Lance Valeu muito! Entenda como Fair Play financeiro na França contribuiu para PSG selar contratação de Messi

Valeu muito! Entenda como Fair Play financeiro na França contribuiu para PSG selar contratação de Messi

Ao LANCE!, especialistas contam o que pesou para clube parisiense contratar jogador de 34 anos e traçam panorama sobre situações do astro, do PSG e do Barcelona

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A maneira como o PSG conseguiu oficializar a contratação de Messi deu o que falar no futebol europeu. Para a concretização do acordo com o futuro camisa 30, ocorrido nesta terça-feira (10), pesou uma peculiaridade na França em relação ao Fair Play financeiro dos clubes. O limite de gastos tinha sido obstáculo para Barcelona garantir a permanência do seu camisa 10.

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Lionel Messi - PSG

Lionel Messi - PSG

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Messi chega à capital da França (Sameer Al-DOUMY / AFP)

Consultor de gestão e finanças do esporte, o economista Cesar Grafietti apontou o contraste no controle financeiro dos dois países.

- A Uefa e basicamente todas as ligas da Europa tinham parado os controles de Fair Play financeiro devido à pandemia. Com isto, muitos flexibilizaram demais as contas, pois a maioria não caberia no projeto... Por isto, a Uefa ainda redesenha o projeto de uma volta do limite de gastos em 2022/2023. A Espanha, porém, antecipou este retorno. Além de considerar a média dos últimos anos e até uma expectativa de volta de público para esta temporada, seguiu com o limite de que nenhuma folha de pagamento pode exceder 70% em relação às receitas. A França também retomaria este Fair Play nesta temporada mas, a pedido dos clubes, houve a prorrogação até 2023/2024 - apontou ao LANCE!, ressaltando:

- O PSG fez varias contratações, mas a rigor só gastou ao trazer o Hakimi, que custou 70 milhões de euros (R$ 415 milhões). O clube aproveitou os controles flexibilizados e entrou com estas contratações. A meu ver, o PSG aproveitou uma janela de oportunidade. Pensou em "estourar" o limite nesta temporada e, na próxima, fazer uma receita a partir do meio de ano vendendo jogadores para reorganizar sua estrutura. A partir do momento de 2022/2023, começa a enquadrar. Aí o acionista do fundo do Qatar ajuda a ajustar as contas... - completou.


Ao seus olhos, a chegada do astro faz parte de uma guinada ousada do PSG.

- É o que chamamos de "all in" (tudo ou nada). O PSG trouxe Messi e Sergio Ramos, que são veteranos mas icônicos para suas posições. Além disto, contratou o jovem Donnarruma, o Hakimi... São jogadores para ganhar agora, pois o clube precisa sair deste estigma de que não vence. O PSG tem ainda uma disputa particular com o Manchester City sobre qual clube com grande investidor vence primeiro uma competição de grande porte. O objetivo ao longo da temporada é dar um salto grande de premiação, ter mais torcida, ir mais distante nas competições, ter conquistas... É um risco mas, pensando no que o PSG fez, é um risco bastante calculado. O clube tem um leque de opções para para fazer uma jogada ousada. Surge como favorito à Champions, com uma grande quantidade de receita, grande qualidade em campo. Fica uma pressão para que a expectativa em torno do time se torne realidade... - disse.

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Sócio da Sports Value, Amir Somoggi vê uma diferença fundamental entre o clube "blaugrana" e o PSG.

- Somos confrontados com dois modelos de clubes. O Barcelona é uma associação com suas limitações, enquanto o PSG que tem um fundo de investimento do Qatar por trás, um clube-nação, time-estado - disse.

O especialista em marketing e gestão esportiva detalha o momento dos dois clubes financeiramente.

- O Barcelona fechou com 97 milhões de euros de prejuízo em 2020, enquanto o clube parisiense teve déficit na casa dos 124 milhões de euros. O PSG não tem situação mais confortável que a do Barça. A folha do clube francês estava na casa dos 400 milhões de euros, um pouco abaixo que a do clube catalão... - e apontou uma dor de cabeça que ronda o Camp Nou:

- Um problema no Barcelona é em relação a contratações. Os dirigentes ainda pagam a conta do Coutinho, do Griezmann, do Dembelé. Isso pesa e o clube também tem de se equilibrar com a regulação dos gastos de 70% da receita em salários. A saída do Messi reduziu de 110% para 95%, o que prova que o Barça continua sangrando, pois a pandemia afetou muito a rotina do estádio. O Barcelona tem um prejuízo estimado em 487 milhões de euros. Em contrapartida, o PSG tem um aparato financeiro enorme. A emrpesa do Qatar injeta mais de 150 milhões de euros em patrocínios, ajuda o clube descaradamente - complementou.

Somoggi frisou que a chegada de Messi exigirá desafios ao PSG.

- O PSG mudou de estratégia ao trazer Sergio Ramos e Messi a custo zero, o que em tese dá uma "leveza". Mas, para pagar o atacante, que ganhava no Barcelona 130 milhões de euros por ano, o PSG terá de reduzir alguns custos. Por mais que a receita do Paris Saint-Germain cresça, o clube ganhe seguidor, a conta não fecha no curto prazo. Senão, vira um clube com folha ainda mais alta que se torna impraticável. O Barcelona chegou a 510 milhões e quebrou - e ressaltou:

- Sabemos que a pandemia é uma situação difícil, não dá para ter um cenário definitivo em relação a faturamento. Mas em tese tinham três clubes no mundo onde o astro poderia jogar: além do PSG, Real Madrid e o Manchester City. O mundo não pode se privar de ver o Messi - complementou.

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