Se a final for para os pênaltis, quem leva a melhor: Unai ou Dibu?
Decisivos nas seleções, Dibu e Unai chegam em alta à final
Lance|Do R7

A final da Copa do Mundo de 2026 reunirá dois goleiros que foram fundamentais para levar suas seleções à decisão. Neste domingo (19), Espanha e Argentina disputam o título mundial tendo Unai Simón e Emiliano “Dibu” Martínez como protagonistas embaixo das traves. Apesar de desempenharem a mesma função, os dois chegam ao duelo com características, números e trajetórias diferentes.
O espanhol atravessa uma das melhores fases da carreira, sustentando uma campanha praticamente impecável da Espanha no Mundial. Já o argentino volta a disputar uma decisão de Copa após ter sido campeão em 2022 e segue reconhecido como um dos goleiros mais decisivos do futebol internacional, especialmente quando o jogo termina nas cobranças de pênaltis.
Temporada nos clubes
Dibu Martínez foi novamente titular absoluto do Aston Villa na temporada 2025/26. Entre Premier League e Europa League, disputou 43 partidas. No Campeonato Inglês, atuou em 32 jogos, sofreu 39 gols, terminou com sete partidas sem ser vazado e registrou média de três defesas por jogo, além de um aproveitamento de 71% nas intervenções. Também contribuiu com uma assistência e apareceu três vezes na equipe da semana da competição.
Na Europa League, o rendimento foi ainda melhor. O argentino participou de 11 partidas, sofreu apenas sete gols e terminou com seis jogos sem sofrer gols. O aproveitamento nas defesas chegou a 81%, além de registrar média de 2,7 intervenções por partida, confirmando o bom momento vivido antes da Copa do Mundo.
Unai Simón também teve sequência como titular do Athletic Bilbao. O goleiro disputou 45 partidas na temporada, sendo 37 por LaLiga e oito pela Liga dos Campeões. No Campeonato Espanhol, sofreu 54 gols, terminou com seis jogos sem sofrer gols e realizou média de 2,7 defesas por partida, enquanto na Champions sofreu 14 gols em oito partidas.
Embora seus números defensivos pelo clube sejam inferiores aos de Dibu nas competições continentais, o espanhol se destaca pelo estilo de jogo. Forte nas saídas do gol, seguro com os pés e importante na construção das jogadas, Simón é uma peça essencial no modelo implantado pelo técnico Luis de la Fuente tanto na seleção quanto em características semelhantes ao que apresenta no Athletic.
Campanha na Copa do Mundo
Os números dos dois goleiros no Mundial mostram cenários completamente distintos. Unai Simón é um dos principais responsáveis pela campanha defensiva da Espanha, que sofreu apenas um gol em sete partidas disputadas. O goleiro soma seis jogos sem ser vazado, média de 1,4 defesa por partida e impressionantes 90,9% de aproveitamento nas defesas realizadas.
Além da consistência durante todo o torneio, o espanhol chegou à semifinal diante da França ostentando uma sequência de 648 minutos sem sofrer gols em Copas do Mundo, estabelecendo um novo recorde da seleção espanhola. A marca só foi encerrada na vitória sobre os franceses, que garantiu a classificação para a decisão.
Dibu Martínez, por outro lado, precisou trabalhar muito mais durante a campanha argentina. O camisa 23 sofreu sete gols em sete jogos, manteve dois jogos sem sofrer gols e apresenta média de 1,3 defesa por partida, com aproveitamento de 56,3%. Ainda assim, voltou a aparecer em momentos decisivos, especialmente na semifinal contra a Inglaterra, quando defendeu uma cobrança na disputa por pênaltis e ajudou a Argentina a garantir vaga em mais uma final mundial.
Histórico pelas seleções
Os dois chegam praticamente empatados em número de partidas por suas seleções. Dibu Martínez soma 66 jogos pela Argentina desde a estreia, em 2021, período no qual conquistou Copa América, Finalíssima e Copa do Mundo, além de alcançar sua segunda final consecutiva de Mundial.
Unai Simón disputou 65 partidas pela Espanha desde 2020 e também construiu um currículo importante. Foi campeão da Liga das Nações e da Eurocopa, consolidando-se como titular absoluto da seleção espanhola. Agora, tenta conquistar o primeiro título mundial da carreira diante dos argentinos.
Pênaltis colocam Dibu em vantagem
Se a comparação leva em conta decisões por pênaltis, Dibu Martínez possui vantagem considerável. Pela seleção argentina, enfrentou 25 cobranças e defendeu nove delas. Além disso, outros três adversários desperdiçaram suas batidas, resultando em um índice de sucesso de 48%, considerado excepcional para disputas desse tipo.
As atuações mais marcantes aconteceram na semifinal da Copa América de 2021 contra a Colômbia, quando defendeu três cobranças, nas quartas de final da Copa do Mundo de 2022 diante da Holanda, na final contra a França e nas quartas da Copa América de 2024 contra o Equador. Sua postura provocativa antes das cobranças se tornou tão conhecida que a própria Fifa (Federação Internacional de Futebol Associado) alterou as orientações para impedir que goleiros conversem ou tentem desestabilizar os cobradores durante as disputas.
Unai Simón também possui histórico positivo, embora menos expressivo. Ao longo da carreira, defendeu oito cobranças de pênalti e sofreu gols em outras 37. Pela seleção espanhola, foi decisivo nas quartas de final da Eurocopa de 2020 diante da Suíça e, principalmente, na final da Liga das Nações de 2023, quando defendeu os pênaltis de Lovro Majer e Bruno Petković para garantir o título sobre a Croácia.
Apesar disso, o goleiro espanhol já deixou claro que prefere resolver os jogos antes das penalidades. Antes da semifinal contra a França, afirmou que não gosta de decisões dessa forma, embora tenha confiança no trabalho realizado para estudar os cobradores e aumentar suas chances de defesa caso seja necessário.


