Diretor do Flamengo explica impacto do fim das bets no clube: ‘Pior cenário’
José Boto afirma que possível perda de patrocínio vai afetar as finanças da equipe carioca
Lance|Do R7
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Em entrevista no Ninho do Urubu, nesta quinta-feira (1º), o diretor de futebol do Flamengo, José Boto, se pronunciou sobre os impactos no clube da proibição das bets no Brasil, por meio da Medida Provisória nº 1.394/2026. Atual patrocinadora master, a casa de apostas Betano tem contrato com o Rubro-Negro até o fim de 2028, em um acordo de cerca de R$ 266 milhões.
— Essas questões não vão impactar nunca nos salários dos jogadores. Garanto para vocês que o Flamengo não vai atrasar um salário, não vai deixar de pagar os funcionários e os jogadores. Quando o presidente diz: “Como é que eu vou pagar o Paquetá?”, não é o Paquetá em si, são os acordos firmados. Foram firmados levando em consideração que tínhamos contratos legais assinados. É como na casa de vocês. Poxa, vocês contam com o dinheiro dos seus salários. Se, de repente, deixarem de pagar o salário, vocês não vão poder pagar a sua casa, não vão poder pagar o seu carro... E é isso que se passa aqui — explicou Boto.
Apesar de reforçar a responsabilidade do clube com seus jogadores e funcionários, o diretor português admitiu que o prosseguimento do fim das bets mudaria a atuação do Flamengo no mercado.
— A situação até vai fazer com que a gente cuide mais do que já temos aqui (sobre renovar o contrato dos jogadores). Como não podemos ir comprar porque... para comprarmos precisamos de dinheiro, que é uma coisa que não temos neste momento. Estamos falando no pior cenário, de não ter esse patrocínio. E o pior cenário, talvez, passe por termos que vender alguns jogadores, ou dois ou três jogadores, e não conseguirmos repor com a mesma qualidade — concluiu.
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O ministro Luiz Fux, do STF, autorizou o Flamengo a ingressar como amicus curiae em três Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs 7721, 7723 e 7749) que discutem o futuro das casas de apostas no Brasil. A decisão permite que a diretoria rubro-negra participe diretamente do julgamento na Corte, apresentando dados técnicos para defender a suspensão liminar imediata da Medida Provisória assinada pelo Governo Federal.
A principal alegação apresentada no Supremo é o risco de um prejuízo financeiro devastador antes mesmo de o Congresso apreciar a matéria. O clube calcula uma perda de até R$ 430 milhões para seus próprios cofres e estima um impacto de R$ 2,5 bilhões no futebol nacional. O Flamengo também questiona a falta de prazo para transição, citando perdas com uniformes já produzidos e comercializados, placas instaladas em estádios e contratos de transmissão em vigor.
Além dos impactos econômicos diretos, a peça jurídica argumenta que o banimento das empresas reguladas pode ter efeito reverso e empurrar os apostadores para plataformas clandestinas. Com o aval de Fux, o Flamengo passa a participar diretamente da discussão.












