Lance O que diz o regulamento do Atletismo em caso de empate no primeiro lugar? O LANCE! explica

O que diz o regulamento do Atletismo em caso de empate no primeiro lugar? O LANCE! explica

Com o empate na marca de 2,37m, a organização ofereceu a possibilidade de mais um salto, em 2m39, para desempatar a disputa ou ambos poderiam dividir a medalha de ouro

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A final do salto em altura da Olimpíada de Tóquio, realizada no último domingo, entrou para a história. O italiano Gianmarco Tamberi e o catari Mutaz Essa Barshim empataram na decisão e decidiram encerrar a competição. Dessa forma, os dois atletas dividiram o lugar mais alto do pódio com a medalha de ouro.

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O feito não é inédito, mas não acontecia no Atletismo há 113 anos. Nos Jogos Olímpicos de Londres, em 1908, quando Edward Cook e Afred Carlton Gilbert, ambos dos EUA, empataram na disputa do salto com vara em 3m71. Por isso, a seguir, o LANCE! explica as regras do esporte e como a competição do salto vertical pode terminar empatada.

A edição 2020 das "Regras de Competição e Regras de Técnicas" prevê alguns critérios para definir a colocação dos atletas em caso de empate. Segundo a regra 181, número 26.8.1, o atleta com o menor número de saltos na última altura ultrapassada será considerado o de melhor colocação.

Se persistir o empate, o número 26.8.2 da regra 181 prevê que o atleta com o menor número total de falhas durante toda a competição, até e incluindo a última altura ultrapassada, será considerado o de melhor colocação.

Ainda na persistência do empate, o número 26.8.3 da regra 181 diz que os atletas em questão serão considerados na mesma colocação, a não ser que se trate do primeiro lugar - como foi o caso de Mutaz Essa Barshim, do Qatar, e Gianmarco Tamberi, da Itália. Portanto, veja na íntegra o que diz o número 26.8.4 da regra nessa situação:

"Se for referente ao primeiro lugar, deve ser realizado um salto de desempate entre esses Atletas de acordo com a Regra 26.9 das Regras Técnicas, a menos que seja decidido de outra forma, com antecedência, de acordo com os regulamentos aplicáveis à competição ou durante a competição, mas antes do início da prova pelo(s) Delegado(s) Técnico(s) ou pelo Árbitro Geral, se nenhum Delegado Técnico tiver sido indicado. Se nenhum salto de desempate for realizado, inclusive quando os Atletas envolvidos em qualquer momento decidam não saltar mais, o empate para o primeiro lugar permanecerá."

Vale destacar que a regra 26.8.4 não se aplica a uma competição de provas combinadas. Isto é, competições esportivas que envolvam uma combinação de várias modalidades para consagrar o que seria o atleta "mais completo".

PARA DESEMPATAR

No entanto, um desempate pode, sim, acontecer. Neste caso, o número 26.9.1 da regra 181 diz que os atletas envolvidos devem saltar em todas as alturas até que uma decisão seja tomada ou até que todos os atleta envolvidos decidam não saltar mais. Assim, o número 26.9.2 da regra diz que cada atleta terá um salto em cada altura.

Na sequência, o número 26.9.3 da regra 181 destaca que o salto para desempate deve começar na próxima altura determinada após a última altura ultrapassada pelos Atletas envolvidos.

Se não ocorrer o desempate, então, entra-se no número 26.9.4. Aqui é dito que a barra deve ser elevada, se mais de um atleta envolvido tiver ultrapassado, ou abaixada se todos falharem, em 2cm para o Salto em Altura - o que seria o caso nessa situação - e em 5cm para Salto com Vara.

Por fim, o número 26.9.5 destaca que se um atleta não saltar uma altura, ele, automaticamente, perde qualquer direito a uma posição mais alta. Se permanecer somente um atleta, ele será declarado o vencedor, "independentemente de ter tentado essa altura".

Barshim e Tamberi

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Mutaz Essa Barshim e Gianmarco Tamberi fizeram história (Foto: Ina FASSBENDER / AFP)

EXEMPLO: alturas anunciadas pelo árbitro chefe no início da competição - 1,75m; 1,80m; 1,84m; 1,88m; 1,91m; 1,94m; 1m97m*.

Para entender com um exemplo concreto, imagina-se que João, Lucas, Rafael e Cláudio estão empatados. Todos eles conseguiram ultrapassar a altura de 1,88m. Os árbitros somam o número total de falhas, até e incluindo a última altura ultrapassada, isto é 1,88m.

Supondo que Cláudio (três) tenha mais falhas que João, Lucas e Rafael (dois cada), então Cláudio terminou na quarta colocação.

Como estão empatados na disputa do primeiro lugar, João, Lucas e Rafael precisam saltar 1,91m, que, como visto acima, é a próxima altura após a última ultrapassada pelos atletas.

Se todos falharem, a barra é abaixada para 1,89m para outro salto. Supondo que apenas Rafael falhe neste salto de 1,89m, João e Lucas terão um novo salto de 1,91m. Se Lucas tiver conseguido e João, não, Lucas é declarado o vencedor.

*Exemplo mostrado no documento de Regras de Competição e Regras Técnicas

REPERCUSSÃO

A possibilidade do empate, inclusive, pegou muitos jornalistas de surpresa. Andy Maher, apresentador do programa "Fellow Seven" classificou a final como "extraordinária", enquanto o comentarista Tevor Long mostrou perplexidade.

- Os atletas decidem que podem compartilhar a medalha de ouro? Em vez de um desempate? Que diabos? Parece um processo muito estranho - mas - ambos se saíram muito bem - twittou Long.

Por outro lado, outros ficaram irritados. O repórter Darrenn Walton disse pelas redes sociais que a situação foi uma "farsa". O jornalista Piers Morgan também disse que os atletas deveriam ter ido para o desempate e que não se pode dividir medalhas de ouro.

- “Entããão são disputas de pênaltis para eventos de equipe, super desempates no tênis, 1 / centésimo de segundo decidindo ouro em natação / ciclismo / atletismo (e sonhos). Mas os funcionários da #Olympics distribuem doisGOLDS para salto em altura em vez de jump-off. Outra farsa # Tokyo2020 - disse Walton.

- Eles deveriam ter feito o desempate. É uma final olímpica, não uma festa do chá. Não posso 'compartilhar' medalhas de ouro - escreveu Morgan.

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