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Em crise, São Paulo tem que se espelhar no próprio passado para poder sobreviver

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O São Paulo vai precisar se espelhar no próprio passado para sobreviver no futuro. O clube, antes modelo de gestão e de organização, vive a maior crise política da história e procura encontrar caminhos para trilhar e voltar a honrar o apelido de "Soberano", como os torcedores gostam de se referir à equipe.

Com 85 anos de atividade, o atual São Paulo pouco tem se preocupado pelo que se passa no futebol. O foco está mais voltado ao que se passa no salão nobre do Morumbi, onde circulam os dirigentes, do que para possíveis resultados obtidos no gramado do estádio.

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As graves acusações de irregularidades contra o ex-presidente Carlos Miguel Aidar causaram a saída dele na última semana. O dirigente renunciou, algo que não ocorria desde 1938. A decisão colocou em evidência a necessidade do tradicional clube se reorganizar para voltar a ser o exemplo para os demais times brasileiros.

A crise política é a face mais gritante do momento tenebroso. O clube aguarda a eleição do fim do mês para ver quem se sentará no gabinete da presidência e terá que resolver outro desafio, dar um jeito de sanar a dívida de R$ 273 milhões. "Torço para que a paz seja restabelecida e que o São Paulo volte a ter tranquilidade", pediu o goleiro Rogério Ceni.

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Para tentar sair do sufoco o clube deverá agir em várias frentes, segundo ex-dirigentes ouvidos pela reportagem. Será necessário achar soluções para os problemas financeiros, além de ações para pacificar o clube. "Para resolver a complexa situação do São Paulo vai ter que ser alguém muito criativo. O clube é envelhecido tanto nas pessoas, como nas ideias. Precisamos de alguém que traga novas propostas", explicou o ex-presidente Fernando Casal de Rey, que comandou a gestão entre 1994 e 1998.

Nesta temporada, alguns problemas também respingaram no elenco. O São Paulo precisou vender jogadores para poder pagar os quatro meses de direitos de imagem atrasados do elenco. Alexandre Pato chegou inclusive a acionar a Justiça para resolver o problema.

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Diante do caos, o São Paulo quer contratar profissionais da área de finanças para ajudar na gestão. "Eu quero modernizar a gestão. Não é possível administrar o clube como era há 30, 40 anos. Hoje a realidade é outra", prometeu o presidente interino Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, que assumiu a vaga de Aidar e já é candidato para o pleito do próximo dia 27. O adversário dele deve ser Paulo Amaral, presidente do clube entre 2000 e 2002.

ROMPIMENTO - Os motivos que fizeram o São Paulo se perder e entrar na crise ainda não estão claros. Um dos mais significativos foi a briga entre Aidar e o antecessor, Juvenal Juvêncio, em setembro de 2014. Um passou a culpar o outro pela dívida e também pela divulgação de dados imprecisos no balanço. "Não se cuidou do caixa do São Paulo entre 2003 e 2014", disse o então presidente Aidar em entrevista exclusiva em julho. "A culpa da dívida do clube é dele", rebateu Juvêncio na ocasião.

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A briga política rachou o clube e iniciou um processo de crise culminado na renúncia de Aidar, na última terça-feira, entre graves acusações de desvio de dinheiro, demissão da diretoria e rompimento com aliados.

"O que o São Paulo mais precisa agora é de unidade. O clube está enfraquecido demais por tudo o que vem acontecendo", comentou o ex-vice-presidente Roberto Natel.

A lista de problemas tem ainda o caso Iago Maidana, contratação irregular que pode trazer como punição o rebaixamento, e a série de investigações internas para apurar as denúncias contra Aidar. Um grupo da oposição chegou a protocolar um ofício para pedir a expulsão dele do quadro de sócios juntamente com o ex-vice-presidente Ataíde Gil Guerreiro. Os dois teriam brigado em uma reunião da diretoria.

A repercussão de tudo isso manchou a reputação do clube. "Esperamos que nossa credibilidade volte. Temos condição de virar esse jogo", disse Leco, ao manifestar preocupação com a dificuldade de resolver outro problema, a falta de patrocinador master. Desde julho do ano passado o time está sem.

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