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Julio Casares renuncia ao cargo de presidente do São Paulo

Dirigente já estava afastado do clube após sofrer impeachment em votação na última sexta (16)

Lance

Lance|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Julio Casares renunciou ao cargo de presidente do São Paulo após impeachment pelo Conselho Deliberativo.
  • Ele é alvo de investigações por possíveis desvios de dinheiro e saques suspeitos nas contas do clube.
  • A pressão para sua renúncia aumentou após a votação que resultou em seu afastamento com 188 votos.

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Julio Casares é alvo de investigações na Justiça envolvendo possíveis desvios de dinheiro

Julio Casares renunciou ao cargo de presidente do São Paulo após o afastamento depois da votação do Conselho Deliberativo. Em publicação em uma rede social, Casares afirma que as acusações as quais responde iniciaram com “versões frágeis” e são tratadas como verdade “mesmo sem apresentação de provas robustas.”

O dirigente foi submetido à primeira votação do impeachment pelo Conselho Deliberativo na última sexta-feira (16).


Ele é alvo de investigações na Justiça envolvendo possíveis desvios de dinheiro e saques suspeitos nas contas do clube. A pressão se intensificou desde o fim do ano passado, quando o pedido de abertura do processo de impeachment foi protocolado.

O Lance! apurou que aliados de Julio Casares tentaram convencê-lo de que a renúncia seria um caminho mais adequado do que enfrentar o processo de impeachment. Em um primeiro momento, porém, houve resistência por parte do dirigente. Suposições sobre uma possível renúncia começaram a ser articuladas por parte da Situação, grupo político tricolor.


Com 188 votos do Conselho, Casares foi afastado do seu cargo. Harry Massis assumiu, mas teria ainda uma segunda etapa: uma convocação de uma Assembleia Geral, no prazo de um mês, para aí, sim, decidir sua destituição. Desde o resultado, começou a articular uma hipótese que Casares escolheria renunciar.

Pelo lado do presidente, foram alegados também problemas de saúde, o que teria influenciado.


O Ministério Público do Estado de São Paulo instaurou um inquérito civil para investigar uma suposta gestão temerária no São Paulo. O procedimento, conduzido pela Promotoria do Patrimônio Público e Social da Capital, apura possíveis irregularidades que possam ter afetado interesses coletivos, como o patrimônio da instituição.

O foco é verificar se uma eventual gestão temerária contribuiu para o aumento do endividamento do clube.


Com a renúncia, a presidência passa a ser assumida pelo vice, Harry Massis.

Leia a carta de Casares na íntegra:

“Ao longo de minha trajetória à frente da Presidência do São Paulo Futebol Clube, atuei com absoluta seriedade, firmeza, responsabilidade e compromisso com a defesa da instituição, sempre orientado pelo respeito à sua história, à sua grandeza e à sua torcida.

Nos últimos meses, o clube passou a viver um ambiente de intensa instabilidade, marcado por ataques reiterados, narrativas distorcidas e pressões externas que extrapolaram o debate institucional legítimo.

O que se iniciou como versões frágeis e boatos foi sendo reiteradamente reproduzido, amplificado e, gradativamente, tratado como verdade, mesmo sem a apresentação de fundamentos consistentes ou provas robustas.

Formou-se, assim, um contexto de grave contaminação do debate, no qual ilações passaram a ocupar o lugar dos fatos e suposições foram apresentadas como certezas, em um processo que, aos poucos, transformou versões construídas em verdades aparentes.

Não afirmo, neste momento, autoria, métodos ou responsabilidades específicas, até porque tais questões devem ser devidamente apuradas pelos órgãos competentes.

Contudo, é impossível ignorar que houve articulações de bastidores, distorções deliberadas e uma trama política ardilosa, marcada por interesses, traições institucionais e expedientes incompatíveis com a história e os valores do São Paulo Futebol Clube - fatos que o tempo e a história haverão de registrar.

Esse cenário afetou profundamente a governança do clube e, de forma absolutamente inaceitável, ultrapassou os limites da esfera institucional, alcançando minha família e minha vida pessoal.

Não renunciei anteriormente porque entendi ser meu dever exercer, até o fim, o direito à ampla defesa e ao contraditório. Enfrentei esse processo de maneira direta, presencial e com dignidade, mesmo diante de um ambiente já contaminado por narrativas previamente construídas.

Na prática, a manifestação realizada na tribuna foi o único espaço efetivo que me foi concedido para apresentar minha defesa, em um rito sumário que, ao meu juízo, restringiu a necessária produção de provas e o pleno esclarecimento dos fatos.

A decisão tomada por este Conselho encerra um processo de natureza política. Respeito essa decisão, ainda que dela discorde, e reafirmo, com absoluta convicção, que jamais pratiquei qualquer irregularidade. Minha renúncia não representa confissão, reconhecimento de culpa ou validação das acusações que me foram dirigidas.

Diante da continuidade desse ambiente, da necessidade de preservar minha saúde e, sobretudo, de proteger minha família de ataques e ameaças gravíssimas, bem como para evitar que essa disputa política continue a prejudicar o time de futebol e o ambiente esportivo do clube, apresento minha renúncia ao cargo de Presidente, com efeitos a partir desta data, antecipando, inclusive, o exercício do direito estatutário de aguardar a Assembleia Geral.

Faço questão de registrar que deixo um clube esportivamente estruturado, com um time competitivo, que voltou a disputar decisões, chegou a finais e conquistou títulos de grande relevância. Destaco, de forma especial, a conquista da Copa do Brasil de 2023, título inédito e histórico, que simboliza o trabalho sério, responsável e comprometido desenvolvido ao longo da gestão.

Esse desempenho é fruto do esforço conjunto de atletas, comissão técnica e profissionais do clube, aos quais manifesto meu respeito e confiança. Tenho absoluta convicção de que seguirão honrando essa camisa e lutando por títulos, com o apoio da torcida e da instituição.

Meu afastamento também tem como objetivo permitir que eventuais apurações ocorram de forma ampla, técnica e isenta, sem qualquer alegação de interferência, para que a verdade possa ser plenamente buscada e alcançada.

Reitero, por fim, minha certeza de que o São Paulo Futebol Clube é maior do que qualquer cargo, circunstância ou narrativa construída. Renuncio à Presidência para preservar minha saúde e proteger minha família.

Ao São Paulo Futebol Clube, amor de infância e da minha vida, jamais renunciarei. Renuncio, sim, ao ambiente de conspirações, distorções, mentiras e disputas de poder que ultrapassaram os limites democráticos e tentaram manchar trajetórias, biografias e a própria história do clube.

Despeço-me com respeito, gratidão e amor permanente por esta instituição, que sempre honrarei.

Julio Casares”

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