A incógnita sobre a sede dos Jogos Olímpicos de 2020, pela qual duelam Madri, Tóquio e Istambul, será desvendada neste sábado em Buenos Aires em votação dos membros do COI, num processo de extremo sigilo.
As delegações de três cidades organizam neste sexta-feira seus últimos esforços em pró do objetivo de sediar os Jogos de 2020 antes da votação decisiva do Comitê Olímpico Internacional (COI).
Entre as três cidades postulantes, Madri se apresenta como a candidata da austeridade, com um orçamento estimado em 3.100 bilhões de dólares e várias obras já realizadas para as candidaturas derrotadas em 2012 e 2016.
A crise econômica que atinge a Espanha desde 2011 pode diminuir as chances de Madri, cidade de 3.3 milhões de habitantes que poderia encarar protestos como vistos no Brasil durante a recente Copa das Confederações, quando manifestantes foram às ruas em grandes números reclamar dos gastos públicos bilionários em competições esportivas.
"Se o problema é a situação econômica da Espanha, a candidatura está garantida porque 80% já está construído", disse à AFP o presidente do Comitê Olímpico espanhol, Alejandro Blanco.
Blanco, que também preside a candidatura da capital espanhola, afirmou também que a situação econômica é cíclica e países como "França, Espanha, Itália e Alemanha sobem e descem".
A delegação espanhola desembarca na capital argentina com figuras importantes, como o presidente do governo, Mariano Rajoy, e o príncipe Felipe de Bourbon, que apresentará o projeto, enquanto o jogador de basquete Paul Gasol, do Los Angeles Lakers da NBA, encabeça os esportistas.
Outro símbolo catalão, o astro argentino Lionel Messi, do Barcelona, deu seu apoio à capital espanhola, cuja candidatura é bem vista por 91% dos espanhóis, de acordo com pesquisa divulgada em Buenos Aires.
Como as adversárias, a delegação japonesa terá no sábado 45 minutos para convencer os membros do COI que a crise na usina nuclear de Fukushima de 2011 já não contamina a água, o que não causará problemas com os alimentos da região.
Com um orçamento de 3.420 bilhões de dólares, a candidatura do Japão se baseia na recuperação de algumas das instalações dos Jogos de 1964 e uma organização de infraestrutura "compacta", assim como em seu exemplar programa antidoping.
O Japão tem "um importante programa antidoping que começa com cada estudante do ensino secundário e estende esta cultura à toda sociedade, o que garantiu que nenhum atleta japonês tenha sido pego num exame antidoping nos Jogos Olímpicos", disse na quinta-feira Diachi Suzuki, medalha de ouro em Seul-1988, em coletiva de imprensa em Buenos Aires.
O primeiro ministro japonês, Shinzo Abe, estará na capital argentina para defender a candidatura de Tóquio.
Istambul, com um orçamento estimado em 2.900 bilhões de dólares, se intitula "a ponte entre os continentes", e poderia ser o primeiro país de maioria muçulmana a receber uma Olimpíada.
Hasan Arat, chefe da candidatura de Istambul, disse que se esforçará até o fim para que a cidade turca seja escolhida como sede dos Jogos de 2020.
"Sou um jogador de basquete, jogarei até o último segundo", declarou.
Nesta sexta-feira, a mais de 24 horas do anuncio previsto para este sábado às 17h00 (horário de Brasília), Tóquio era a favorita nas casas de apostas britânicas, à frente de Madri e de Istambul, apesar das notícias de vazamentos radioativos na usina nuclear de Fukushima, que sofreu um acidente em 2011.
A mídia japonesas, porém, lembrou que nos Jogos de 2012 e 2016, quando foram escolhidas Londres e o Rio de Janeiro, respectivamente, os líderes nas casas de apostas acabaram derrotados (Paris e Chicago).
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