Lance Coletiva do Itaú apresenta análise econômico-financeira dos clubes brasileiros de futebol

Coletiva do Itaú apresenta análise econômico-financeira dos clubes brasileiros de futebol

César Grafietti, consultor do Itaú BBA, revelou que espera um crescimento de receitas no futuro, mas ainda ainda abaixo de 2019

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A análise financeira-econômica dos clubes do futebol brasileiro foi o tema da palestra virtual realizada pelo Itaú nesta terça-feira. Esta foi a 12ª edição do relatório anual do Itaú BBA, realizada por César Grafietti, consultor banco para temas relacionados às finanças do futebol.

A análise foi baseada não só nos dados reais divulgados nos balanços, como também nos números de receitas e custos que ficaram para 2021. Por causa da pandemia do novo coronavírus, o calendário da última temporada dos clubes se encerrou em março deste ano. O trabalho, então, destaca a diferença entre o "ano fiscal", encerrado em dezembro de 2020, e o "ano calendário", encerrado em março de 2021.

- Muitas receitas que seriam de 2020 acabaram sendo oficializadas, contabilizadas em 2021, mas referente ao que seria o “ano calendário” 2020. Qual o problema disso? Do ponto de vista de custos e despesas, os clubes foram obrigados a lançar tudo até dezembro de 2020 - explicou Grafietti, que ainda completou.

- Então, quando eu olho aqueles números, isso me chamou atenção quando a análise começou a ser feita, é que se tem um volume muito grande, um volume normal, vamos dizer assim de custos e despesas lançados em 2020, mas uma parte das despesas correspondentes ficou para 2021.

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O estudo revela que o início de 2020 indicava um distanciamento entre os clubes bem geridos e os mal geridos, que foram reforçados por causa da pandemia do novo coronavírus. Embora todos tenham sido impactados pela situação que assolou o mundo, a análise demonstra que quem entrou melhor estruturado, conseguiu enfrentar melhor a crise.

CRITÉRIOS

O trabalho foi baseado exclusivamente em informações públicas e sem qualquer contato do Itaú com os clubes para explorar dúvidas ou aprofundar questões. Tais informações públicas são referentes aos dados apresentados pelos clubes em seus sites e também em informações divulgadas pelo que o banco classificou como "imprensa especializada".

As "Receitas Totais" consideraram tudo o que foi gerado no dia-a-dia do clube - ou seja, tudo aquilo que é Operacional. No entanto, foi feito uma segunda derivada, que é utilizar o conceito de "Receita Recorrente", onde foi excluída a venda de atletas. Segundo o estudo, apesar de ser operacional, ela é "muito errática" e para fins de gestão deveria ser desconsiderada nos orçamentos.

- Vocês vão ver uma análise comparando o desenho de 2019 com esse 2020 “ano fiscal”, vamos dizer assim. Mas uma boa parte das análises vai estar associadas ao que é o ano calendário, porque muitos clubes lançaram as diferenças de receitas que houve em 2021, referentes à 2020, então, eu trouxe essas receitas para 2020. Uma parte delas, ou quase todas elas, relacionadas à TV. Ao mesmo tempo, tem alguns custos que ficaram para 2021 que são de 2020, especialmente custos com partidas e com viagem - disse Grafietti.

- Então, quem não divulgou, eu usei as informações dos clubes que divulgaram para criar uma referência e aplicar em todos os outros que não usaram essas informações. Vamos ter uma visão do que eu chamo de “pró-forma”, que é o “ano calendário”. Ela traz uma realidade muito maior do que foi o impacto do ano, especialmente da pandemia, nas finanças dos clubes - concluiu.

Ainda é válido destacar que 25 clubes fizeram parte da composição. Vitória, Chapecoense e Sport ficaram de fora, uma vez que não divulgaram os números até o dia 15 de maio - isto é, 15 dias depois da data em que os clubes deveriam apresentar seus dados financeiros.

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RECEITAS

César Grafietti apresentou um gráfico que mostra a evolução de Receitas Total e Recorrente (Brutas) corrigida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em R$ 5 milhões. O gráfico aponta as quedas de 2019 para 2020 das receitais totais brutas e também nas receitas recorrentes, isto é, que não contabilizam a venda de atletas.

- O número de balanço de receitas totais fechou com 4.8 bilhões, mas quando eu faço aquele ajuste pró-forma, do ano calendário, a gente fechou o ano com 5.4 bilhões. Quando eu olho as recorrentes, que é retirando as rendas de atleta, o número tinha sido da ordem de 3.5 bi e foi para 4.1 bi mais ou menos.

- Então, os impactos na receita total, bruta, que fechou o balanço de 2020 foi de 22% de queda. Quando eu faço esse ajuste trazendo as receitas que pularam para 2021, a queda final foi de 13%. E nas receitas recorrentes foi de 27% para 15%.

De acordo com o consultor, as quedas, do ponto de vista das expectativas foram "menos piores" do que se imaginava. Grafietti explica que, mesmo com a pandemia, caso o calendário esportivo juntamente com as premiações tivessem fechado no ano de 2020, a queda na receita total seria de 13%, e a receita que não conta a venda de jogadores seria de 15.


- Ou seja, se a gente tivesse pensado num ano, mesmo com pandemia, que tivesse se encerrado ali em dezembro de 2020, cheio, com todas as competições até o dia 31 de dezembro, com todos os pagamentos e tudo mais, a queda seria de 13% na receita total e 15% na receita recorrente. Se for pensar do ponto de vista de expectativa, talvez tenha sido melhor ou menos pior do que se imaginava no começo.

COMPOSIÇÃO DAS RECEITAS

O trabalho revelou que, do ponto de vista do "ano calendário", 45% das receitas vieram da TV, com uma queda considerada "bastante forte" da receita de bilheteria e do sócio torcedor. Grafietti também mostra que apesar de uma queda de 7%, as receitas vindas da venda de atletas passou a ser ¼ das receitas totais dos clubes.

- Se a gente for olhar aqui a comparação dos números fechados, depois do pró-forma, vemos que a receita de TV caiu 28% e quando fazemos o ajuste com os números pró-forma, a queda foi só de 6%. Ou seja, tem algum impacto de campeonato carioca, tem algum impacto de participação talvez de composição de participação nas competições como Libertadores e Copa do Brasil, mas a queda foi menos relevante.

- Venda de atletas, apesar do ano, caiu 7% e isso também é reflexo da pandemia, dado que a janela de meio de ano, que é sempre importante para os clubes venderem atletas. Ficou muito restrita, especialmente os clubes europeus fizeram poucas negociações.

Em relação especificamente ao Atlético-MG, Grafietti explicou que o clube tem um volume grande em receitas que não são operacionais. Dessa forma, as receitas da venda de percentual (50,1%) do shopping Diamond Mall, receitas de reavaliação de artigos e de outros investimentos foram excluídos.

- Para fim de análise, estas receitas não estão aqui. Assim como receitas de reversão de despesas ou de perda de dívidas, são receitas que eventualmente surgem. Aqui, a gente vai olhar exclusivamente a receita da atividade esportiva. O grosso é, evidentemente, o futebol, mas toda a atividade operacional do clube, excluindo essas movimentações que comentei - explicou.

Ao abordar a relação clube a clube, o consultor revelou que as receitas de Palmeiras e Flamengo equivalem a ¼ de tudo o que os clubes brasileiros arrecadaram no ano passado. Quando se amplia a observação para Grêmio, Corinthians, São Paulo, Internacional e Athletico, além dos dois já citados, esse valor de receita arrecadada chega a quase 65%

- Entrando em mais um detalhe do clube a clube é que, quando eu olho Palmeiras e Flamengo, eles dois representam, hoje, 25% das receitas totais de 2020, ano fechado, e 26% na visão pró-forma. Ou seja, os dois clubes representam ¼ de tudo o que os clubes brasileiros arrecadaram no ano passado. Os sete primeiros (Flamengo, Palmeiras, Grêmio, Corinthians, São Paulo, Internacional e Athletico) representaram 62% dessa amostra.

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PROJEÇÃO PARA O FUTEBOL BRASILEIRO

Já ao fim da coletiva, Grafietti apresentou um cenário de projeção do futebol brasileiro para o futuro e disse que sua expectativa é de um crescimento. No entanto, ele ponderou e destacou que esse crescimento ainda será abaixo do ano de 2019, sobretudo, porque a volta das bilheterias nos estádios ainda deve demorar.

- A minha expectativa é de que a gente tenha um crescimento de receitas da ordem de 26% a 27% em 2021. Aqui, é número fechado, é ano fiscal, vamos dizer assim. Tem todo impacto das receitas de TV, cota de participação e tudo mais daqueles dois/três primeiros meses do ano. Então, é só reorganizar essas receitas, só trazer para o ano de 2021. Esse crescimento vai nos fazer ficar ainda abaixo de 2019, porque, basicamente, vai demorar um tempo para ter bilheteria nos estádios.

- A tendência é que dada uma certa normalidade, volte a crescer entre 2 ou 3% e que mais pra frente passe a crescer acima de 5% as receitas do futebol. Isso porque o grande destaque, o grande salto que a gente pode ter é, normalmente, na venda de atletas ou na renegociação de contrato de TV, que só vai acontecer a partir de 2025.

Dessa forma, ele fez um alerta e salientou que o futebol não tende a ter grandes saltos de crescimentos, uma vez que este trabalha de forma lenta. Por outro lado, Grafietti disse que espera ver o futebol voltar a crescer até mesmo um pouco acima da inflação.

- Então, acho que a gente vai ter, neste momento, a surpresa de algum crescimento com novos entrantes ou alguma decepção, porque os valores, como na Europa já vem caindo, e passem cair no Brasil também.

- Acho que aqui tem um alerta de que o futebol não tende a ter grandes saltos de crescimento. Então, todo mundo que faz projeções e premissas de que o clube vai dobrar as suas receitas e vai passar a ter 500 ou 600 milhões de receita vindo de 100 ou 150 é um exagero. O futebol trabalha de forma lenta, crescimentos lentos. É importante a gente ter isso em mente. Aos poucos tende a voltar a crescer, crescer ali um pouco acima da inflação, mas crescer de uma forma relativamente sustentável.

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