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CBVela terá plataforma para monitorar velejadores e gerir informações técnicas

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Esporte que mais trouxe medalhas de ouro olímpicas ao País, a vela está ganhando um aliado importante visando pódios os Jogos de Tóquio-2020: uma plataforma para gestão de informação e acompanhamento de atletas brasileiros. A intenção da Confederação Brasileira de Vela (CBVela) é monitorar velejadores com potencial olímpico e formar, ao mesmo tempo, uma grande rede de informações com dados que vão desde locais de disputas até regulagem de barcos.

Batizado de Sailing Solutions, o software foi desenvolvido sob medida para a CBVela a partir de um programa que já era utilizado pelo técnico espanhol Javier Torres, que treina as campeãs olímpicas Martine Grael e Kahena Kunze.

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"O grande objetivo dessa plataforma é gerir o conhecimento em quatro grandes pilares: acompanhar a preparação detalhada dos atletas que a gente identifica como destaques, ter gestão de informação das áreas de competição, ter gestão de informação das classes olímpicas e uniformizar o planejamento dos velejadores", explica Daniel Santiago, diretor executivo da confederação.

Santiago ressalta que a plataforma não será um simples banco de dados, mas um programa voltado a velejadores de ponta - inclusive no que diz respeito a sua formação. "Esse sistema está ligado a um programa de desenvolvimento individual de atletas", diz o diretor. "Nem sempre quem ganha um campeonato é o melhor velejador."

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O programa permitirá que atletas e técnicos insiram dados como programação de treinos e de disputas, além de informar questões técnicas, como regulagem dos barcos e condições de ventos nas regatas disputadas. Isso permitirá que a CBVela saiba, por exemplo, o que os atletas do País poderão encontrar em disputas futuras. O melhor exemplo é a própria Olimpíada de Tóquio, já que competições no Japão não são das mais comuns.

"A vela é um esporte que lida com uma série de variáveis - tem regulagem do barco, condição local, o jeito de velejar. Uns são melhores largando, outros na tática de regata", comenta Daniel Santiago. "Isso ficava muito na percepção dos treinadores, sem que fosse organizado e mapeado de maneira profissional, que nos desse gestão do conhecimento."

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O programa será lançado no próximo dia 5, em Recife, durante a Copa da Juventude - principal competição nacional da vela jovem. Um treinamento será dado para técnicos que têm programas de treinamento definidos. Técnicos da seleção brasileira também já estão sendo preparados.

A intenção da CBVela é que nos próximos anos a inserção de dados se torne obrigatória por parte dos treinadores e principais atletas do país - estima-se que o número fique entre 250 e 300 profissionais. "O programa junta muito conhecimento e muita ciência. Hoje, não tem como desacoplar ciência do esporte. Questões envolvendo preparador físico, nutricionista, fisiologista, essas informações vão estar todas inseridas", destaca Walter Böddener, um dos técnicos da CBVela.

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Quem inserir os dados terá acesso a informações que ajudarão no desenvolvimento da própria preparação. Mas a gestão total dos dados ficará restrita a praticamente uma pessoa: o medalhista olímpico Torben Grael, que é coordenador técnico da CBVela. "Os acessos são por nível de informação. O Torben vai ter o login master e vai poder olhar todos os atletas do Brasil, regulagens e afins. Outros técnicos não vão ter essa informação", ressalta Daniel Santiago.

FINANCIAMENTO - O projeto custou US$ 60 mil (R$ 190 mil), valor que não precisou ser desembolsado pela confederação. "O Comitê Olímpico Internacional (COI) tem uma comissão, que é a Solidariedade Olímpica Internacional. Ela busca apoiar ideias, projetos, com os comitês nacionais, para o desenvolvimento esportivo, tanto de atletas quanto de treinadores", explica Cristina Gil, Gestora de Alto Rendimento do Comitê Olímpico do Brasil (COB). "Apresentamos o projeto, ele passou pelo aval da Federação Internacional de Vela e foi aprovado no programa de projetos especiais da Solidariedade Olímpica."

O valor foi utilizado para a compra do servidor, licenças, pagamento de coordenadores, capacitação e customização do software. Até os Jogos de Tóquio-2020, o COI bancará os custos anualmente.

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