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Seedorf nega influência de Memphis e exalta Corinthians: ‘Leão ferido é perigoso’

Treinador holandês explica motivos para aceitar o desafio no Timão

Lance|Do R7

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Seedorf comparou o elenco do Corinthians a um leão ferido e destacou o potencial
Seedorf comparou o elenco do Corinthians a um leão ferido e destacou o potencial Guilherme Lesnok/Lance

Clarence Seedorf foi apresentado pelo Corinthians na tarde desta quarta-feira (14), no CT Dr. Joaquim Grava, como novo treinador da equipe. O holandês chega com a missão de ajudar o clube a se afastar da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro.

Durante a entrevista coletiva, o novo comandante do Timão negou que Memphis Depay tenha sido decisivo para sua chegada ao clube e explicou os motivos que o levaram a aceitar o desafio de assumir a equipe.

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— Conheço o Memphis da Holanda, um jogador holandês. Às vezes estamos em contato. Mas ele não tem relação com a minha escolha, eu conhecia o Corinthians antes dele. Conheço muito bem o Corinthians e não é por ele. Tenho pessoas aqui, como Bruno Paiva e Marcelo Paz, que são pessoas que sempre me mantiveram informadas sobre o que está acontecendo no Brasil. O Corinthians sempre foi parte da conversa. Tenho amigos que passaram por aqui também. A escolha foi feita com consciência sobre a situação. O diretor Marcelo deu a sensação de que pode ser a oportunidade dos dois de voltarmos a ser protagonistas no futebol. Não podia deixar passar essa oportunidade. Não tenho medo e nem preocupação com isso, sei que o time vai apresentar aquilo que eu gosto. Intensidade, compacto, que é a identidade do Corinthians. Sei a história do clube, era sempre difícil de jogar contra — disse Seedorf.

O treinador também comentou o período em que esteve afastado do comando de equipes. Seu último trabalho como técnico foi à frente da seleção de Camarões, em 2019. Desde então, Seedorf desempenhou outras funções ligadas ao futebol, mas não assumiu um novo clube.

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— No futebol, cada ano tem times e clubes que passam por esses momentos, com treinadores de muita experiência, e não conseguem sair ou não fazem um bom trabalho. Eu não acho que tenha uma certeza quando alguém pega um trabalho. Foram vários anos que eu estava falando com a OTB para voltar ao Brasil e trabalhar como treinador. Essa situação é uma grande oportunidade para mim, é um dos maiores clubes do mundo. Isso não passa todo dia pelo seu caminho. Eu não fiquei sem estar no futebol, sempre estive próximo. Longe de um clube, não queria pegar as coisas que estavam me oferecendo, não acreditava nos projetos. Tive outros papéis como conselheiro e dirigente, analisando jogos de um nível alto, de Champions League. Eu vivi 30 anos nessa parte com os maiores treinadores do mundo."

Seedorf avalia momento do Corinthians no Brasileirão

O comandante também analisou a situação da equipe no Campeonato Brasileiro. Em 30 rodadas, o Corinthians conquistou apenas oito vitórias, além de oito empates e 14 derrotas, com aproveitamento de 35,6%. O clube ocupa a 16ª colocação, sendo o primeiro time fora da zona de rebaixamento.

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— Não é fácil chegar assim. Quando precisa de coragem, de pessoas que acreditam nos valores que o clube tem... Não precisamos explicar a história do clube. É um grupo com muito talento. Tem alguns resultados negativos, mas não significa que esse grupo não tem valor. Com trabalho e seriedade, tudo pode ser voltado com o apoio dos torcedores fantásticos. Esse grupo já mostrou ter muita vontade, é um leão ferido e isso é perigoso. Vamos poder transformar essa base com trabalho no dia a dia — aponta.

Seedorf também foi questionado sobre seu conhecimento dos adversários que o Corinthians enfrentará na reta final da temporada, na luta contra o rebaixamento. O holandês admitiu que ainda não conhece todos os detalhes das equipes, mas demonstrou confiança na comissão técnica para auxiliá-lo na preparação para os confrontos.

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— Deixa eu contar um pouco como eu trabalho... Quando eu jogava, muitas vezes eu não sabia contra quem jogava no mesmo dia. A minha mentalidade era saber o que fazer com o meu time. Como jogador era uma coisa, agora como treinador é diferente. Hoje em dia o treinador não precisa ver praticamente nada para saber sobre o adversário; tem muita gente boa para trabalhar aqui. Vamos ter tempo para analisar o adversário, o futebol é um esporte universal. Eu joguei em vários clubes do mundo e, no final, a bola é redonda e 11 jogadores contra 11. Joguei futebol 40 anos da minha vida, conheço futebol e não preciso de muito tempo para conhecer os jogadores que vamos enfrentar. Vamos respeitar todos — finaliza.

Outras respostas de Seedorf

Filosofia de trabalho e comissão técnica

— Estamos pensando em trazer mais uma pessoa, mas quero ressaltar a alta qualidade das pessoas que já trabalham aqui. O único fator para trazer pessoas como Pablo e, quem sabe, outra pessoa, é para acelerar o processo. Eu não tenho tempo para conversar com todo mundo. Pablo pode ajudar. É um cara estruturado, jogou futebol, treinou espanhol e tem cultura espanhola de futebol. Trabalhamos juntos desde La Coruña. Não estou aqui para explicar a minha vida, mas nunca me afastei do futebol. Ele é um cara de confiança e muito trabalhador, vai ser uma ponte com os outros profissionais aqui. E mais uma pessoa que sabe como eu penso.

Declarações de Gabriel Paulista e problemas financeiros

— Eu não estava aqui antes. Então, aconteceu. Mas eu quero ver para frente. Para mim, tudo o que aconteceu até agora é importante, mas não tanto. É muito mais importante o que vai ter amanhã e o que vamos construir juntos. Não vamos falar sobre coisas que a gente não controla. Esse clube é maior do que todos nós. Daqui a cem anos ainda terá torcedores. Temos que nos concentrar para deixar um legado, profissionalmente tudo o que a gente pode para respeitar esse clube. Eu senti que é um leão ferido, os jogadores querem, mas às vezes não podem.

Oito jogos finais do Brasileirão

— Alguns fatores. Um: eu não amo falar de problemas. Eu acho que não temos tempo para isso. Eu falo isso sempre com muito respeito a vocês, que precisam analisar. Eu tenho que olhar soluções. Segundo, tenho que olhar para as coisas que eu controlo. Quando as coisas não funcionam, e todos passam por isso, você pensar coisas negativas só faz as coisas crescerem. Aprendi, como jogador, a virar a página e olhar para frente. Isso é uma maneira prática para controlar as coisas. Esse grupo sabe jogar e performar muito melhor do que vem acontecendo. Temos que construir essa consciência. Passei por isso no Madrid também, uma série de resultados negativos e uma pressão parecida como aqui. Meu trabalho, principalmente no começo, vai ser para a gente limpar aquilo que não controlamos. Esse grupo vai ser capaz, já vi coisas que me deixam com esperança.

Política do clube e liderança interna do Corinthians

— Eu não vim aqui para falar sobre política. Eu vim aqui com um projeto e uma visão. Uma visão que está relacionada ao campo. Eu passei várias vezes por esses momentos, com os maiores clubes do mundo, e a solução é só uma. Fechar o grupo e ir para o campo e trabalhar. E deixar vocês falarem com as pessoas que estão ligadas ao assunto. Temos que nos ocupar com coisas que controlamos e não com coisas inúteis. Vários clubes do mundo passam por momentos complicados na política, como Barcelona e Real Madrid, mas o dia a dia continua. Temos que separar essas coisas. Temos que focar só no trabalho técnico e tático.

Personalidade e relação com o elenco

— Os grupos com treinadores com muita personalidade eram de personalidade. Eu prefiro um grupo todo com personalidade, aí meu trabalho fica mais fácil. Agora, eu não me sinto comandante. Eu me sinto parte de um grupo de trabalho, mas com uma função. Quando era jogador, eu podia mover coisas internamente, mas, como treinador, eu tenho o papel de dar direção. Esse é um processo de comunicação, de alinhamento com todo mundo. Se o grupo acredita no caminho, fica tudo mais fácil. Eu sei que é normal opinar sem saber. É normal, por causa do Instagram. Todos têm opinião sem saber. Eu não me preocupo com o que pensam, minha preocupação é internamente. O primeiro impacto foi fantástico. Não tenho dúvida de que vamos fazer um trabalho maravilhoso. O contato com o ser humano que eu senti nesta manhã me motiva muito. Vejo como o atleta está sofrendo.

Números na carreira

— A pergunta é sempre sobre ler os números. Quando a gente faz testes físicos, aí saem vários dados. Mas, se não sabe ler os dados, você faz o planejamento errado. Se pensar quanto ganhou ou perdeu, não é justo. Meu primeiro trabalho foi ser jogador do Botafogo e na sequência, fui técnico do Milan. O Milan estava nas últimas posições e eu fui terceiro na retomada do campeonato. De quarto, último e sétimo lugar. Ninguém fala sobre isso? Isso significa que sou um grande treinador ou uma grande história? Não. Mas tem que ter boas oportunidades, boas, para mostrar quem você é como treinador. Eu ainda não tive, sempre peguei coisas no meio. Muitos treinadores que fazem mal conseguem um trabalho dias depois. Não posso estar preocupado com o fato de ter assumido um time com a minha escolha.

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