Argentina revive aposentadoria de Maradona e busca solução com saída de Messi
Camisa 10 deixa a Albiceleste e vira lenda de sua seleção
Lance|Do R7
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Lendas costumam prosperar por anos e anos ao longo da história. E a relação de Lionel Messi com a Argentina não será diferente. No entanto, os contos do camisa 10 com a Albiceleste não serão mais vistos dentro dos campos de futebol, mas sim na memória de quem acompanhou essa trajetória de mais de 20 anos e repleta de conquistas.
Concomitantemente, Lionel Messi se torna passado, e a Argentina revive o período da aposentadoria de Maradona em busca de soluções para o futuro.
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Nesse momento, há mais perguntas do que respostas. Quem irá assumir a camisa 10 da Albiceleste? Existe algum nome à altura do campeão do mundo para assumir a responsabilidade e liderar os hermanos?
Lionel Messi foi um jogador geracional, e os argentinos até 30 anos quase não se lembram de uma seleção sem o último camisa 10. É uma parcela da sociedade que impulsiona o país da economia até o futebol, e que se identificava com a Albiceleste pelas cores, pelo que significa a equipe, mas também pelo peso de um dos maiores atletas da história do esporte.
Correspondente do Diário Olé na Copa do Mundo de 2026, o jornalista Diego Macías explicou o impacto da aposentadoria de Lionel Messi da Argentina. O repórter vê dois pontos como cruciais para começar a se pensar em uma seleção sem o astro do Inter Miami, sendo um deles o herdeiro da histórica camisa 10, que também pertenceu a Diego Maradona.
“Creio que a camisa de número 10 não necessariamente tem que ser o líder da equipe, pois Messi tinha a camisa 10 e nem sempre foi líder do time. São dois passos. O primeiro ponto é entender quem pode assumir a liderança, que imagino que esteja entre Enzo Fernández e Julián Álvarez. E usar a número 10 vai ser difícil encontrar um nome que possa jogar sem sentir que esteja sendo comparado. Hoje, há vários candidatos, como Nico Paz, Mastantuono e Aranda, que é um jovem que atua no Boca Juniors e tem uma projeção importante”, disse.
Saída de Messi revive impacto da aposentadoria de Maradona
Campeão do mundo em 1986 e um dos maiores nomes da Argentina, Diego Maradona se aposentou da seleção na Copa do Mundo de 1994. Na ocasião, a lenda tinha 33 anos, mas foi excluído de seguir disputando o torneio após ter sido pego em um exame antidoping.
E a saída de Maradona da Argentina foi sentida no campo com uma seca de 28 anos sem conquistar um título. O jejum foi encerrado apenas em 2021, quando Lionel Messi e companhia derrotaram o Brasil na decisão da Copa América, em pleno Maracanã.
Entre a saída de Maradona e a chegada de Messi, a Argentina criou expectativas em diversos jogadores: Ariel Ortega, Pablo Aimar, Juan Sebastian Verón e Riquelme são alguns dos exemplos. Mas nenhum deles conseguiu suprir a ausência do até então maior atleta de futebol da história do país.
“A saída de Maradona foi um golpe duríssimo. Foi um golpe duríssimo porque, independentemente do fato de a consistência e a estabilidade de Maradona nunca terem sido as mesmas de Messi, ele sempre foi o salvador, o cara que aparecia quando as coisas ficavam difíceis e, no fim das contas, acabou sendo o arquiteto de um título da Copa do Mundo”, recorda Diego Macías.
A Argentina só voltou a disputar uma final de Copa do Mundo 20 anos depois da aposentadoria de Diego Maradona. E, desde então, a Albiceleste esteve em três das últimas quatro decisões de Mundiais sob comando de Lionel Messi.
A preocupação gerada no passado com o fim do ciclo de Diego Maradona volta a atormentar os argentinos com a aposentadoria de Messi. E Diego Macías entende que essa ausência será sentida de forma inevitável.
“Creio que será muito difícil, pois é preciso ver que jogador conseguirá se transformar num jogador determinante, que ganha partidas. A Argentina precisa ver quem será esse jogador e, inevitavelmente, vai sofrer essa falta. Nos Mundiais após o Maradona, a Argentina se armou bem como equipe, mas nunca conseguiu chegar a uma fase importante de Copa”.
Como Lionel Scaloni reagirá à decisão de Messi?
Técnico da Argentina, Lionel Scaloni tem contrato com a Albiceleste até dezembro de 2026 e não tomou uma decisão sobre seu futuro. Nos próximos dias, o treinador deve falar publicamente sobre a aposentadoria de Messi no período da “Super Data-Fifa”, que será disputada entre setembro e outubro.
Na opinião de Diego Macías, a saída de Messi não deve ter influência na decisão de Scaloni renovar ou deixar a seleção. No entanto, o jornalista crê que o comandante da Scaloneta pode enxergar uma nova missão com a saída do maior jogador de futebol da Argentina. E esse desafio passa por montar uma equipe sem uma lenda, mas sim com os projetos que o país conta para o futuro.
“Creio que Almada e Mastantuono são projetos. Bons jogadores, mas não podemos pensar que serão substitutos de Messi. Serão substitutos na equipe. Quando Maradona se aposentou, pensávamos que não teríamos ninguém como Maradona. E agora estamos convencidos de que não haverá outro Messi. Quando aparecem esses jogadores, se vislumbram desde cedo, como foi com Almada, Nico Paz, Aranda, mas tudo parece estar muito longe. De início, a Argentina precisa se centrar em armar uma equipe antes de ter seus tops”.
Nessa “Super Data-Fifa”, a Argentina não tem adversários definidos para iniciar o próximo ciclo pensando na Copa do Mundo de 2030. A única certeza que a Albiceleste terá é a de que não contará mais com Lionel Messi dentro de campo, mas apenas como “mais um, torcendo e apoiando sempre do lado de fora (nos momentos bons e nos ruins, ainda mais)”, como disse o próprio camisa 10 em sua carta de despedida.












