O rápido Marcelo é conhecido pela movimentação em campo, mas fora das quatro linhas também é visto pelos colegas como dono de uma alegria contagiante que faz dele um dos principais responsáveis pelo bom ambiente na seleção brasileira.
O jogador do Real Madrid deu uma demonstração disso na quarta-feira, primeiro dia de treino com bola na Granja Comary, fazendo um belo gol de cabeça e comemorando com um 'peixinho' no gramado molhado, arrancando gargalhadas dos colegas.
"Eu era tímido, mas já mudei e não sou mais. É normal chegar aqui alegre. Estar aqui é um sonho para qualquer jogador, por isso estou sempre alegre, feliz", declarou Marcelo em uma entrevista coletiva concedida nesta quinta-feira.
Sucessor de Roberto Carlos na lateral esquerda do Real e do Brasil, o jogador formado nas categorias de base do Fluminense também é considerado um dos melhores do mundo na sua posição.
Mesmo assim, prefere "escrever sua própria história".
"Sempre disse que não sou o novo Roberto Carlos. Roberto Carlos foi RC, ganhou o que ganhou no futebol, respeito muito, continua sendo meu ídolo e espero seguir os passos dele", explicou.
A principal diferença entre os dois é a cabeleira. Enquanto Marcelo ostenta um volumoso 'Black Power', seu antecessor liderava o clube dos carequinhas da seleção com seu grande amigo, Ronaldo 'Fenômeno'. Na seleção atual, Marcelo encabeça a turma dos cabeludos, com Dante, Willian e David Luiz.
Na vitória por 4 a 1 sobre o Atlético de Madri na decisão da Liga dos Campeões, o lateral de 26 anos foi um dos grandes personagens da final, entre risos e lágrimas.
Marcelo começou no banco, mas sua entrada no segundo tempo deu um novo ânimo à equipe. Autor do terceiro gol do Real na prorrogação, ele emocionou os torcedores ao chorar como criança diante das câmeras.
"Foi uma temporada difícil para mim. Só eu sei o que passei para jogar aquele jogo, fazer um gol e ganhar. Foi um alívio de dever cumprido. Aquele gol foi graças a muita ajuda da família e muito sacrifício", disse.
Seu técnico no Real, Carlo Ancelotti, elogiou muito a atitude do jogador.
"Ele não ficou nada feliz por começar no banco e, quando entrou, mostrou muita determinação e foi decisivo", havia comentado o italiano depois da final da 'Champions'.
Para poder comemorar o tão esperado décimo título europeu do Real, que o clube cobiçava há 12 anos, Marcelo foi autorizado a se apresentar depois do restante do grupo na Granja Comary.
Ele poderia ter chegado até quarta-feira, mas resolveu se apresentar logo na manhã de terça, "por conta própria", revelou o coordenador técnico Carlos Alberto Parreira.
Quando chegou, foi muito festejado pelos companheiros, entre eles o goleiro Júlio César - o mais experiente do grupo, com 34 anos -, que o apontou como um dos líderes da 'bagunça' que levanta o astral da equipe, junto com Fred.
"Marcelo e Fred são incríveis para o ambiente, são demais. Estão sempre colocando o clima para cima, e isso faz a gente ficar descontraído. Lá dentro, precisamos de jogadores assim. Eles têm um papel fundamental nisso", revelou o goleiro titular da seleção em entrevista coletiva concedida na terça.
No entanto, Marcelo é muito mais do que um simples brincalhão. Muito habilidoso, é um jogador versátil, que pode até atuar como meia, como aconteceu na final da 'Champions'. Seu entrosamento com Neymar faz do lado esquerdo o ponto de partida de muitos ataques da seleção brasileira.
Ele já foi muitas vezes criticado em sua carreira por apoiar demais o ataque e deixar de lado as tarefas defensivas.
A experiência recente com técnicos consagrados, como Ancelotti ou o português José Mourinho, permitiram ao lateral melhorar o seu posicionamento tático. E ele vai colocar essa evolução à prova nesta Copa.
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