa e o Ministério do Esporte, que fez com que vários atletas da elite se alistassem nas Forças Armadas e passassem a ser militares, recebendo salário, assistência médica e outros direitos.


“Essas regras costumam mudar bastante. Antes nem podia fazer o sinal da cruz que você já seria desclassificado da competição. Então, para não correr o risco de perder a minha medalha, continuei com a mão no lugar”, disse Rafaela, sorrindo com o ouro no peito.

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A regra a que a sargento da Marinha e campeã olímpica se refere está nas leis do COI (Comitê Olímpico Internacional), mais precisamente no artigo 50, que diz que é proibido "qualquer manifestação de propaganda política, religiosa ou racial dentro das áreas olímpicas". A punição pode gerar suspensão, multa e até a perda da medalha. Em 1968, o velocista norte-americano Tommie Smith foi obrigado a devolver sua medalha depois que fez o gesto do movimento Black Power ao vencer os 200 metros rasos nos Jogos de Munique.

Nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, o Time Brasil conta com 145 atletas militares. Entre eles, Felipe Wu, prata no tiro esportivo na pistola de ar 10 metros, que não se importou com uma possível punição e prestou continência à bandeira nacional quando recebeu sua medalha no sábado, no Parque de Deodoro. A sorte de Wu é que o COI tem evitado o conflito em questões como essa.

Segundo as Forças Armadas, que anualmente investem aproximadamente R$ 15 milhões em salários para os atletas militares com recursos do Ministério da Defesa, o gesto no pódio não é obrigatório.

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